Após a leitura, classificarei os livros assim:
Péssimo [0] Ruim [*] Regular [**] Bom [***] Muito Bom [****] Excelente [*****]

Renovando a Mente (***)


Vincente Cheung
Editora Monergismo
120 páginas

"Argumentando que a neutralidade intelectual não existe, o primeiro capítulo usa o Salmo 1 como base para ilustrar que todas as idéias são cristãs ou não cristãs. O crente não deve prestar atenção ao conselho do mundo, mas deve estudar a Escritura para sabedoria e direção... O restante do livro fornece váriso exemplos de como as implicações dos ensinos bíblicos se desenvolvem em áreas como o pecado, a divindade Cristo, a escolha de uma esposa e pena de morte"

4 comentários:

Jorge Fernandes disse...

No presente livro estão incluídos 5 ensaios, alguns já abordados em outras obras do autor.
O primeiro, trata do "Conselho Ímpio". Sobre isso, Cheung manifestou sua posição em várias outros textos. O cristão bíblico deverá ter sempre em mente que, à luz da Escritura, o padrão dos não crentes, a partir de conceitos não-cristãos, é o de se opor contra a autoridade divina, no sentido de que ele buscará sempre uma espécie de autonomismo, com o claro objetivo de se livrar de qualquer sujeição à vontade claramente expressa de Deus.
Isto não quer dizer que, vez ou outra, um não-cristão não possa produzir um raciocínio que reflita o padrão da fé bíblica. Tal fato ocorrerá pela irrefutabilidade da verdade, o Evangelho de Cristo, do que propriamente por sua disposição interior.
De forma geral, o incrédulo expressará suas posições a partir da sua cosmovisão não-cristã, o que vale dizer que ela sempre será oposta ao Evangelho, confrontando-se com a verdade.
Crentes que seguem o padrão ímpio, seja no conselho e na prática (a qual é a consequência da primeira atitude de aceitar a proposição incrédula), se entregarão inevitavelmente a "trilhar o mesmo caminho dos pecadores" (pg 26), terminando em comunhão íntima com o incrédulo e o pecado, o qual ao fim é a rebelião a Deus.
Finalizando com as palavras do Cheung: "A Bíblia diz que nossos pensamentos nos definem, e ela é o ponto de partida a partir do qual a totalidade das nossas vidas é derivada. Portanto, que aqueles que professam o nome de Cristo cessem de se prostituir com a sabedoria deste mundo, e pressionem a antítese irreconciliável entre a cosmovisão bíblica e todos os sistemas seculares" (pg. 29).

Jorge Fernandes disse...

Tema também abordado em outras obras e que ganha um capítulo é "Renovando a Mente", que se refere à questão entre o Cristianismo e o intelectualismo.
Cheung assevera que é impossível a compreensão do Evangelho, a sua aceitação, e a prática da santidade sem que haja o entendimento intelectual do que isso venha a ser. Através do escrutínio do texto bíblico, o cristão entenderá (utilizando-se dos recursos do seu intelecto) toda a obra de Cristo, sujeitando-se a Ele, afastando-se do pecado e santificando-se, e adorando-O como Senhor e Salvador.
Mas não disso é possível sem o intelecto, sem que através da razão a cosmovisão cristã seja revelada verdadeira, irrefutável e convicta na mente do eleito. É impossível se ter o conhecimento sem o entendimento, e, mesmo a obra do novo-nascimento e renovação da alma do eleito pelo Espírito Santo se dará no nível da mente; pois, sem o entendimento intelectual não há espiritualidade.
Em muitas passagens, o texto bíblico nos exorta à razão, à renovação da mente (a se ter a mente de Cristo), a abandonar todo e qualquer pensamento pecaminoso e rebelde contra Deus, rejeitar os dogmas seculares e apegar-nos à verdade, Cristo.
Sem a mensagem do Evangelho, através da mente renovada pelo Espírito Santo, é inacessível a compreensão dos princípios fundamentais da fé cristã. Tem-se de estudar diligentemente a "palavra de Deus para obtermos um entendimento intelectual abrangente da fé cristã" (pg 39).
"Devemos pensar em nós mesmos como criaturas racionais, de forma que cada estragégia designada para aumentar a piedade deve, primeiro, atingir nossas mentes, comunicando os preceitos divinos de Deus na Escritura... nesse sentido, um espírito anti-intelectual é mortífero, pois rejeita a maneira bíblica de alcançar maturidade espiritual" (pg 43).

Jorge Fernandes disse...

O cap. 3 tem o título "Somente Deus é bom", e inicia com a seguinte pergunta: "Neste caso, quem pode ser salvo?" (Mc 10.26). Essa passagem é a do jovem rico que chama Jesus de "bom mestre", e lhe pergunta o que fazer para ser salvo?
Cristo afirma que somente Deus é bom, evidenciando-se a Sua divindade,e manda que o jovem dê toda a sua riqueza aos pobres e siga-O. O jovem, cabisbaixo, afasta-se do Senhor, pois era um homem muito rico.
Na passagem, Cheung aborda dois pontos principais:
1) Somente Deus é bom. Jesus é bom. Logo, Jesus é Deus.
2) A salvação é impossível para o homem, mas tudo é possível para Deus. A parte da graça divina, não há como o homem se salvar.
Ao que conclui: "'Quem pode ser salvo?' A resposta é que ninguém pode alcançar a salvação à parte da graça e poder de Deus. A salvação vem de Deus somente, a Bíblia diz. Ela não depende da vontade ou esforço do homem, mas da eleição e misericórdia de Deus. Ela depende da obra redentora de Cristo, e a suficiência de tal obra, por sua vez, depende da divindade de Cristo" (pg. 56).

Jorge Fernandes Isah disse...

o Cap. 4 trata de uma questão visivelmente fora dos padrãoes modernos de sociabilidade. Ao tratar do conceito bíblico sobre a mulher e a esposa, Cheung provocará a ira dos liberais e, especialmente, das feministas (muitas delas infiltradas na igreja).
Por isso, o autor gasta aproximadamente 1/3 do livro explicando-a. E, somente é necessária uma exposição pormenorizada, exatamente porque a mentalidade pós-moderna, marxista, liberal e antibíblica se agarra a uma espécie de igualdade entre os sexos que não existe aos olhos de Deus.

É claro que tanto o homem como a mulher são iguais, no sentido de serem criações divinas, e de ambos os sexos serem alvos da graça divina e salvadora, criados segundo o Seu perfeito projeto de unidade entre ambos, um complementando o outro.

Porém, não há como aceitar a idéia diabólica de que homens e mulheres exercem o mesmo papel, e tanto um como o outro podem exercê-lo legitimamente. Isso é um erro crasso. É rebeldia em seu estado bruto.

A Bíblia é clara em afirmar o papel da mulher como co-ajudadora do homem, o qual é o cabeça da família. No caso da igreja, a sua participação é definida minuciosamente nas epístolas de Paulo, e não há a menor possibilidade de se haver sobreposição de funções no Corpo de Cristo, ou seja, homens e mulheres jamais terão a mesma função no Corpo (ainda que a exerçam em insubordinação).

Acontece, e Cheung é muito claro ao explicitar, é que, no mundo atual, não há diferença entre um e outro, e as funções de um podem ser assumidas pelo outro, e desta forma, ninguém tem autoridade ou proeminência sobre o outro.

Especificamente, Deus estabeleceu posições e funções diferentes para o homem e para a mulher. Paulo nos diz: "Mas quero que saibais que Cristo é a cabeça de todo o homem, e o homem a cabeça da mulher; e Deus a cabeça de Cristo" (1Co 11.3).
Temos aqui uma proeminência autoritativa estabelecida: Deus, Cristo, o homem, a mulher. Contudo, isso não quer dizer que a mulher seja escrava do homem, pelo contrário, o homem deve agir com amor por ela, assim como Cristo amou e se entregou à morte pela Igreja. Pedro nos exorta: "Como Sara obedecia a Abraão, chamando-lhe senhor; da qual vós sois filhas, fazendo o bem, e não temendo nenhum espanto. Igualmente vós, maridos, coabitai com elas com entendimento, dando honra à mulher, como vaso mais fraco; como sendo vós os seus co-herdeiros da graça da vida; para que não sejam impedidas as vossas orações" (1Pe 3.6-7).

O ponto principal abordado por Vincent é o da obediência à palavra de Deus; e de que cada um cumpra corretamente o estabelecido pelo Senhor, sempre em atitude de amor e subserviência à Sua santa vontade. Qualquer atitude fora dos padrões divinos é mera rebeldia, não passa de desordem, e, a desobediência é sempre punida (ainda que seja a desobediência de um eleito, ele será disciplinado, como forma de se sujeitar à suprema vontade de Deus).

Vincent Cheung escreve um capítulo sobre o ensino bíblico negligenciado e desprezado pela maioria dos crentes. Por não querer serem tratados como fundamentalistas, conservadores, ultrapassados ou retrógados, a maioria se conforma em ser antibíblica, e, por consequência, anticristã.