Após a leitura, classificarei os livros assim:
Péssimo [0] Ruim [*] Regular [**] Bom [***] Muito Bom [****] Excelente [*****]

Como Ler Livros [****]







Mortimer J. Adler e Charles Van Doren
289 Páginas


"
O livro aborda os vários níveis de leitura e mostra como atingi-los – da leitura elementar à leitura rápida, passando pelo folheio sistemático e pela leitura inspecional. Aprende-se a classificar um livro, a “radiogra fá-lo”, a isolar a mensagem do autor, a criticar. Estudam-se as diferentes técnicas para ler livros práticos, literatura imaginativa, peças teatrais, poesia, história, ciências e matemática, filosofia e ciências sociais. 
Por fim, os autores oferecem uma lista de leituras recomendadas, bem como testes de leitura para que você possa medir seu progresso em compreensão, velocidade e capacidade de leitura"

2 comentários:

Jorge Fernandes Isah disse...

A edição de que disponho não é a da "É realizações", mas uma antiga, da extinta "Agir", cujo título é "A Arte de Ler", e não a literalização do título em inglês: "How to read a book".

Como não há, no momento, outra edição além da publicada pela "É realizações", coloquei a capa e o link para a editora, a fim de que os interessados comprem-no [até, porque, as edições antigas somente podem ser adquiridas em sebos, como eu fiz].

A atual edição tem mais de 400 páginas, enquanto a minha dispõe de quase 300. Não houve acréscimo, ao que parece, mas uma redisposição editorial do texto.

Quanto ao livro, é o seguinte: ao começar a leitura, constatei o que já sabia e que vivia tentando não me lembrar: eu não sei ler um livro! Para quem tem um blog de livros, isso é uma realidade dura e trágica. Mas era o que eu percebia a cada frase ou texto que me apresentava incompreensível. É claro que, como há péssimos leitores, também há os péssimos autores. Aqueles que aparentam ser intelectuais, mas não passam de enganadores. Escrevem frases enigmáticas, misteriosas, complexas, que o único intuito de não serem inteligíveis, pois, na verdade, não sabem a mínima do que estão falando, e preferem mesmo enganar. São os "picaretas", que aparentam sofisticação e hermetismo, quando não passam de ignorantes, iletrados e fraudadores.

Mas há aqueles autores que estão degraus acima da nossa compreensão, não porque eles são desonestos, mas porque nós é que deixamos a honestidade de lado, ao considerarmo-nos capazes de compreender o que escrevem, quando não somos. Nesse caso, a fraude se torna no próprio leitor. Quantas vezes nos deparamos com um texto complexo, e simplesmente o abandonamos, considerando-o chato ou pedante? Sempre temos uma desculpa para a própria ignorância e má-leitura, infelizmente. E a culpa não é do autor, nesse caso; mas a transferimos a ele, indevidamente.

Fato é que, ao iniciar o livro do Adler, percebi-me não um leitor mediano, a quem o autor dirige a sua obra, mas abaixo do mediano. Sempre evitei livros técnicos, um pouco por preguiça, outro tanto por ignorância. E sempre considerei suficiente entender um pouco do livro, mesmo que esse pouco fosse muito pouco mesmo. As vezes, nos contentamos em apreender nada e a considerar o aprendizado como qualquer coisa que vem à mente. Passamos de leitores a reescritores, dizemos aquilo que o autor não disse como se fosse ele dizendo. Em todos esses casos, eu, você, e em quem mais a carapuça servir, agimos desonestamente.

Ainda não cheguei ao ponto em que Adler revelará como fazer uma boa leitura, mas estou ansioso. Até mesmo porque quero ler melhor, e, na verdade, abandonar as fileiras do analfabetismo funcional. O que seria bom se, até muitos chamados intelectuais, refletissem e vissem como são maus-leitores, muitos, como eu, no analfabetismo.

Interessante que, ao dizer à minha esposa que eu era um leitor ruim, ela disse: se você é mau-leitor, o que eu sou, então?... Bem, não me consolou em nada, mas me deu a certeza de que estamos num período negro na intelectualidade, e isso tudo reflete-se na sociedade, onde um ex-presidente, semi-analfabeto, se gaba de não gostar de ler, e temos cada vez mais leitores preguiçosos, que consideram possível o conhecimento por osmose, aumentando a legião de palpiteiros e "chutadores", aqueles que atiram para todos os lados sem ter alvo algum.

Pelo pouco que li, algo em torno de 30 páginas, "Como ler livros" ou a "A arte de ler", é leitura fundamental. Agora, fica a pergunta: não se sabendo ler, é possível aprender a ler, lendo? [rsrs]... Descubra, por si mesmo.

Jorge Fernandes Isah disse...

Não estou dizendo que a "A Arte de Ler" é um manual infalível, e que todos passarão a ler conforme as técnicas ali expostas. Não é isso! Mais do que ensinar como fazer, ele nos mostra o que não devemos fazer enquanto bons leitores. A partir daí, pode-se traçar um "roteiro' de como se obter o melhor de uma leitura, pois há várias, não se podendo ler da mesma maneira uma obra de ficção [que está pronta e acabada, nos dando todo o caminho a percorrer] e uma de não-ficção, em que temos de preencher as "lacunas" deixadas pelo autor. É claro que as "dicas" nos guiarão a meditar nos objetivos, métodos e o porquê de se ler determinado livro, o que vale dizer que não há um padrão único ao qual todos devem seguir para "aprender a ler". Porém, há um mínimo a se saber, e, sem ele, não se caminhará muito nesse conhecimento.