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Prefácio de Sammis Reachers ao livro "Na Eira de Ornã"

 






Sammis Reachers*




Contista, romancista e crítico literário, em Jorge F. Isah o poeta é persona bissexta. E isto, esse chegar pela tarde, é excelente tanto para o beletrista quanto para os bons vinhos: seu verso é maturado e emancipado, sob a têmpera de suas muitas influências e leituras.

Sua poesia rompe e funda seu rumo, feito jangada de Caronte no rio metafísico; uma poética que emana e dimana uma angústia soteriológica. Percepções e sentimentos patentes em um poema como Confessionale, onde legendários pecadores da literatura (Mr. Hyde, Fausto, Dorian Gray) preparam sua atuação, sua farsa citadina, enquanto "a beleza [jaz] exilada em manguezais":

  

Confessionale

 

Cores, formas, geométricas e desiguais

Ruídos, cantos, afinados e dissonantes

Ouro, prata, cobres e portais

Récita, danças, frenesi e variantes

 

Ruas e casas em silêncio mortal

Corações e mentes presos em cofres

A beleza exilada em manguezais

 

Hyde está sobre holofotes

Fausto cala-se atrás do ralete

Gray compõe seu make-up

 

Versos eliotianos lindam versos surrealistas, num jogo hermético tão caro ao poeta, desde seus livros anteriores, A Palavra Não Escrita e Arpeggios Insulares. Ao leitor, embarcado/aluado na fruição, cabe desnudar-se para abarcar, com tal potência, a nudez do autor, suas flores e descalabros. Na fímbria entre brumas e rochas, podemos ouvir a voz dos moralistas franceses como La Bruyère e La Rochefoucauld, vaticinando contra os vícios deste mundo em descendente torvelinho.

Signos afloram em tensa caudalosidade, o vernáculo entrega seus frutos à dor do poeta e sua cisma, convidando o leitor ao labirinto. Ao seu final, a luz de Cristo, início e fim da vida e do poema, dá seu vaticínio e irrompe do verboverso de ardências deste “Na Eira de Ornã”.


 ***** 


* - Sammis Reachers é editor, poeta, escritor e autor premiado. Entre os seus muitos trabalhos na Web destacam-se: Azul CaudalMar Ocidental e Poesia Evangélica.

Leia a crítica ao seu livro "A Ordem Luterana da Cruz Combatente".  

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Judas, o Obscuro - Thomas Hardy (***)









Thomas Hardy
Editora Abril
464 Páginas




"Um livro que retrata uma época onde a ascensão social era quase impossível, a não ser por golpes de sorte. Judas passa sua juventude estudando e sonhando em sair de seu povoado para ir para Christminster City, local que acredita concentrar grandes estudiosos. Sem recursos, sem ajuda, sem guia, sem escola e sem apoio. Mas Judas é obstinado e estuda sozinho, guarda tudo que ganha para comprar livros e os lê e relê sozinho. Aprende outras línguas (sozinho). O roteiro de uma história como essa geralmente mostra o protagonista conseguindo superar as adversidades e ser reconhecido pelo seu esforço e talento. Aqui temos uma realidade mais dura e mais próxima do mundo no final do século XIX."





Fome - Knut Hamsun (***)

 





Knut Hamsun

Geração Editorial

176 Páginas




"Fome”, com a magistral tradução de Carlos Drummond de Andrade, é um dos maiores romances da literatura universal. Escrito pelo norueguês Knut Hamsun, autor singular e polêmico, premiado com o Nobel em 1920, descreve os tormentos de um escritor vagabundo e famélico que vagas pelas ruas com um toco de lápis, com o qual escreve crônicas para os jornais, dependendo disso para não morrer. Comovente, agudo, cheio de dor e sonhos, mas também de alegrias e esperanças, é um romance que se lê com entusiasmo e emoção."

LEIA A RESENHA: KÁLAMOS


Eu Brinquei de Forte Apache - Marcos de Bem Guazzelli (***)

 




Marcos Guazzelli

Amazon

110 Páginas




"Este livro relata a história dos principais brinquedos do gênero “faroeste” produzidos no Brasil nas décadas de 1960, 1970 e 1980, sendo o Forte Apache o ponto central da abordagem."


LEIA A RESENHA EM KÁLAMOS



O Agente Secreto - Joseph Conrad (***)

 




Joseph Conrad

LandMark (Ed. Bilíngue)

299 Páginas



"Nesta obra o autor procura captar o ambiente social e político da Inglaterra vitoriana. O cenário é Londres; o crime, um atentado. Londres no final do século 19 é refúgio para todos os tipos de exilados políticos. Verloc é um deles, um anarquista que passou anos sendo financiado por um governo estrangeiro em suas ações como espião, ao mesmo tempo, que presta informações à polícia metropolitana da cidade. Quando um novo embaixador é empossado, este exige que Verloc prove o seu valor, atacando alguns alvos selecionados."

Kaspar Hauser - Jokob Wassermann (****)

 





Jakob Wassermann

Editora Sétimo Selo

492 Páginas




"Nos primeiros dias do verão de 1828, ocorreu um fato estranho e inquietante em Nuremberg, destinado a despertar a curiosidade de todos os habitantes da cidade: apareceu um rapaz de aproximadamente dezessete anos, vestido com roupas camponesas, que balbuciava palavras incompreensíveis e andava como uma criança que ensaiasse os primeiros passos. Desorientado e surpreso, olhava ao redor como se visse o mundo pela primeira vez, com os olhos semicerrados para se proteger da luz, repetindo uma única frase: “Queria tornar-me um cavaleiro como meu pai”. Sua origem permanecia misteriosa.


Com sua notável capacidade de sondar a alma humana, Jakob Wassermann narra a comovente e aterradora história de Kaspar Hauser, o enigma vivo destinado a se tornar tão popular que foi chamado de “filho da Europa”. Na tradução de Adonias Filho, e acompanhada de uma introdução do autor, o leitor terá contato com a obra-prima que representa o mais profundo esforço já feito para penetrar no mistério que envolve Kaspar Hauser." 


LEIA A RESENHA EM KÁLAMOS 



Os Mímicos - V. S. Naipaul (***)

 





V. S. Naipaul

Cia das Letras

320 Páginas



"Ralph Singh, ex-ministro de uma ilha fictícia do Caribe, caído em desgraça na política local, exilado em um subúrbio de Londres, escreve suas memórias. Esse personagem central de Os mímicos assemelha-se de alguma forma ao próprio Naipaul - hindu, nascido em Trinidad, auto-exilado em Londres e, como Conrad, viajante contumaz. Assemelha-se em seu desencanto em relação às sociedades "mal-acabadas" do Terceiro Mundo e no humor ácido destilado sobre elas."



Leia a resenha em KÁLAMOS


O velho e o mar - Ernest Hemingway (****)

 





Ernest Hemingway

Editora Livros do Brasil

80 Páginas



"Quando a decisão de reeditar-se esta obra admirável me apresentou a oportunidade ser eu desta vez a traduzi-la, com alegria aceitei esse trabalho, que o é, porquanto traduzir Hemingway tem sido um dos meus gostos e uma das minhas honras de tradutor. E em particular este pequeno romance passa por ser uma obra prima da literatura contemporânea e talvez que o tempo o ponha entre as obras-primas da literatura universal..." (prefácio de Jorge de Sena)

                         LEIA A RESENHA EM KÁLAMOS

Nada de novo no front - Erich Maria Remarque (****)

 





Erich Maria Remarque

L&PM

208 Páginas


"Aos dezoito anos de idade, Erich Maria Remarque (1898-1970) conheceu as trincheiras alemãs da Primeira Guerra Mundial. Foi ferido em três ocasiões. Saiu do conflito profundamente marcado e perplexo com a crueldade da guerra. Durante a década de 20, enfrentava a insônia carregada de fantasmas tomando notas sobre os horrores que viu e viveu no front. Os rascunhos formavam o núcleo de um romance. Publicado em livro no ano de 1929, Nada de novo no front firmou uma posição radicalmente pacifista em um mundo que ainda via a guerra como uma alternativa política e determinou o perfil antibelicista que habita a literatura ocidental até hoje"



O Leviatã - Joseph Roth (***)

 





Joseph Roth

Literatura Livre - Sesc

117 Páginas




"Nissen Piczenik, um judeu do distante vilarejo de Progrody, vive como vendedor de colares e adornos feitos de corais. Homem honesto e comprometido com seu ofício — criar e comercializar suas belas "joias vivas" —, Piczenik nunca ousou sair de sua vizinhança. Porém, seduzido pelo antigo desejo de conhecer o mar, ele mergulha em uma aventura ao desafiar sua rotina e deixar para trás tudo aquilo que cultivou até então: sua freguesia e seu impecável artesanato. A breve ausência coincide com a chegada de um novo comerciante, um húngaro que milagrosamente vende corais mais belos e baratos. Assim, toda uma vida de comedimento se transforma em tragédia: ao deixar o lar para saciar o desejo pelo desconhecido e abandonar uma rotina sufocante, Piczenik é tomado pela inebriante vida de Odessa, uma grande cidade portuária com incontáveis navios; ao retornar, o analfabeto vendedor de colares de corais rende-se à chegada ao novo representado por seu concorrente poliglota de Budapeste."

O declínio de um homem - Osamu Dazai (***)

 



Osamu Dazai

Estação Liberdade

152 Páginas


"A curta passagem pela vida do escritor japonês Osamu Dazai — suicidou-se aos 38 anos de idade — não o impediu de se transformar num autor bastante popular. Declínio de um homem, editado pela primeira vez no Brasil, vendeu mais de 10 milhões de exemplares desde sua publicação original, em 1948. A obra sintetiza em cenas e passagens notoriamente biográficas muitas das angústias que tanto alimentavam a personalidade autodestrutiva do autor, a saber: a dificuldade de entendimento com seus familiares, sua antissociabilidade niilista, seu patológico apego ao álcool — vício do qual nunca conseguiu se livrar —, sua autoestima inexistente, enfim, sua evidente sensação de deslocamento em relação ao mundo — como se tivesse sido enviado à existência por mero descuido."

                                                    LEIA A RESENHA EM KÁLAMOS

A vida como ela é! - Nelson Rodrigues (***)

 




Nelson Rodrigues


536 Páginas



"Neste volume, os contos da inesquecível coluna de Nelson Rodrigues no jornal Última Hora são reunidos, para deleite das novas gerações de leitores e boas recordações das mais antigas. Histórias adaptadas para o rádio, teatro, cinema e televisão, como “A dama do lotação” e “Diabólica”, se tornaram marcos da boa crônica brasileira e símbolo da escrita deliciosamente ácida e perspicaz do jornalista, escritor e dramaturgo recifense de alma carioca."




A Casa das Belas Adormecidas - Yasunari Kabawata (***)

 


Yasunari Kabawata


126 Páginas

"Imbuída de um erotismo inusitado, esta obra, escrita em 1961, demonstra a maturidade estilística do autor, que se utiliza de sua virtuose descritiva para contar a história de Eguchi, um senhor de 67 anos que frequenta a "casa das belas adormecidas", uma espécie de bordel onde moças encontram-se em sono profundo, sob efeito de narcóticos. Apesar da idade avançada, o protagonista parte em busca dos prazeres perdidos e se depara com moças virgens, que os visitantes podem tocar, mas são proibidos de corromper. Daí derivam passagens antológicas de rememorações pessoais e fantasia. Kawabata procura desvendar o enigmático universo do corpo feminino em um culto ao belo e ao inalcançável, investigando as dores da solidão a partir da sutileza de um erotismo expressivo, constantemente atravessado por passagens de fina ironia e perturbadora consciência da passagem do tempo, do vazio existencial que permeia as relações humanas."



Mar Inquieto - Yukio Mishima (****)

 

Autor: Yukio MIshima

Cia. das Letras

168 Páginas


    "O jovem pescador Shinji conhece Hatsue, uma mergulhadora de beleza inquietante, na orla da praia de Utajima, onde mora com a mãe e o irmão. Hatsue é filha de Terukishi Miyata, um dos homens mais ricos da pequena vila pesqueira japonesa.

    Shinji e Hatsue se apaixonam e frustram a vontade do pai da garota de vê-la casada com Yasuo, pretendente a quem ela fora prometida. Tem início uma história de amor proibida, de desenlace imprevisível. Mar inquieto acompanha as venturas e desventuras do jovem casal, que logo faz pensar em Romeu e Julieta."

Mil Tsurus - Yasunari Kawabata (***)

 

 
176 Páginas
Yasunari Kawabata

"Publicado originalmente em capítulos por revistas japonesas, este romance foi escrito entre os anos 1949 e 1951. Nesse contexto em que a sociedade japonesa se reestruturava e também se defrontava com valores culturais vindos do Ocidente, Kawabata resgata valores tradicionais de seu país, fazendo da cerimônia do chá o pano de fundo para a história de Mil tsurus. Kikuji Mitani é um jovem que, durante uma cerimônia do chá, reencontra duas antigas amantes de seu falecido pai, Chikako Kurimoto e a viúva Ota, e de repente se vê profundamente envolvido com elas."  

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O Idiota - Fiódor Dostoiévski (*****)

 





Fiódor Dostoiéviski

Martin Claret

712 Páginas






"O idiota é uma das obras mais comoventes de Fiódor Dostoiévski. Abstrusa para os contemporâneos do escritor, mas atual e compreensível para quem a conhecer em nossos dias, ela conta a história de um jovem aristocrata russo que se atreve a defender o sublime ideal humanista numa sociedade regida pelas leis do livre comércio. Ovelha negra da alta-roda de São Petersburgo, o príncipe Míchkin é tachado de idiota em virtude das suas qualidades morais e acaba perdendo de fato o juízo. Sua imagem de mártir e visionário, inspirada na do magnífico Dom Quixote de Cervantes, fica interiorizada pelo leitor; seu trágico fim leva-o a perguntar a si mesmo onde termina a loucura e começa a santidade do protagonista e, consequentemente, a repensar o próprio conceito daquilo que pode ser objeto de compra e venda no conturbado âmbito das relações humanas."


Para ler a resenha clique aqui!

Paris é uma Festa (****)



Ernest Hemingway
178 Páginas


"Paris é uma festa mostra-nos um Hemingway diferente, o escritor e o homem fazendo uma viagem sentimental à década de 1920, quando o mundo se abria diante dele e seus companheiros eram a gente anônima das ruas e gente famosa como Gertrude Stein, James Joyce, Ezra Pound, F. Scott Fitzgerald. A cidade e esses “companheiros de viagem” deram-lhe nova dimensão do humano e maior sensibilidade para alcançar os seus dois objetivos primordiais na vida: ser um bom escritor e viver em absoluta fidelidade consigo próprio. Há, em Paris é uma festa, momentos de suave melancolia, alternados com outros de cortante, quase selvagem crueldade. De Paris, seus perfumes, seus encantos, de si mesmo, de seus amigos e inimigos, Hemingway nos deixou, neste livro póstumo, uma série de vinhetas inesquecíveis, escritas com amor e ironia, com humor e saudade. “Paris é uma festa mostra-nos o escritor no momento em que está, por assim dizer, fechando o círculo de sua atividade intelectual. Foi em Paris, essa festa móvel que se carrega no coração, que ele abriu as asas. E foi depois de ter escrito estas evocações de Paris, repletas de terna candura, quando recapturou, durante algum tempo, a felicidade perdida, o gosto da descoberta e da invenção, que Hemingway se despediu de nós.”


Para ler a resenha: Kálamos  



A Viga Oca Sob o Teto


 
        Em 15 de Junho, a Kálamos Editora lançará um novo livro. Chama-se "A Viga Oca Sob o Teto", e estará disponível na amazon.com.br

        Será disponibilizado em formato ebook e físico.

        Nos próximos dias, darei mais detalhes da presente edição. Por hora, fique com um dos vídeos promocionais, ainda inédito em outras redes sociais:



Após a leitura, classificarei os livros assim:
Péssimo [0] Ruim [*] Regular [**] Bom [***] Muito Bom [****] Excelente [*****]