Após a leitura, classificarei os livros assim:
Péssimo [0] Ruim [*] Regular [**] Bom [***] Muito Bom [****] Excelente [*****]

Manual do Conselheiro Cristão



Jay E. Adams
Editora Fiel
432 Páginas


"Este segundo volume lançado por Adams, visa lidar com a prática do aconselhamento cristão, já que o seu primeiro livro é mais teórico e visava defender uma idéia.Dividido em três partes: a primeira fala das pessoas que estão envolvidas no aconselhamento. A segunda fala dos princípios básicos e pressupostos do aconselhamento e a terceira parte fala da prática e processo do aconselhamento"

6 comentários:

Jorge Fernandes disse...

Não li o "Conselheiro Capaz", o qual percebi, ao iniciar o "Manual", que deveria tê-lo feito primeiramentge. Como não possuo o livro, aventurei-me neste a despeito do alerta.
Para começar, o Dr. Jay Adams faz colocações, no mínimo, pouco usuais para os padrões cristãos de hoje (ou seriam padrãoes não-cristãos?), tornando essas afirmações pontos conflitantes, para não dizer, polêmicos.
Vejamos alguns que são expostos já no início:
1)O aconselhamento deve ser uma prerrogativa de qualquer crente, mas, sobretudo, ele tem de vir sob a autoridade investida por Cristo e a Igreja; portanto, segundo Adams, é função primordial dos pastores, os quais são preparados escrituristicamente para tal, e outorgados por Deus e a Igreja para cumprirem essa missão, como vocação especial.
2)O papel de conselheiro sempre foi uma função pastoral, contudo, do último século para cá, tem sido adotado secularmente por profissionais da área médica; e, ao ver do autor, os médicos devem se ocupar exclusivamente com os problemas orgânicos, ou seja, com a saúde física do homem. Assim, "não há lugar, no esquema bíblico, para o psiquiatra como médico de especialidade separada. Essa casta, que a si mesmo se nomeou, veio à existência ante a expansão do guarda-chuva médico a fim de incluir as doenças inorgânicas (qualquer que seja o seu sentido)" (pg 22).
Ao investirem-se de prerrogativas as quais não lhe cabem, como as do psicólogo e psiquíatra, eles deixam de cumprir verdadeiramente a sua missão para tornarem-se em ministros seculares, metade médico (uma parte insignificante) e metade sacerdote secular (uma parte avantajada), corrompendo todo o objetivo do aconselhamento, e por conseguinte, da medicina. Até porque, muitos vêem o aconselhamento como uma forma de não-aconselhamento, relativista, em que o aconselhado é estimulado a falar ao invés de ouvir, onde não se busca o resultado objetivo (no caso do crente, a santificar-se e amoldar-se a sua imagem à de Cristo).
A função do conselheiro é a de, com sabedoria e ensinamento bíblico, orientar o aconselhado a abandonar as práticas que lhe são nocivas, notadamente as práticas anti-cristãs, pecaminosas.
3)No mundo onde a secularização da igreja se faz presente cada vez mais, o autor prega a suficiência exclusiva da Escritura como o manual de aconselhamento. O conselheiro não pode jamais prescindir da Bíblia, e todo o seu conselho deve-se basear apenas nela. Então, o Espírito Santo é a pessoa mais importante no aconselhamento, como aquele "Conselheiro" ao qual Cristo falou que o Pai nos daria assim como Ele fizera aqui no mundo. Cristo chamou o Espírito de Espírito da verdade, sendo "Aquele que é a fonte da verdade e que nos conduz à verdade" (pg 20). Sua obra visa a santidade do crente, e esta é a obra que Ele opera sobre a Igreja através da Palavra, e que deve ser completamente atribuida a Ele.
O conselheiro que ignorar o Espírito Santo ou evitar o uso da Escritura no aconselhamento está em um ato de rebeldia autônoma.

Aparentemente, Dr. Adams estabelece seus argumentos como algo estritamente voltado ao cristão, ao crente. Não sei se esse padrão de aconselhamento seria também destinado aos incrédulos, o que, ao meu ver, seria igualmente eficiente e aprovado; da mesma forma que a Lei Moral deve ser instituída para toda a sociedade, como forma de estabelecer a justiça divina, mesmo entre os não-crentes (pois a Justiça de Deus está sobre todos, crentes e não-crentes; pela qual o eleito será justificado em Cristo, e o reprovado, sem Cristo, condenado).
O presente livro, ao menos no início, parece especialmente revelador, e direcionador ao comportamento correto que a Igreja tem o dever de ter no aconselhamento, no discipulado cristão.
Infelizmente, essa prática tem sido negligenciada, e os ministros têm transferido-as ao tratamento secular, que, no caso do crente, em nada o auxiliará, pelo contrário, o manterá preso às cadeias que os escravizam e subjugam.

Jorge Fernandes disse...

Jay Adams bate repetidamente na mesma tecla: de que à parte da Escritura é impossível qualquer mudança ou cura espiritual.
O homem poderá se debater e se bater com diversas metodologias, desde as pretensamente mais científicas até as não-científicas; porém, sem que se creia nas orientações da Bíblia, a mudança mais radical, o novo nascimento, é inatingível. Essa condição somente é possível pelo poder do Espírito Santo o qual nos predispõe, transformando a antiga natureza em uma nova natureza, para que sejamos capazes de seguir o Seu norteamento.
Desta forma, o não-crente somente terá uma esperança viva e verdadeira se, pela operação divina, converter-se à fé no Evangelho de Cristo.
De outra forma, andará em círculos, amenizando aqui e acolá seus problemas, que "volta e meia" retornarão, sem que haja uma solução. São placebos sem nenhuma eficácia, o mesmo que tomar comprimidos de açúcar (que podem matar ao invés de curar, se a pessoa for diabética, p.ex).
Outra posição do Dr. Adams é a da necessidade de confrontação com o cliente (a utilização do termo se dá pelo fato do Dr. não ver o aconselhado como paciente). Enquanto ele não souber claramente qual é o seu problema, e esse problema não for tratado através do arrependimento e do perdão (sobretudo o arrependimento diante de Deus para receber o Seu perdão); confrotado pela sua natureza caída e a de seus semelhantes (a impiedade humana), diante da graça divina, esse homem será um homem sem esperança.
Ao contrário, se tiver a mente de Cristo, e for inundado por ela, aprenderá a viver uma vida relativamente desprovida de raízes neste mundo, e isso será uma imensa alegria, pois viverá como se peregrino e estrangeiro fosse.
Como definiu o autor: "Toda mudança prometida por Deus é possível. Toda qualidade requerida por Deus, da parte de Seus filhos remidos, pode ser atingida. Deus supriu cada recurso para tanto necessário... sua pátria está nos céus (FP 3.20), e, por isso, há esperança de alegre mudança no aconselhado pela graça de Deus" (pg. 40)

Jorge Fernandes disse...

A mudança na crença do que é o homem a partir de conceitos "mascarados" pelo próprio homem, como a sua bondade inerente, a sua animalidade inerente, a sua irresponsabilidade inerente, a relatividade das relações e da moral, tornam em infrutíferas, perniciosas e catastróficas a metodologia humana para se tratar os desvios e os problemas espirituais (inorgânicos).
A abordagem não-cristã é inútil e apenas escravizará o "doente" numa espécie de redoma que o próprio método o direcionará e aprisionará.
Por exemplo, existe a abordagem do conhecimento do especialista (freudianismo) em que o aconselhamento somente deve acontecer por métodos e técnicas apropriadas(segundo eles). Nela os problemas são resultados dos eventos externos ocorridos na vida do cliente, o que retira do cliente qualquer responsabilidade, pois os fatores que o levaram ao problema decorrem das ações de outras pessoas. Interessante que esse método tende a "inocentar" o cliente e a culpabilizar quem vive ao seu redor.
E assim, o indivíduo vive num círculo vicioso onde a culpa dos seus problemas se deve à socialização deficiente, onde o cliente sempre será a vítima de outras pessoas do seu passado (ou mesmo do presente). E isso o levou a uma consciência rígida (superego), a qual se encontra em conflito com os seus desejos normais (id), levando-o às dificuldades na vida.
Portanto, o perito terá de desfazer aquilo que os outros fizeram, reverter esse quadro pela psicanálise, retrocedendo ao passado do cliente, fazendo-o reviver pessoas e situações desagradáveis, a fim de torná-las, durante as sessões, agradáveis, reestruturando o sistema de valores do aconselhado. Esse método é longo e está envolto em um emaranhado de especialização que torna o psicanalista em uma espécie de "super-homem" com todos os poderes sobre o cliente. Ele cria uma dependência e um vínculo que impedem o paciente até mesmo de decidir sobre si mesmo, pois, muitos são internados por ordens do perito.
Da mesma forma, ainda que o padrão seja diferente, o behaviorismo de Skinner, se posiciona como a escola de modificação comportamental baseada no empirísmo. Para eles, o homem é apenas um animal, e, por isso, produto do seu meio ambiente. Novamente, temos uma causação externa ao cliente. Ele não é culpado por seu comportamento nocivo, o qual é somente consequência do seu convívio social.

Continua...

Jorge Fernandes disse...

Continuação...

Para Skinner, falar ao menos em responsabilidade é uma insensatez. "A solução aventada por Skinner consiste em descobrir cientificamente as contingências relacionadas à conduta "deficiente" (todos os julgamentos de valores fazem parte da mitologia), para então, com base nos informes obtidos, reagrupar as contingências ambientais, a fim de reprogramar as reações do paciente. Isso é feito mediante o uso de recompensas e controles que provoquem a aversão" (pg 85).
Desta forma, o método utilizado não é o da confrontação bíblica, mas o da manipulação, ao qual muitos aconselhadores cristãos se submeteram (p.ex., Dobson).
Para ele, o homem é tão destituído de valor quanto qualquer animal; e assim, podem fazer do homem qualquer tipo humano desejado, começando pela manipulação genética e então estabelecendo as contingências ambietais desejadas. Desta forma, o objetivo é o de criar rebanhos, como gado. Mas, mesmo entre peritos tão obstinados, não há unidade, e determinar o que quer que fosse seria impossível, visto não terem valores fixos, nem padrões, pois tudo é relativo.
Da mesma forma outras abordagens seguem o mesmo padrão de controlar, dominar e aprisionar os clientes aos seus métodos. Não há desejo real de libertá-los.
Sem o uso das Escrituras, sem a conversão, sem o arrependimento, sem que o Espírito Santo atue no homem, sem a santificação, sem a confrontação bíblica, sem que a criança seja ensinada nos caminhos do Senhor, todos esses métodos se tornam em uma louca prisão, onde o cliente não obtém cura, e necessita constantemente estar "conectado" ao especialista e sua metodologia, sem que muitas vezes se saiba exatamente o que ele tem, nem como "curá-lo".
Uma boa dica de série televisiva é Monk, cujo personagem sofre de transtorno compulsivo e se mete em hilárias situações (ainda que a série faça da psicanalise uma "válvula de escape"; porém, de onde o personagem não consegue escapar e se mantém completamente dependente, preso ao método).
Novamente, Dr. Adams se posiciona frontalmente contra os métodos anticristãos, os quais, perpassados por técnicas esotéricas, obscuras, não revelam a verdade do paciente, nem o colocam em contato com a realidade, sua e do mundo em que vive. Pelo contrário, eles o transportam para um mundo paralelo, onde não há solução, apenas contemporização e uma cura intangível.

Jorge Fernandes disse...

Com o alicerce sólido [a Escritura] o crente poderá erguer uma metodologia cristã coerente com o alicerce.
O incrédulo sempre distorcerá esses aspectos com seus pecados e sua posição não-cristã de vida. Porém, o conselheiro cristão poderá trazer à luz a verdade obscurecidamente refletida pelo incrédulo a partir dos princípios e metodologia bíblicos.
Ele jamais deverá buscar e incorporar a esses princípios e metodologia elementos alheios e antibíblicos.
Técnicas que aparentemente são eficazes somente o distanciarão ainda mais da eficiência escriturística.
Infelizmente, o eclético e o cristão "moderno" (diga-se pragmático e liberal) partem da premissa de que não existe base bíblica que sirva de alicerce, e, invariavelmente, pegarão tudo de que dispoem à mão para tentar construir algo que funcione, mas que ao final, será apenas um trabalho sem resultados verdadeiros.
Na ânsia de se obter resultados a qualquer custo, esquece-se de que há somente um caminho que o assegurará: a sabedoria e o conhecimento bíblico com o qual o homem é transformado à imagem de Cristo.
O crente não pode agir assim, como alguém que ao final não tem nada, quando Deus lhe deu tudo, tanto o alicerce como os materiais a fim de construir um sistema bíblico.
O pressuposto principal é o da inspiração divina da Escritura, a qual tem o poder de:
1) Ensinar, estabelecendo normas de fé e de vida.
2) Repreender, mostrando de modo convincente aos crentes que errarem, que estão vivendo no erro.
3) Corrigir, endireitar novamente a partir das Escrituras a fim de que o crente se firme outra vez.
4) Disciplinar na justiça, pois as Escrituras permanecem operando em nós, estruturando-nos na disciplina diária, conduzindo-nos à piedade.
Esses quatro usos das Escrituras delimitam quatro atividades básicas do aconselhamento bíblico:
1) Atividade aquilatadora, o crente, alicerçado na Bíblia, não encontra dificuldade alguma em fazer juízo sobre as questões. Por exemplo, a Bíblia diz que o homossexualismo é pecado. Para o crente, a questão está resolvida.
2)Atividade convencedora, na qual a Palavra revelará o padrão divino de santidade a fim de que haja arrependimento do aconselhado, e não uma busca infrutífera por um alívio. Condutas pecaminosas sempre trarão consequências danosas às vidas das pessoas; logo, o conselheiro, ao invés de minimizar ou contemporizar o pecado, deve mostrá-lo, levando o cliente à convicção de sua rebeldia. Somente a ação do Espírito Santo mediante a Palavra poderá ajudar o aconselhado a buscar o "reino de Deus e a Sua justiça", através da qual ele experimentará o verdadeiro alívio e a verdadeira felicidade.
3)Atividade Transformadora - As escrituras, eminentemente práticas, levarão o crente não somente a reconhecer o seu pecado, mas a como ser restaurado, recuperado do pecado. A Bíblia deve ser usada de modo prático, da forma como foi tencionada o seu emprego por Deus.
4)Atividade Extruturadora - O discipulado através da disciplina no ensino regular e ordenado da Palavra, pela Palavra, tornará o crente habilitado para toda a boa obra; porque não há nada que o homem de Deus não esteja adequadamente preparado pelas Escrituras.
Portanto, a metodologia a ser aplicada no aconselhamento não pode ser o ajuntamento e colagem de toda espécie de coisas à Bíblia; e sim, usarmos os recursos do conhecimento divino no aconselhamento, através do estudo árduo e contínuo das Escrituras.
É preciso conhecer os problemas humanos, e descobrir as respostas dadas por Deus.

Anônimo disse...

É preciso observar por todos os ângulos: certas mulheres entram em depressão com o uso de anticoncepcional ou outros fármacos. Suspenso o uso, a depressão desaparece. A reposição hormonal na menopausa tb resolve muitos quadros de depressão. É preciso avaliar para não espiritualizarmos o físico nem materializarmos o espiritual.