Após a leitura, classificarei os livros assim:
Péssimo [0] Ruim [*] Regular [**] Bom [***] Muito Bom [****] Excelente [*****]

Padres Apologistas

Após ler os dois primeiros livros da série "Patrística", Editora Paulus, (veja o 1º aqui) fiquei com aquela sensação, ou melhor, pergunta insistindo na minha cabeça: "Por que nunca li estes livros no Seminário"? 

Em algum Seminário por aí, quem sabe, talvez professores estejam passando essas obras maravilhosas de Clemente Romano, Inácio de Antioquia, Policarpo de Esmirna, ou mesmo Atenágoras, Taciano, etc, ao invés de Teologia Liberal (aliás, eu quase que só vi teologia liberal rsrsrs). São cartas, defesas, documentos valiosíssimos não apenas pelo seu testemunho histórico, mas, principalmente, por mostrar uma Igreja no seu nascedouro e já engajadíssima em defender a fé que uma vez por todas foi dada aos santos.

A luta da Igreja contra a divisão do Cristianismo, a busca pela unidade da fé, a defesa da hierarquia eclesiástica, o esforço no discipulado, o posicionamento claro diante dos primeiros hereges e seus falsos ensinos, a luta contra o gnosticismo, contra o antissemitismo e contra o paganismo são as marcas de um povo espalhado pelo Império Romano e que avançava firmemente no trabalho de evangelismo.

As cartas desses apologistas são endereçadas aos Imperadores Romanos e, com toda a ousadia e sem nenhum pudor politicamente correto, eles não apenas defendem as doutrinas centrais da fé como a Santíssima Trindade e a ressurreição de Cristo e da carne, como também não fogem de um ataque frontal contra a fé pagã romana. Eles não são apenas apologistas, como o título faz supor. Eles são atacantes, beligerantes mesmo, que por meio da retórica, da própria cultura greco-romana, do argumento da antiguidade e da Bíblia investem contra a fé pagã reduzindo-a ao ridículo. 

É muito bom ver como já se desenvolvem as interpretações alegórica e literal da Bíblia e o desenvolvimento, portanto, da gnose cristã que irá ser fundamental na teologia ortodoxa da Igreja do Oriente, marcando definitivamente a diferença entre o Cristianismo Ocidental e o Oriental. 

Espero poder seguir adiante na leitura de toda a série da Patrística, uma vez que ela se encontra na Amazon por um preço muito mais acessível do que sua versão em papel. Boa leitura!    

"ÁGUAS VIVAS"






Jorge F. Isah


Tive a honra de ser selecionado para participar da Coletânea de poesias "Águas Vivas - Volume 5", cujo idealizador, realizador, editor e empreendedor full time é o mano Sammis Reachers, do "Poesia Evangélica"

Minha participação se resumiu a 9(nove) poemas, dos quais apenas 01(um) é inédito [A Cura], já que os demais foram publicados no meu ebook solo "A Palavra Não Escrita". Entretanto, o leitor poderá se deliciar com outros tantos dos demais 6 (seis) autores/colaboradores. 

Não tenho palavras para agradecer o estímulo, incentivo e a gentileza com que o Sammis tem dispensado a mim e ao meu trabalho autoral. Realmente, sou-lhe grato e devedor para todo o sempre!

Aos amigos e irmãos, baixem o ebook, gratuitamente, no link abaixo, e leiam o que cada um de nós tem a dizer sobre o relacionamento, comunhão e as infinitas dádivas que nos são dispensadas pelo nosso Senhor Jesus Cristo. 

A ele, honra, glória e louvor para todo o sempre!

Boa leitura!!


 

Primeira carta de Clemente aos Corintos - Padres Apostólicos (série Patrística, vol. 1)

“A ordem do universo é modelo de concórdia e paz”, escreve Clemente, o Romano, em sua carta datada por volta do ano 90 d. C.. Provavelmente escrita quando o Apóstolo João ainda estava vivo e apenas 40 anos depois das cartas de Paulo para a mesma comunidade da cidade de Corinto. Só esses dois detalhes já deveriam instigar qualquer cristão a ler tal documento de valor incalculável para a fé cristã. 

A Carta de Clemente, contudo, guarda outros encantos, a saber, desde quem é Clemente, que já foi cogitado até ser o autor do livro aos Hebreus do cânon bíblico e colaborador de Paulo, citado em Fp 4:3, até os temas tratados na Carta, que vão desde a desobediência de alguns aos presbíteros até a justificação pela fé. Na verdade, a razão da carta é resolver uma dissenção que ocorreu na igreja e isso nos presenteou com um texto deliciosamente escrito por meio do encadeamento de argumentações ricamente ilustradas pelos eventos do Antigo e Novo Testamentos. Citações não apenas do AT aparecem, mas de várias passagens do NT também.  

Essa carta é o primeiro texto que se encontra no volume 1 da Série Patrística, editora Paulus. O livro ainda trará os textos de Inácio de Antioquia, Policarpo de Esmirna, O pastor de Hermas, Carta de Barnabé, Pápias e Didaqué.

Para resenha completa, clicar aqui. Boa leitura! 

Cristianismo Primitivo e Paideia Grega - Werner Jaeger (resenha)

Após a leitura de algumas obras platônicas, em especial o Timeu, é inegável a percepção de que o mundo fora preparado para a chegada do Evangelho. E, para surpresa minha, é exatamente esta a tese de Werner Jaeger em “Cristianismo Primitivo e a Paideia Grega”. 

Jaeger nos traz àquele mundo do Cristianismo Primitivo em um pequeno livro de apenas 118 páginas, nas quais condensa o desafio que foi para a Igreja aquele seu momento inaugural em que ela era acusada de canibalismo, ateísmo e de desobediência revolucionária contra o Império Romano. 

Desde Clemente, o Romano, que escreve sua carta pastoral aos Coríntios menos de 40 anos depois de Paulo ter escrito aos mesmos destinatários, passando pelos Padres Apologistas; e seguindo pelos Neoplatonistas e sua influência até mesmo em Santo Agostinho; apresentando o Cristianismo dos Alexandrinos e Capadócios; até, finalmente, o capítulo final sobre Gregório de Nissa, é, portanto, esse o período abordado por Werner Jaeger.

Para a resenha completa, clicar aqui. Boa leitura!

Nos passos de Hannah Arendt (Biografia)

       

Nestes últimos anos, além de vários artigos e ensaios, tive a oportunidade de ler Eichmann em Jerusalém, Homens em tempos sombrios, Origens do totalitarismo, O que é política e, neste exato momento, tenho em mãos a sua última obra, lançada após sua morte, A vida do espírito, leitura que já estou tendo o prazer de fazer. Pretendo ler também sua obra inaugural O conceito do amor em Santo Agostinho, ainda neste ano, se Deus quiser. Aliás, descobri que essa primeira obra filosófica de Arendt recebeu críticas terríveis de Karl Jaspers, seu orientador e amigo de sempre. É muito interessante acompanhar não apenas o contexto histórico, mas, principalmente, as características da personalidade da jovem filósofa de apenas 22 anos de idade que contribuíram para as críticas recebidas sobre sua tese em Agostinho.  


Por tudo isso, ler a biografia Nos passos de Hannah Arendt foi uma experiência apaixonante, particularmente por Laure Adler oferecer um roteiro bibliográfico de formação da Hannah Arendt. Assim, podemos acompanhar, durante cada etapa da vida da filósofa, os livros que ela lia, os autores que devorava, os poetas nos quais se refugiava nos tempos difíceis. Adler também vai marcando, passo a passo, o momento em que Hannah escrevia seus artigos, ensaios e livros. Resultado? Preciso reler o livro de Laure Adler, fazendo esse roteiro bibliográfico de Hannah, sobretudo agora que foi lançado o Escritos judaicos, obra que reúne os artigos de Hannah Arendt até os anos 60.

Acredito que meus primeiros contatos com Hannah Arendt se deram ainda na Faculdade de Letras, por causa de seus escritos na área de educação americana, nos quais ela criticava a postura vitimista da comunidade negra e o que ela considerava um uso errado das crianças negras por seus pais na luta pelos direitos de ir à escola dos brancos, colocando essas crianças em situação de risco. Hannah não acreditava que o racismo deveria ser combatido com criação de leis antirracistas, pois estas teriam um efeito contrário na sociedade. Obrigar por meio da lei as crianças negras a frequentarem escolas de brancos, lugares em que elas eram humilhadas, maltratadas e indesejadas levanta, para Arendt, a indagação se valeria a pena “forçar o real e deixarem essas crianças viverem o inferno, em nome de uma luta contra a segregação, impor que elas se tornassem os heróis da luta antirracista”. Hannah foge sempre dos clichês politicamente corretos e denuncia que “há também uma derrota de autoridade dos adultos, que abdicam de sua responsabilidade ao delegar ao Estado a preocupação em se ocupar de seus próprios filhos”. Hannah pergunta: “Será que chegamos ao ponto de pedir às crianças para mudar o mundo ou melhorá-lo? Será que procuramos conduzir nossas batalhas políticas no pátio de recreação das escolas?”.

Esta é Hannah Arendt: uma filósofa que resolveu pensar em tempos sombrios e que, certamente, arcou com as consequências de fazer perguntas tão obscenas quanto “os judeus são responsáveis por seu extermínio?”. Para Hannah, o “mecanismo de apagamento voluntário do ser judeu precedeu e talvez tenha autorizado o Holocausto”. O livro de Adler, portanto, é uma imensa narrativa sobre os embates, guerras, tragédias, genocídios e assassinatos vividos e refletidos por essa judia nascida alemã em pleno século XX.

Adler nos dá o contexto dos judeus que, por tanto tempo, ainda no século XIX, lutaram pelo direito de serem recebidos como cidadãos na Alemanha, mas que, repentinamente, seus filhos veriam crescer no século seguinte o movimento do Nacional-Socialismo e sua política antissemita. Judeus ou alemães? Essa crise de identidade acompanhará aquela geração de judeus alemães que cresceram junto com Hannah Arendt.

Nos passos de Hannah Arendt retrata muitíssimo bem toda a polêmica que acompanhou Hannah diante da publicação de Eichmann em Jerusalém, obra jornalística em que ela expõe a cooperação dos Conselhos Judaicos na confecção das listas dos que seriam mandados para a morte nos Campos de Extermínio dos nazistas. Embora essa cooperação já fosse do conhecimento dos tribunais e governos antes mesmo do próprio julgamento do nazista Eichmann, ela expõe o fato de uma maneira que a indispõe com muitos dos líderes e anciãos judeus da época ao ponto de vários rabinos escreverem às comunidades judaicas orientando-as para que, durante a comemoração do Ano Novo, elas pregassem contra Hannah Arendt. Laure Adler pinta com todas as graves cores a perseguição, o ódio, a difamação e injustiças sofridas por Hannah, que foi criticada muito mais pelo que disseram que ela disse (mas não disse) do que pelas coisas que, de fato, escreveu. Adler, porém, não esconde as falhas, os erros, as contradições e o orgulho de Hannah Arendt. O próprio fato de, como conselheira editorial, ela ter impedido a publicação, antes do lançamento de Eichmann em Jerusalém, do livro do historiador Raul Hilberg, que já apresentava toda a documentação sobre a cooperação dos Conselhos Judaicos ao regime nazista, demonstra estes traços negativos da filósofa.

É em Eichmann em Jerusalém que Hannah Arendt apresenta o seu famoso conceito de “banalidade do mal” ao defender que o ser humano não precisa ser “mau” para praticar a maldade, fugindo das caricaturas tão propagadas do louco nazista ou do sádico de suástica e também do funcionário público estúpido. Ela percebe que qualquer um de nós, “pessoas comuns”, podemos cometer as atrocidades que foram empreendidas por pessoas como Eichmann. Ao desenvolver essa tese, Hannah quer refletir sobre três coisas: 1) a natureza do mal; 2) como evitar que um novo genocídio ocorra de novo; e 3) o que leva pessoas comuns como Eichmann a se tornarem uma peça numa engrenagem assassina.

A partir desse conceito de “banalidade do mal”, Hannah demonstra que a origem das ações criminosas perpetradas por pessoas como Eichmann, reside no momento em que elas abdicam do seu direito de pensar, entregando-se à moral fornecida pelo Estado por meio da lei. Elas abrem mão da própria consciência, abrem mão de refletir, de pensar, de julgar. Para Hannah Arendt, portanto, o ser humano, qualquer ser humano, torna-se agente do mal quando não reflete, não pensa, quando abre mão da própria consciência e adota, enfim, a moral do Estado ou do grupo.

Particularmente, entre as contradições da filósofa, a que mais me chamou a atenção foi que, na vida amorosa, Hannah Arendt aceitou a submissão a dois homens abertamente contrários à causa judaica: Heidegger e Heinrich. O primeiro, filósofo que aderiu ao Nazismo e fechou as portas da Universidade para professores judeus, foi amante de Hannah. O segundo foi seu marido e, como comunista, nunca apoiou as causas judaicas, sempre se apresentando avesso às lutas sobre o Estado de Israel.  

Ainda por causa da sua experiência com Eichmann, ela escreverá sua última obra sobre o pensar, sobre a vida do espírito. O ato de pensar é a única saída para que o ser humano não repita mais os crimes terríveis perpetrados por regimes totalitaristas. É preciso, então, que o homem reflita, pense, julgue, não abra mão da sua consciência. Assim, a própria vida de Hannah Arendt é um testemunho sobre sua lealdade ao que pensava, refletia, julgava. Contra tudo e contra todos, ela teve coragem de tocar em temas polêmicos que a Europa se recusava a refletir, a pensar.

 Em determinado momento do livro, a autora Laure Adler indaga: “Visivelmente impregnada de um cristianismo primitivo, influenciada pelas Confissões de Santo Agostinho, fazendo do amor pelo bem uma qualidade política, será que Hannah se tornou crente?”.

Hannah, aluna de Bultmann e fiel leitora de Kant, Heideggeriana, busca uma filosofia que ultrapasse seu professor de fenomenologia, Husserl: ela crê que o nascimento é o fundamento da vida e faz da vida a razão da sua filosofia. Cada nascimento é um novo começo, é a vida retornando, dando uma nova chance ao homem. A biógrafa de Hannah relata que, assistindo ao Messias de Handel, a filósofa teria tido uma iluminação: “Tivemos um filho. (...) O cristianismo é de qualquer maneira alguma coisa”. Leitora atenta dos Evangelhos, especialmente o de São João, Arendt vê de maneira especial o nascimento de Jesus como uma cisão na história da humanidade. “Todo começo é salvação, é em nome do começo, em nome dessa salvação, que Deus criou os homens no mundo. Cada novo nascimento é como uma garantia de salvação no mundo, como uma promessa de redenção para aqueles que não são mais um começo”. Diante dessas palavras de Hannah Arendt, recordo os versos do poeta brasileiro João Cabral de Melo Neto, os quais podem ser apresentados como síntese poética da filosofia proposta por Arendt:

Severino, retirante,
deixe agora que lhe diga:
eu não sei bem a resposta
da pergunta que fazia,
se não vale mais saltar
fora da ponte e da vida;
nem conheço essa resposta,
se quer mesmo que lhe diga
é difícil defender,
só com palavras, a vida,
ainda mais quando ela é
esta que vê, Severina
mas se responder não pude
à pergunta que fazia,
ela, a vida, a respondeu
com sua presença viva.
E não há melhor resposta
que o espetáculo da vida:
vê-la desfiar seu fio,
que também se chama vida,
ver a fábrica que ela mesma,
teimosamente, se fabrica,
vê-la brotar como há pouco
em nova vida explodida;
mesmo quando é assim pequena
a explosão, como a ocorrida;
como a de há pouco, franzina;
mesmo quando é a explosão
de uma vida Severina.  


Diante da indagação se teria Hannah se tornado crente, Adler menciona uma enigmática e insistente homenagem que Hannah presta a Jesus: “O milagre que salva o mundo, a esfera dos negócios humanos, de sua ruína normal e natural é, em última análise, o fato do nascimento, no qual a faculdade de agir se radica ontologicamente. (...) Esta fé e esta esperança no mundo talvez nunca tenham sido expressas de modo tão sucinto e tão glorioso como nas breves palavras com as quais os Evangelhos anunciaram a boa nova: ‘Nasceu uma criança entre nós’...”. 

Sal da Terra em Terras dos Brasis (Rev. Wadislau Martins Gomes)

“Como vemos e somos vistos na cultura brasileira” é o subtítulo deste maravilhoso livro de missiologia, mas não de uma missiologia “departamental”, estanque ou vista como “um braço da Igreja”. A Igreja é Missão! Missão é a própria Igreja! A partir destas premissas o livro procura relembrar à Igreja qual, afinal, é a missão que Deus lhe confiou.

Fugindo, portanto, dos mitos e lugares-comuns da atual missiologia, cada vez mais contaminada por um viés ideológico, Rev. Wadislau expõe a idolatria do “ide” que tem levado a obra missionária a um pragmatismo, ora romântico, ora triunfalista, do “ir” cada vez mais longe, enquanto que a Igreja Local se distancia do ensino bíblico de que muito mais importante do que simplesmente “ir” é  COMO “ir” e, mais do que nunca, acho que posso dizer isso após a leitura deste livro, é preciso também que a Igreja aprenda a como FICAR.

Como professor de comunicação transcultural para missionários brasileiros, identifico que a energia investida para se comunicar com uma outra cultura tem sido inversamente proporcional ao esforço de se compreender a própria cultura brasileira na sua mais rica variedade étnica, social, etária e multicultural. E este livro, para mim, torna-se um bálsamo no meu projeto educacional de fazer com que o missionário entenda que se ele não aprender a fazer uma leitura mais correta e mais precisa das relações humanas dentro de seu próprio país, dificilmente ele aplicará as ferramentas da comunicação na cultura-alvo. É um livro que trabalha com a farta literatura nacional brasileira e ensina o leitor-missionário a ser sensível à voz artística do nosso povo em todas as suas expressões. Essa produção artística precisa ser levada em conta no campo transcultural, pois a música, a poesia, os mitos, a pintura, a escultura e, entre tantas outras coisas,  até mesmo a produção acadêmica dos próprios nacionais – aprender a ver como eles veem a si mesmos –  tudo isso nos ensina a compreendê-los. Mas, antes de tudo, defendo que é aqui em sua própria cultura, país e língua que o missionário transcultural precisa fazer o dever de casa de treinar o que pretende fazer "lá fora".   

A missão da Igreja é glorificar a Deus aonde quer que ela se encontre. A Igreja não é chamada para um lugar, mas para brilhar aonde quer que esteja. Missão é evangelização e evangelização é cumprir a missão dada por Deus à Igreja.  A evangelização não pode estar desassociada do discipulado, de caminhar junto, de andar lado a lado com a pessoa que Deus tem posto para ouvir, ver e compreender da nossa boca e da nossa vida a beleza evangélica da mensagem salvadora. Aliás o tema da beleza perpassa toda a exposição do Evangelho feita nas 551 páginas desta obra que, muito mais do que ser lida, precisa ser estudada. E esta mensagem evangélica total deve atingir totalmente a vida do evangelizado. Os subtemas abundam diante dos olhos do leitor: “Beleza ou feiura são coisas do coração”, “O ambiente da vida cristã: a beleza de Cristo na face da Igreja”, "Cristo em nós e nós em Cristo: um ambiente de beleza”, etc. Destarte, para que isso ocorra, é necessário que o trabalho evangelístico da igreja se veja como uma ação de aconselhamento, pois “evangelização é aconselhamento e aconselhamento é evangelização”.

Eu e você, Igreja do Senhor, precisamos retornar ao Evangelho e compreendermos “as novas do Reino” (parte 1), que precisam ser manifestadas ao outro por meio de uma “fé arrependida”, que caminha diariamente em santidade, e apresenta as bases claras do Reino (parte 2) sem evangeliquês e firmadas, numa exegese correta, sobre o texto de Mateus da Grande Comissão. O programa de avanço missionário da Igreja é a própria vida diária da Igreja aonde quer que ela esteja, por isso é preciso voltar aos temas da natureza da Igreja, seu propósito, finalidade e vocação. Sem um correto entendimento do que é Igreja, corremos o risco de nos perdermos na nossa relação com a cultura secular e condenar-mo-nos também a uma visão ideológica da ação social (parte 4).

Por fim, Missão é instrução, comunhão, adoração e serviço. Sua mensagem deve ser cristocêntrica, pregar a obra completa de Cristo, sua encarnação, sua vida de obediência, a morte vicária, ressurreição e ascensão!



“Sal da Terra em Terras dos Brasis” ainda nos presenteia com um estudo muito bem colocado acerca dos dons do Espírito Santo, sua função e finalidade. Contudo o que, especialmente, chamou-me a atenção é a ênfase que o livro dá ao tema da comunicação, mas não qualquer comunicação, a nossa comunicação é evangelizadora! Além do tema da comunicação, surpreendeu-me encontrar na obra um verdadeiro “modelo” para multiplicação de Igrejas. Ora, missão não é fazer discípulos? Discípulos não formam igrejas? Igrejas não são plantadas para resplandecer no mundo a face de Deus? Então você encontrará neste livro um modelo de plantação de igreja desafiador para que nossas igrejas locais se multipliquem, ou melhor, sejam transplantadas!

Enfim, surpreende-me que a 1ª edição desse livro seja de 1984 (houve uma 2ª edição em 1999 e, posteriormente, uma 3ª aumentada e revisada no ano de 2014)! O que eu quero dizer é que as ideias que teriam amadurecido e evitado que a Igreja Brasileira tivesse cometido tantos equívocos nas últimas duas décadas estavam à disposição, mas será que ninguém leu este livro? Será que nossas lideranças, nossos seminários, nossos professores nunca tiveram acesso às exposições feitas aqui neste livro? Você deve ler este livro.

“Sal da Terra em Terras dos Brasis” é um livro que me assombrou por várias razões. Primeira, o autor foi meu primeiro pastor assim que fui regatado do Império das Trevas. Segunda, embora o autor tenha sido meu pastor por apenas 2 ou 3 anos, os temas sobre os quais escrevi e dei aula nestes anos todos, coincidem com os que li aqui nesse livro. O que me fez perguntar, durante a minha impactante experiência de leitura, se a influência do Rev. Wadislau foi tão marcante em mim a esse ponto! Terceira razão, a leitura deste livro me serviu não apenas para confirmar que muitas das coisas que vinha defendendo são realmente bíblicas (embora nem sempre aceitas pelas igrejas de hoje em dia), mas serviu-me também para proteger-me de certos desvios que, com a leitura desse livro, consegui perceber na relação Igreja-comunicação-cultura. A quarta razão é poder voltar a ter mais contato com o Pastor Wadislau e sua esposa, a Elizabeth. Por todas essas razões quero não apenas indicar a leitura deste livro, mas trazê-lo à sala de aula das EBDs e Seminários, pois seus temas e exposições são urgentes para a Igreja Brasileira de Fé Reformada, para que alcancemos o prumo certo no tratamento correto do tema de missiologia.      

Estou convencido de que este livro é fundamental para qualquer pastor de Igreja e para aquele missionário que você acompanha e ora por ele. Sem sombra de dúvida, você estará fazendo o melhor investimento possível no ministério de nossos pastores e missionários presenteando-os com esta obra riquíssima. Onde encontrar este livro para comprar? Basta clicar aqui: Editora Monergismo! 

Uma Curva no Rio








V. S. Naipaul
Companhia das Letras
320 Páginas


"O muçulmano Salim é um imigrante indiano que se estabelece num país africano recém-desocupado pelos colonizadores britânicos. Protagonista e narrador de Uma curva no rio, ele assiste à lenta degradação dessa sociedade depois que o Grande Homem, um líder populista e corrupto, assume o poder.
Atrás do balcão de seu armazém, num lugarejo imaginário localizado na curva de um rio, na Costa Leste da África, Salim testemunha o destino dos vários personagens que habitam a região: a "bruxa" Zabeth e seu filho Ferdinando, o padre católico, o intelectual branco da cidade e sua sofisticada mulher.
Comparado a O coração das trevas, de Joseph Conrad, Uma curva no rio examina com muita ironia o impacto da herança colonial e do fervor nacionalista no interior profundo do continente africano. O autor explora as contradições do contexto social e político da África pós-colonial por meio de um microcosmo que ilustra a dificuldade dos povos africanos em criar uma identidade coesa e forte."

Caixa de Pássaros [**]









Josh Malerman
Editora Intrínseca
272 Páginas


"Romance de estreia de Josh Malerman, Caixa de pássaros é um thriller psicológico tenso e aterrorizante, que explora a essência do medo. Uma história que vai deixar o leitor completamente sem fôlego mesmo depois de terminar de ler."



O Caniço Ferido








Richard Sibbes
Editora Monergismo
116 páginas


"Desde sua primeira publicação em 1630, “O Caniço Ferido” tem sido notavelmente frutífero como fonte de ajuda e conforto espiritual."

"Não há introdução melhor aos puritanos do que os escritos de Richard Sibbes, que é, em muitas maneiras, um puritano típico. “Sibbes nunca desperdiça o tempo do estudante”, escreveu C. H. Spurgeon, “ele espalha pérolas e diamantes com ambas as mãos”.


O Longo Adeus [***]







Raymond Chandler
Editora Objetiva
400 Páginas


"Terry Lennox poderia ter a vida ganha. Ex-veterano de guerra, casou-se com a milionária Sylvia Potter e não precisaria mais se preocupar com nada desde que fechasse os olhos para a devassidão escancarada da mulher. Ele, no entanto, se afunda na bebida. É assim que Philip Marlowe o encontra — caído, inconsciente —, e a partir daí ambos criam um estranho laço de amizade. Quando Lennox lhe pede para fugir do país em circunstâncias misteriosas, Marlowe aceita ajudá-lo, mas aos poucos se vê enredado a uma elite poderosa e desajustada de escritores alcoólatras e mulheres fatais, que fará de tudo para encobrir os próprios crimes.
Publicado em 1953, O longo adeus é a obra mais ousada e desafiadora de Raymond Chandler. É, nas palavras de Ricardo Piglia, 'talvez o melhor romance policial que já se escreveu'”.

Ruído Branco [***}







Don DeLillo
Companhia das Letras
320 Páginas

"Ruído branco, o oitavo romance de DeLillo, é a história de um professor universitário que vive com a família no Meio-oeste americano, numa cidadezinha que é evacuada depois de um acidente industrial. À luz de desastres como o da Union Carbide na Índia, que matou mais de duas mil pessoas e feriu outras milhares (e que acabara de ocorrer quando o livro foi publicado), Ruído branco mantém seu sentido atual e aterrorizante"

A Palavra não Escrita





Depois de seis anos, escrevendo o meu primeiro livro de poesias, acabou de sair a publicação de "A Palavra Não Escrita". Ele não é fruto unicamente do meu esforço, mas de muitas outras pessoas, algumas delas não tive o prazer de conhecer, mas auxiliaram na minha formação o suficiente para que a obra viesse a lume. 

Em especial, queria agradecer ao amigo e irmão Sammis Reachers, do Poesia Evangélica, que empreendeu um trabalho primoroso, dedicado e não remunerado, para fazer a edição e a arte (e se recusou a ter o nome incluído nos créditos). 

Por isso, nada melhor do que deixá-lo falar, transcrevendo, a seguir, o prefácio que ele gentilmente elaborou para o meu livro. Uma honra e tanto!

A todos que participaram direta ou indiretamente na realização dessa obra, o meu sincero e muito obrigado.

Em especial a Cristo, sem o qual não haveria motivação e força para concluí-lo!

A ele, toda honra e glória!

PS: Baixem, leiam e divulguem o livro, gratuitamente!

Ele pode ser acessado na página do Poesia Evangélica
Ou
No site Monergismo, do amigo e irmão, Felipe Sabino. 
Ou, 
ainda, no Internautas Cristãos, do também amigo e irmão Tiago Knox.


PREFÁCIO

"A poesia de Jorge F. Isah nasce carregada de enlevo hermético. Como os mestres hermetistas italianos do século XX (Montale, Quasimodo, Ungaretti), a cada poema de Jorge somos confrontados pelo toque da Esfinge, “decifra-me ou te devoro”, e mais, “decifra-me e devora-me”: que maior convite pode fazer um poeta, pode propor um poema?
  
E Jorge avança, como alfarrabista de palavras que é, como artista ora cônscio, ora febril, a estabelecer seus mosaicos na tabula rasa do papel; sua arte nunca é superficial, nunca é simplória: ela não solicita, mas é uma onda densa que arrasta, desperta e conclama ao mergulho em suas torrentes verbais. Exige a atenção, engaja e transveste seus leitores no tensionado herói Teseu, cuja atenção freme ululante enquanto avança pelo labirinto - cujas bifurcações vão se adensando a cada quadra. O prêmio para aquele que perseverar está ao fim do labirinto, embora feito da soma de suas partes: o gozo silencioso da celebração poética, o graal misterioso e assaz buscado, o pequeno êxtase quase epifânico (pois a poesia tem e terá sempre - quem a furtará? - algo de religião, de religação com o divino) que só a verdadeira arte pode inocular nas veias da alma. 

Este A Palavra Não Escrita é um manjar pleno para o verdadeiro apreciador de poesia, posto em salvas de prata onde o leitor sorverá a multiplicidade de percepções do autor, cujos versos transitam das elucubrações de sua alma às mazelas da sociedade, do fulgor metapoético, da poesia que se dobra sobre si mesma, à louvação dAquele que é a fonte matricial de toda poesia, justiça e beleza.  

Uma jornada com poder de transformar percepções, cujo arco tensionado se estende do álacre ao pungente: esta é a proposta de Jorge Isah neste seu elaborado labirinto."
   Sammis Reachers

Moby Dick








Herman Melville
Editora LandMark
528 Páginas



“Moby Dick” foi escrito pelo escritor norte-americano Herman Melville e publicado originalmente em três fascículos com o título “A Baleia”, em Londres, em 1851, e ainda no mesmo ano em Nova York em edição integral. Somente a partir de sua segunda edição que ganha seu título definitivo, “Moby Dick”.

A obra foi inicialmente mal-recebida pela crítica literária, assim como pelo público, mas com o passar do tempo tornou-se uma das mais respeitadas obras da literatura em língua inglesa. Inspirado pelas experiências pessoais do autor e por outros acontecimentos que marcaram o período, Moby Dick representa, além de uma complexa narrativa de ação, uma profunda reflexão sobre o confronto entre o homem e a natureza, ou segundo alguns especialistas, entre o homem e o Criador, reforçada pela ‘universalidade’ dos tripulantes do navio “Pequod”, o que sugere uma representação da Humanidade. Obra de profundo simbolismo, inclui referências a temas diversos como religião, biologia, idealismo, pragmatismo e vingança..." Continue lendo a sinopse aqui

A mitologia grega - Pierre Grimal

O mito, vai dizer Aristóteles na Poética, é “o princípio e como que a alma da tragédia”. “Mythos” é usado pelo filósofo em dois sentidos: 1) a narrativa, a história, o enredo bem engendrado, conectado, construído; e 2) no sentido da coleção de histórias, lendas e folclores deixados pela tradição e trabalhados artisticamente pelo poeta como fonte das tragédias e epopeias.  Assim, nada mais fascinante do que lermos o livro do historiador Pierre Grimal amarrando as narrativas da mitologia, apresentando-as conectadas e desenvolvidas numa ordem para o prazer da nossa leitura e compreensão desses mitos.

  E uma das tantas qualidades desse pequeno livro é o de demarcar a diferença e semelhança, o fluxo e o refluxo dessa linguagem: o mytho e o logos. Nessa delimitação, cresce, diante dos nossos olhos, a beleza do Cristianismo, enquanto logos, e a beleza das narrativas gregas, enquanto mito. “O mito se opõe ao logos como a fantasia à razão, como a palavra que narra à palavra que demonstra. Logos e mythos são as duas metades da linguagem, duas funções igualmente fundamentais da vida do espírito”, diz Grimal.

   Assim, no ambiente do mito, este é atraído por aquela parcela do irracional (ou atrai a ela) e é aparentado de toda arte, em todas as suas criações. Daí, para Aristóteles, o poeta (e todo artista) ser um imitador e um imitador das ações e daí a tragédia erguer-se como aquele veículo da mimese por excelência, em que o poeta ensinará ao público as virtudes reveladas pelo seu trabalho artístico com o mito. E teremos prazer em aprender com os poetas, porque aprender dá prazer, mas aprender com poetas melhores as virtudes que eles nos ensinam em sua arte é prazer maior ainda.

     Após traçar um encadeamento dos mitos gregos, na parte final de seu livro, Grimal irá questionar a maneira que durante a história tentaram se aproximar dessa mitologia. Desde uma abordagem “desmitológica” nos séculos XVIII e XIX, em que se retira todo o maravilhoso para tentar encontrar apenas o que de fato ocorreu, até um agrupamento por meio de um “método comparativo”, pelo qual se tenta agrupar mitos do mundo todo a partir de seus temas comuns. Mesmo nas perspectivas mais recentes em que se sociologiza ou se psicologiza os mitos, até nisso Grimal vê uma abordagem incompleta, infeliz e que retira dos mitos aquilo que eles têm de mais específico.

      A conclusão particular a que chego após um encontro tão prazeroso com o livro de Grimal é que os mitos, enfim, mais do que suportes para esquemas de uma sociologia ou psicologia coletivas, revelam-se receptáculos de nossas próprias e inefáveis experiências individuais. Este é o segredo e a chave do mito.  

       Para a resenha completa do livro, basta clicar aqui. Boa leitura!

Poética - Aristóteles

Decididamente, se eu fosse professor de “exegese do NT” ou “metodologia do NT”, eu iniciaria meus alunos pela "epopeia dramática" que é a tradução do livro "Poética" de Aristóteles: um texto cheio de lacunas, de inserções posteriores, palavras diferentes com o mesmo sentido, sentidos diferentes para uma mesma palavra, inúmeras contradições entre os tradutores, outras tantas mais divergências sobre o que, de fato, o filósofo queria dizer, etc.

Toda essa "tragédia" da Poética, um texto que sempre gozou de imensa autoridade na cultura Ocidental, só confirma a qualidade superior e indiscutível dos textos finais traduzidos a partir do nosso tão bem documentado aparato crítico que trouxe a Bíblia até nós. As traduções bíblicas que temos em mãos estão anos-luz mais seguras historicamente do que a maioria (senão de todas) das traduções dos textos dos filósofos da Grécia Antiga.

Em outras palavras, há muito mais testemunhos (documentos) nos quais se basear a qualidade de nossas traduções e confirmar a fidedignidade de nossos textos e, por consequência, de nossas doutrinas do que o que encontramos diante, por exemplo, da Poética de Aristóteles. Simples assim.

         Só a chegada da obra até nós já se constitui uma aventura histórica e exegética. Para se ter uma breve ideia, apenas em 1911 houve uma tradução do árabe para o latim de uma versão (a mais antiga que se tinha), constituída apenas do capítulo VI da Poética, datada da metade do século IX. Na verdade, graças ao mundo árabe islâmico, que houve a difusão da filosofia grega no mundo Ocidental: é o chamado “aristotelismo islâmico” (ver aqui). Em 1930, houve a descoberta de uma versão em latim datada de 1278. Todavia, foi graças ao Renascimento iniciado na Itália no século XIV e suas traduções italianas da Poética que a obra pode influenciar o mundo Ocidental. Assim, todo o aparato crítico à obra foi desenvolvido nos séculos XVIII e XIX e poderíamos tratar desse assunto por muitos e muitos artigos, mas não é esse o foco de nossa Bibliotheca.

         Uma obra controversa desde o seu título (qual, de fato, seria a melhor tradução) até sua natureza (é um livro ou apenas uma série de anotações para as aulas no Liceu?), um dos motivos pelos quais a obra ficou muitíssimo conhecida do público em geral foi graças a um outro livro: “O nome da rosa”, de Umberto Eco. Sobre isso, porém, tratarei depois numa resenha que farei sobre o livro de Eco.

         Há muitíssimos outros pontos interessantes sobre a Poética, particularmente da maneira como estamos desenvolvendo nossas resenhas e estudos para a nossa Bibliotheca. Uma das questões interessantes seria se indagar se a Poética é uma resposta de Aristóteles a Platão. A razão da expulsão dos poetas da sociedade perfeita platônica descrita na República está diretamente relacionada com o tema principal da Poética: a mimese. E esta une-se, indelevelmente, ao tema do símbolo, pois a mimese é a imitação e, segundo Aristóteles, todas as artes são miméticas, isto é, são representações da realidade. 

         No resumo completo da obra quero apresentar os temas da Poética: basta clicar aqui! No mais, uma obra fascinante e que, dentre tantas coisas, despertou-me o desejo de reler as tragédias do Teatro Grego, que foram tão trabalhadas pelo filósofo neste que é considerado o primeiro grande manual de crítica literária que temos conhecimento. Boa leitura!

A Palavra Não Escrita







Jorge F. Isah
Kálamos Editora
160 Páginas





Depois de seis anos, escrevendo o meu primeiro livro de poesias, acabou de sair a publicação de "A Palavra Não Escrita". Ele não é fruto unicamente do meu esforço, mas de muitas outras pessoas, algumas delas não tive o prazer de conhecer, mas auxiliaram na minha formação o suficiente para que a obra viesse a lume. 

Em especial, queria agradecer ao amigo e irmão Sammis Reachers, do Poesia Evangélica, que empreendeu um trabalho primoroso, dedicado e não remunerado, para fazer a edição e a arte (e se recusou a ter o nome incluído nos créditos). 

Por isso, nada melhor do que deixá-lo falar, transcrevendo, a seguir, o prefácio que ele gentilmente elaborou para o meu livro. Uma honra e tanto!

A todos que participaram direta ou indiretamente na realização dessa obra, o meu sincero e muito obrigado.

Em especial a Cristo, sem o qual não haveria motivação e força para concluí-lo!

A ele, toda honra e glória!

PS: Baixem (gratuitamente), leiam e divulguem o livro! Ele pode ser acessado na página do Poesia Evangélica
ou
No site Monergismo, do amigo e irmão, Felipe Sabino. 


PREFÁCIO

"A poesia de Jorge F. Isah nasce carregada de enlevo hermético. Como os mestres hermetistas italianos do século XX (Montale, Quasimodo, Ungaretti), a cada poema de Jorge somos confrontados pelo toque da Esfinge, “decifra-me ou te devoro”, e mais, “decifra-me e devora-me”: que maior convite pode fazer um poeta, pode propor um poema?
  
E Jorge avança, como alfarrabista de palavras que é, como artista ora cônscio, ora febril, a estabelecer seus mosaicos na tabula rasa do papel; sua arte nunca é superficial, nunca é simplória: ela não solicita, mas é uma onda densa que arrasta, desperta e conclama ao mergulho em suas torrentes verbais. Exige a atenção, engaja e transveste seus leitores no tensionado herói Teseu, cuja atenção freme ululante enquanto avança pelo labirinto - cujas bifurcações vão se adensando a cada quadra. O prêmio para aquele que perseverar está ao fim do labirinto, embora feito da soma de suas partes: o gozo silencioso da celebração poética, o graal misterioso e assaz buscado, o pequeno êxtase quase epifânico (pois a poesia tem e terá sempre - quem a furtará? - algo de religião, de religação com o divino) que só a verdadeira arte pode inocular nas veias da alma. 

Este A Palavra Não Escrita é um manjar pleno para o verdadeiro apreciador de poesia, posto em salvas de prata onde o leitor sorverá a multiplicidade de percepções do autor, cujos versos transitam das elucubrações de sua alma às mazelas da sociedade, do fulgor metapoético, da poesia que se dobra sobre si mesma, à louvação dAquele que é a fonte matricial de toda poesia, justiça e beleza.  

Uma jornada com poder de transformar percepções, cujo arco tensionado se estende do álacre ao pungente: esta é a proposta de Jorge Isah neste seu elaborado labirinto."
   Sammis Reachers

O poder simbólico - Pierre Bourdieu

Tudo é exploração no mundo de Bourdieu e não há nada que seja mais marxista do que isso. Qual a diferença então na análise reducionista dele? É a de demonstrar como que, em meio a luta entre a classe dominante e a classe dominada, esta contribui não somente para ser explorada, mas, até mesmo, pratica uma autoexploração, aceitando os papéis sociais e encaixando, adaptando o seu ser a esses papeis de sua existência profissional, transformando-o e identificando-o com sua profissão, por exemplo.

Evidentemente, para trazer algo de “inovador” para sua análise marxista, o autor se vale de três estratégias: 1) a extensão da sua crítica, que se dá desde uma reflexão sobre o papel e o objeto da própria sociologia, passando pelos conceitos de história reificada e história incorporada, a definição do conceito de região e o papel desta na construção da identidade, a gênese da luta de classes e o conceito de espaço social, campo político, Direito, anomia e estética; 2) o questionamento crítico do próprio sociólogo-pesquisador; e 3) uma crítica ao próprio marxismo.

“O poder simbólico é, com efeito, esse poder invisível o qual só pode ser exercido com a cumplicidade daqueles que não querem saber que lhe estão sujeitos ou mesmo que o exercem”. O elemento de inconsciência também é importante na análise dele, pois, com sua análise estruturalista, elimina-se não só a vontade do indivíduo, mas também a vontade da instituição coletiva: tudo é uma questão de onde se está, qual a posição que se assume, o habitus, o campo, a região. As forças que regem o mundo não são humanas. São impessoais. “O poder está por toda parte”, para Bourdieu, é necessário saber descobri-lo onde ele se deixa ver menos. Daí a teoria dos símbolos, para Bourdieu, se dá exatamente porque o símbolo encobre o que, de fato, subjaz.

Duas tradições: de um lado, os sistemas simbólicos (arte, religião, língua) como estruturas estruturantes, subjetivas, que é a tradição neokantiana (seja na Europa, Humboldt-Cassirer (aquiaqui e aqui), seja nos Estados Unidos, Sapir-Whorf, especificadamente na linguagem), segue nesta mesma linha Panofsky e Durkhein. Este, contudo, transforma as formas simbólicas em formas sociais para fugir tanto do apriorismo e como do empirismo. Durkhein estabelece uma sociologia das formas simbólicas não as classificando como transcendentais (elas perdem o status de universais), mas como sociais (isto é, arbitrárias, pertencentes a um grupo particular e socialmente determinadas).  Do outro lado, os sistemas simbólicos como estruturas estruturadas, objetivas, que permitirão o funcionamento da análise estrutural como o instrumento metodológico para se entender a lógica específica de cada uma das formas simbólicas, todavia, não a partir de uma leitura alegórica, que transforma o mito em uma outra coisa, mas a partir de uma leitura tautegórica, que “não refere o mito a algo diferente dele mesmo” (veja que se perde a natureza transcendente do símbolo e faz-se uma leitura meramente imanente). Portanto, a tradição estruturalista (Saussure), ao contrário da neokantiana, que insisti no modus operandi das formas simbólicas, isto é, no seu aspecto positivo de instrumento do conhecimento e construção do mundo dos objetos, privilegia o modus operatum, as estruturas estruturadas, os objetos simbólicos – língua ou cultura, vs discurso ou conduta. Ex: a língua, sistema estruturado, ela é fundamentalmente tratada como condição de inteligibilidade da palavra, como intermediário estruturado que se deve construir para se explicar a relação constante entre o som e o sentido (Panofsky fará a distinção, no campo da obra de arte, entre iconologia e iconografia, que é o equivalente exato entre fonologia e fonética).

Pierre Bourdieu, falecido em 2002, é um dos autores mais requisitados na Academia das Ciências Humanas. Ele consegue analisar tanto de sociedades tribais como os cabila no Norte da África, tratando de sociedades que vivem à margem da modernização, abordando temas como aculturação, organização social e familiar, percepção do tempo e do espaço e sua maneira de ver o mundo, até sociedades modernas, aplicando e renovando os conceitos de antropologia, economia e sociologia, usando seu método homólogo de tratar o semelhante em meio às diferenças.

Apesar de todas as tentativas de renovo em Bourdieu, tentando ora se desvencilhar do neokantismo, ora do estruturalismo, buscando uma síntese entre os dois e o marxismo, mas marcando suas insuficiências também, o autor repete as mesmas velhas críticas ao capitalismo e ao cristianismo ainda que sob uma roupagem nova e uma linguagem simbólica.

Para acessar a resenha completa da obra, clique aqui. O blog "Bibliotheca de Semiótica" pretende ser um banco de resenhas para interessados e missionários que trabalham com outras culturas. Assim, é característica da "Bibliotheca" que, durante os resumos dos livros, eu faça comentários sobre as ideias do autor, concordando ou refutando, para que o leitor possa encontrar uma crítica e auxílio para a formação do seu próprio pensamento. Boa leitura!