Após a leitura, classificarei os livros assim:
Péssimo [0] Ruim [*] Regular [**] Bom [***] Muito Bom [****] Excelente [*****]

Breve História do Mundo (****)

Os melhores poemas do poeta da condição humana

Carlos Nejar
Ediouro
248 páginas


"Carlos Nejar é um dos trinta e sete poetas-chaves do século, entre trezentos autores memoráveis latino-americanos, no período compreendido de 1890-1990. Encarna de forma convincente, porém com modéstia e discreto retraimento, o logro daquela síntese em tantos lugares desejadoa e raramente cumprida, entre inovação e tradição".

2 comentários:

Jorge Fernandes Isah disse...

Poesia é algo extremamente subjetivo. O autor pode escrever "manhã", e o leitor entender "noite", "madrugada", "tarde"... Talvez seja a forma de expressão mais "instável" da literatura. Por isso, muitos não se aventuram na poesia, e preferem a prosa, por esta ser mais, digamos, objetiva em sua subjetividade (o que nem sempre é verdade). Com isso, não quero dizer que a poesia seja algo irracional, o que em alguns casos pode até ser.

Então, para um leigo como eu, é difícil definir o estilo ou mesmo a categoria de determinado poeta. Mas há sinais e evidências que não são mascaradas, nem secretadas, e o mesmo vale para Carlos Nejar.

Este é o segundo livro de poesias dele que leio. O primeiro, está aí, alguns tantos livros abaixo.

Quanto a este, é uma coletânea do melhor de vários dos seus livros (segundo o organizador, Fabricio Carpinejar), e a divisão é temática. Nejar é um poeta tradional, poder-se-ia dizer épico em seus temas, ao abordar assuntos ligados ao homem, seus sentimentos e relações. Nada a ver com o abstratismo de muitos "modernosos". Sua poesia tem mensagem, é coesa, tem unidade, e invariavelmente é um escritor humanista, no sentido de que crê no homem. Então, podemos dizer que Nejar é lírico, ao expor o que de mais belo tem a humanidade.
Da mesma forma, o autor tece versos expressivos sobre Deus e sua natureza.

Como disse anteriormente, não sei qual a fé de Nejar, mas não se pode negar a sua reverência para com o Criador, nem a importância dEle em sua poesia.

Ela não é revolucionária, panfletária, nem ideológica, no sentido de lutar ou indicar ações sociais e políticas. Ela é metafísica no próprio sentido da transcedência humana, de, além do seu caráter pecaminoso e mal, poder ser bom, digno e belo.
Provavelmente, o autor, ao visualizar o homem, olha para Deus, a fim de encontrar no próprio homem a imagem daquilo que Deus lhe deu ao criá-lo.

Há alguns poemas que beiram a genialidade, por sua construção métrica (ou seria desconstrução?), sua musicalidade e ritmo verbal e, sobretudo, pela mensagem que nos é endereçada, numa textura modular. Sem ser "cabeça" ou esteriotipada, essencialmente calcada na simplicidade, no diáfono, no delicado.

Carlos Nejar é um poeta fora do seu tempo, e, talvez, por isso, sua poesia seja perene, mas, sobretudo, vital.

Jorge Fernandes Isah disse...

Uma pequena amostra da qualidade poética de Carlos Nejar [e, porque não, vestígios de Cristianismo bíblico]:

SEM ESTRELA

A morte ia comigo e eu, com ela.
E vi o seu ridículo vestido,
o andar desajeitado e sem sentido,
o rosto com penteado de donzela,

sendo tão velha, velha, no ruído
de suas meias e sapatos de heras.
Então não resisti e me ri dela,
caçoava de seus gestos confundidos.

E desta sisudez que nada espera,
mas sabe que na vida um só gemido
pode fazê-la emudecer. Insisto

em rir de sua passagem sem estrela,
sem grandeza nenhuma. E se resisto,
é porque está em mim quem vai vencê-la.