Após a leitura, classificarei os livros assim:
Péssimo [0] Ruim [*] Regular [**] Bom [***] Muito Bom [****] Excelente [*****]

O Pastor Reformado e o Pensamento Moderno


Cornelius Van Til
Editora Cultura Cristã
216 Páginas


"De que modo a cosmovisão cristã poderá ser melhor proclamada e defendida? A fé cristã é com frequência ridicularizada. Diz-se que ela é contrária à ciência e contraditória. Atraentes substitutos são oferecidos, muitas vezes, disfarçados com palavras da Escritura.
Como poderá o pastor guiar seu rebanho em meio a tanta confusão? Ele precisará distinguir a verdade do erro. Necessitará, especialmente, habilitar-se para discernir se os livros que lê, e os que o seu povo lê, atêm-se ao cristianismo histórico. Precisará saber como avaliar suas razões.
Por isso este livro é indispensável".

6 comentários:

Jorge Fernandes Isah disse...

Van Til, ao citar Calvino, nos avisa que a criação somente pode nos revelar o Criador, não pode nos dar o conhecimento de Deus. Ele usa o exemplo do Sol em relação às lâmpadas: Será que para ver o Sol é preciso olhar as lâmpadas? Ou antes o Sol revela a sua luz e, a partir dela, todas as outras são derivadas? Da mesma forma, buscar o conhecimento de Deus a partir da criação é impossível; antes, para se conhecer a criação é-se necessário o conhecimento do Criador.
Por isso, não creio que a revelação natural possa levar o homem ao conhecimento de Deus; a natureza nos revela tão somente que há o Criador, mas não nos fornece muito da sua natureza, além do seu todo-poder. Foi o que escrevi, mais ou menos, no texto: "Revelação: O Deus irredutível - Parte 1", cujo link pode ser acessado em http://kalamo.blogspot.com/2011/02/o-deus-irredutivel.html

Jorge Fernandes Isah disse...

A discussão parte para o seguinte ponto: se ao ver de Tomás de Aquino, a revelação natural ou geral, a partir da Criação, se pode ter o conhecimento correto de Deus, por que todos os homens não o conhecem?
Ponto 1: Aquino se baseia na capacidade das sensações, do intelecto humano para que o Deus seja conhecido.
2: Mesmo que a revelação divina [geral] não seja suficientemente clara, o possuí a capacidade de conhecê-lo a partir das habilidades intelectuais e do raciocínio.
3: Ou seja, o finito [homem] pode conhecer corretamente o infinito [Deus]. O que, em si mesmo, já se configura uma falha de dedução.

Penso que, se o finito pudesse compreender corretamente o infinito, ele mesmo se tornaria infinito.

O conhecimento que a criação nos dá de Deus é o do seu poder, majestade e glória. É-se possível também conhecer alguma parcela do seu amor e graça. O fato é que, sem a ação do Espírito Santo na vida do homem, regenerando-o, tornando-o possível compreender o infinito, ele jamais o poderá.

Jorge Fernandes Isah disse...

Pausa: lendo Eclesiastes 1.12-18, deparei-me com o assunto presente no início deste livro, e considerei procedente escrever o seguinte comentário:

Salomão nos diz que "na muita sabedoria há muito enfado", acontece que temos de entender o contexto ao qual o Pregador faz tal afirmação. A sabedoria, assim como os gnósticos e "pernósticos" a procuram, como algo que elevará o homem a um alto patamar, no qual se dissocia o louvor e a glória de Deus, simplesmente tornará todo o conhecimento em loucura, pois ele não cumpre o propósito para o qual Deus nos criou. Por isso ele nos diz que "tudo era vaidade e aflição de espírito".
Ao contrário, se o conhecimento tem como objetivo o louvor, glória e a sujeição a Deus [por isso o conhecimento da Escritura é necessário, já que sem ela não se é possível conhecer o caráter de Deus], ele sempre apontará para o Criador e Senhor das nossas almas.
Então, o conhecimento pelo conhecimento, somente trará enfado e o aumento da dor, já que ele não nos levará à verdade [Cristo], mas simplesmente nos colocará em um lugar onde, por mais que se conheça, permanece-se ignorante.
Se o conhecimento tem como princípio nos aproximar de Deus, a fim de nos tornarmos íntimos [e não há intimidade sem conhecimento], e para servi-lo, e assim, glorificá-lo e louvá-lo, certamente não haverá enfado nem dor, nem vaidade, pois ele sempre nos revelará a majestade do Senhor e nossa finitude e pequenez, fazendo-nos humilhar diante dele.
Este conhecimento é desejado, tanto de quem é o Senhor, como o que somos; e somente é possível pela revelação especial, a Bíblia Sagrada.

Jorge Fernandes Isah disse...

Entendo que a revelação natural, a despeito da ideia geral de que o homem pode tê-la suficiente para conhecer a Deus [e muitos advogam que Adão e Eva conheciam; porém, fica-me sempre a pergunta: até que ponto isso é verdade, se não foi suficiente para eles resistirem ao pecado, assim como Satanás e seus demônios, também?], no que não concordo.
Van Til, repetindo Calvino, parece reconhecer que o problema está no homem, na queda e no pecado que o impossibilitaram de conhecer a Deus pela revelação natural [o que é verdade]. Por isso, aprouve a Deus revelar-se pela Escritura.
Contudo, entendo que mesmo a revelação especial [a Bíblia], por si mesma, é impossível de fazer-nos conhecer a Deus. É preciso que a nossa mente seja regenerada, que a nossa mente seja "moldada" à mente de Cristo para que, somente então, tanto a revelação natural quanto a revelação especial sejam verdadeiras e tenham o significado objetivo de nos fazer conhecer a Deus.
Em si mesmas, elas são verdadeiras, não estou dizendo que elas são falsas. Mas, sem a mente de Cristo, afirmações, por mais simples que sejam tanto na criação como na revelação especial, simplesmente não serão objetivas e não terão nenhum valor prático para o homem. Será um conhecimento inútil; visto não nos levar a reconhecer a dependência completa que temos de Deus [ou seja, reconhecer a nossa míséria e pecaminosidade], nem reconhecê-lo como Senhor e Salvador [sem o qual permanecemos miseráveis e pecadores].
Sem o mover do Espírito Santo nos tornando em "novas criaturas", a velha criatura saberá e reconhecerá a existência de Deus; reconhecerá o seu poder e majestade; poderá reconhecer uma parcela do seu amor, justiça e bondade, mas jamais conhecerá o Deus vivo e verdadeiro como ele está revelado tanto em uma como na outra.
Portanto, discordo da conclusão de Calvino e Van Til de que o homem natural tem o inato contato com a verdade... pode até tê-la, mas ele está cego para apreciá-la como tal.
Paulo nos diz que os homens, "tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu" [Rm 1.21].
De fato, o apóstolo parece aludir para que o homem nasce com o conhecimento de Deus, o "sensus divinitatis", porém, tenho para comigo que esse "sensus" é o mero reconhecimento da sua existência, do seu poder e divindade. Ele não está a falar da natureza divina em seus outros múltiplos aspectos: santidade, justiça, amor, etc.
De qualquer forma, Paulo nos diz que Deus nos deu a se conhecer pelo seu Filho Jesus Cristo, o qual é a exata expressão da sua imagem; portanto, sem a Escritura [que nos revela o Filho], sem a ordem que o Espírito traz à mente caótica do homem natural, Deus é um enigma e não passa de uma impossibilidade para esse homem.

Jorge Fernandes Isah disse...

Ainda, no cap. 1, temos um diálogo interessante entre o Sr. White [cristão-reformado], o Sr. Black [ateu, incrédulo] e o Sr. Grey [cristão arminiano, calvinista moderado ou simplesmente evangélico].
O que se pode apontar é que:
1) Nenhuma exposição da fé cristã pode ser coerente e racional se não partir do pressuposto de que apenas Escritura a pode revelar. Se até mesmo a vida, a realidade e os fatos somente podem ser compreendidos a partir da revelação especial de Deus, por que muitos cristãos insistem em se utilizar de métodos humanos [sejam possibilidades filosóficas ou o empirismo, através de sensações ou experiência] para validar o Cristianismo?
2) Quando o crente se utiliza do evidencialismo [o empirismo e a argumentação pelos processos e métodos de pensamento do incrédulo] ele está negando a própria Escritura e aquilo que ela revela.
3) Agindo assim, o crente, simplesmente, não tem respostas para o incrédulo, e acaba por adequar a sua apologética ao pensamento incrédulo de tal forma que a sua tentativa de defesa na verdade é um ataque à fé cristã.
4) O pensamento que não seja pressuposto na Escritura é falacioso, cujos primeiros princípios são irracionais, pois baseados nas sensações, induçoes e intuições do homem natural, os quais estão corrompidos pela própria natureza humana, decorrentes da Queda.
5) Há outro componente interessante que pode ser visto pela forma como o Sr. Black refuta, ponto a ponto, o argumento evidencialista do Sr. Grey [ou o método apologético tradicional], o ouvinte ou interlocutor precisa ter fé no argumento evidencialista, visto que as provas apontadas pelo método não se encontram presentes, e precisam ser validades previamente para que todo os argumento não se desmorone antes mesmo de ser exposto.

Quando qualquer argumento em defesa da fé não se baseia na autoridade da Escritura, cuja autoridade se baseia na fidelidade da revelação divina, pois proveniente do próprio Deus, toda a tentativa apologética rui como castelos de areia.

E o mais interessante é que o crente mais ortodoxo em relação à doutrina cristã, como testemunho real da sua fé em Cristo [mesmo que seja um arminiano] terá de se utilizar do pensamento de liberais, sejam teólogos ou não, e do pensamento de ateus e ímpios para efetivamente validar aquilo que é santo e perfeito; comprometendo a clareza, suficiência e necessidade da revelação divina. E assim, o próprio conselho de Deus ao homem é desprezado como a causa primeira e última de tudo.
Vale uma lida com atenção nesse trecho, que pode nos revelar a completa impossibilidade de se defender a fé cristã à parte daquilo que Deus nos revelou ser, tanto em si mesmo como em relação a nós [criação], e à necessidade infalível do Redentor, Cristo, sem o qual ninguém verá a Deus.

Jorge Fernandes Isah disse...

Indico a leitura do meu texto no Kálamos, "Revelação: O Deus irredutível - Parte 1", em que analiso o fato de que a negação de Deus é a própria afirmação da sua existência. Como digo no trecho: "Na verdade, o ateu, ao se debater e se bater para provar a não existência do Criador, dá o testemunho secreto da alma de que ele existe. A prova está em como essa rejeição toma-o de assalto, de tal forma que ela preenche a sua vida tornando-o indissociável da idéia de Deus, ainda que negativamente. O objetivo passará a ser opor-se-lhe, com o empenho, dedicação e esmero digno de um adorador, porém um adorador disposto a destruir o objeto de adoração. Pois, em sua ignorância, ao negá-lo, nega-se a si mesmo".

O link é http://kalamo.blogspot.com/2011/02/o-deus-irredutivel.html