Após a leitura, classificarei os livros assim:
Péssimo [0] Ruim [*] Regular [**] Bom [***] Muito Bom [****] Excelente [*****]

Lei & Evangelho


Editor: Stanley Gundry
Editora Vida
446 páginas

             EDIÇÃO ESGOTADA

       
"O Evangelho substitui a Lei? Qual a relevância da Lei do Antigo Testamento para nossa vida como cristãos vivendo sob a graça divina? Existe algum vínculo entre a Lei e o Evangelho? O que Cristo espera de nós no Evangelho?"
A Coleção Debates Teológicos, organizada por Stanley Gundry abre espaço para o livre debate, analisando pensamentos diferentes, além de proporcionar ao leitor a oportunidade de se aprofundar no conhecimento e na convicção de temas relevantes da teologia cristã

5 comentários:

Jorge Fernandes Isah disse...

Comprei este livro há alguns anos, talvez, um ou dois após a minha conversão, numa promoção da Editora Vida, quando ainda não pertencia aos atuais compradores [fazia parte do grupo Zodervan].

De lá para cá, com outros interesses, deixei-o de lado. À época, comecei a lê-lo, mas o interesse especial pelo Calvinismo, levou-me a encostá-lo na prateleira.

Como creio que tudo encontra-se no controle divino, inclusive a minha decisão de ler ou não determinada obra, acredito que agora é o momento certo para fazê-lo; especialmente por ter alguma noção do que trata o debate, coisa que não tinha, anos atrás.

O que me chamou a atenção, e me levou ao interesse novamente pelo livro, foi que a segunda parte é uma defesa da teonomia pelo Dr. Greg L. Bahnsen.

Uma pena que este debate esteja esgotado, e não haja, em princípio, o interesse da Editora Vida em reeditá-lo. Especialmente no momento em que muitos cristãos "abominam" a Lei, como se ela não fosse santa, perfeita e justa; e cumprisse o propósito de Deus de punir os infratores e proteger os homens de bem, como forma de justiça. Além do quê, o cumprimento da Lei é sinal de santificação na alma regenerada; ao contrário do que os antinominianistas proclamam [tudo que se refere à Lei significa legalismo e nulidade da graça], o cumprimento da Lei reflete, na vida do cristão, obediência, reverência e temor a Deus, mostrando que se foi alvo eternamente da graça de Deus.

Espero que outra editora ou mesmo a Vida disponham-se a republicar esta obra e os demais da coleção "Debates Teológicos".

Jorge Fernandes Isah disse...

Apenas no início do debate, começando pela defesa reformada não-teonômica do Dr. Willem A. Vangemerem [e nas primeiras 45 pgs], percebo um erro em suas ponderações.

De maneira equilibrada e bíblica em sua maior parte, o Dr. Willem defende a Lei como um "aio" ao qual Paulo se referiu em Gálatas, e apenas em seu caráter moral e ético para os cristãos atuais. Ele defende que do ponto de vista civil e penal, a Lei não tem valor para a presente era: "Essa forma complexa, com as regulamentações e penalidades, muitas vezes tornavam a lei um peso. Jesus carregou esse peso e ele é o aperfeiçoamento da justiça. Sob a nova aliança, a lei nunca mais pode ser lida, interpretada ou aplicada à parte de Jesus Cristo... As leis cerimoniais, as leis civis e o código penal foram anulados, e a lei moral recebeu mais esclarecimentos na pessoa e nos ensinos de Jesus Cristo" [pg 39].

Ora, o que temos aqui? Se Cristo veio cumprir a lei, e elevou-a a condição muito superior, ao ponto em que não se é preciso cometer o delito mas pensar nele para que o pecado seja cometido [do ponto de vista moral], como a lei foi anulada? E, em qual sentido o foi?

Quer dizer que tudo o que Deus estabeleceu como abominação prescrita na Lei, foi abolido, e não o desagrada mais?

Seria Deus mutável ao ponto de alterar sua escala de valores?

Cristo é superior à Lei, inclusive, na exigência de se cumpri-la. Não basta uma conduta exterior, mas ela também tem de ser interior. Não basta limpar o exterior do copo, mas o seu interior. O próprio Senhor disse que não veio abolir a Lei, mas cumpri-la.

O erro, portanto, está em anular o que Deus não anulou.

O próprio julgamento final, e a condenação ao inferno daqueles que descumprirem a lei, demonstra a sua validade, pois como Paulo disse, ninguém é justificado pela Lei, mas por ela todos são condenados. Cristo veio trazer salvação e redenção para o seu povo, mas o povo que não é seu, será condenado pela Lei, em seu caráter penal.

E não fazê-lo hoje, implica na perpetuação da injustiça, pois a Lei é justa e santa, assim como é justo e santo o Senhor e legislador e juiz do mundo.

Jorge Fernandes Isah disse...

VanGemeren, em sua defesa reformada não-teonômica acerta em alguns pontos, como, por exemplo, asseverar que a Lei não tem caráter salvíficio, mas condenatório, e de que o homem somente pode ser salvo pela graça, através do sacrifício de Cristo na cruz.
Ele ainda afirma satisfatoriamente que a Lei nos remete a Cristo, o único que foi capaz de cumpri-la e anular o seu caráter condenatório nos eleitos. Com isso, a Bíblia não está a dizer que a Lei foi abolida. Não é isso. Em nenhum momento temos lido que Cristo eliminou a sua cumprabilidade, ao ponto em que os salvos estão desobrigados de respeitá-la, honrá-la e obedecê-la. Como ele mesmo disse: Não vim abolir a Lei, mas cumpri-la. Como está escrito: "Não cuideis que vim destrir a lei ou os profetas; não vim abrogar, mas cumprir. Porque em verdade vos digo que, até que o céu e aterra passem, nem um jota ou til jamais passará da lei, sem que tudo seja cumprido. Qualquer, pois, que violar um destes mandamentos por menor que seja, e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no reino dos céus; aquele, porém que os cumpir e ensinar será chamado grande no reino dos céus. Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrarereis no reino dos céus" [Mt 5.17-20].

Esse parece ser um grave erro de VanGemeren, que defende a descontinuidade em vários aspectos da Lei. Sabemos que Cristo aboliu o caráter sacrificial e cerimonial da Lei, pois não é mais necessário que se imolize carneiros e bodes para expiar os pecados, pois o Senhor já o fez por nós, uma única vez, na cruz. Portanto, não há essa necessidade. Até porque, Paulo, em Hebreus, nos diz que o sacrifício de carneiros e bodes não pode expiar os pecados. Eles eram como símbolos apontando para o Redentor e Salvador das almas daqueles que criam, e por isso, cumpriam a lei cerimonial ao sacrificar os animais.

Agora, há contradições, as quais VanGemeren afirma. De um lado, ele diz que a Lei Moral, resumida nos Dez Mandamentos, prevalece para hoje e para o crente. Porém, ele nega haver continuidade da lei judicial e penal, assim como da lei civil. Ora, se a Lei Moral condena pecados descritos e condenados na lei judicial e penal, bem como na civil, como se é possível defender um ponto e não defender os outros?

O pior é que ele não defende seu conceito em qualquer base bíblica. Apenas afirma uma coisa e nega as outras, sentenciando-as como verdades sem o respaldo escriturístico. Isso torna suas afirmativas apenas em especulações sem fundamento, cuja base é tão somente opinativa ou pessoalmente preferencial, a partir de generalizações vagas e infundadas.

[Continua...]

Jorge Fernandes Isah disse...

[...]

Outro erro é afirmar que a lei somente pode e deve ser cumprida pelo crente, que através da regeração e pelo poder do Espírito Santo buscará a santificação. Seria o que o autor chama de integridade ética aplicada na integralidade de vida. Ela serviria como uma forma de se avaliar a vida cristã, "como um termômetro a medir a intensidade do nosso amor por Deus, da obediência à lei dele e da nossa dependênca dele para a vida" [pg. 62].

Acontece que Lei foi dada para a nação de Israel, o que representa dizer que foi dada para crentes e descrentes, como o plano de Deus para que assim houvesse justiça e paz social também. Não se pode excluir o efeito justo e pacificador da Lei, pois ela foi produzida pelo Deus santo, perfeito e justo, e assim como Paulo diz, ela é santa, perfeita e justa, e aplicável em todos os tempos e a todos os homens indistintamente. Essa é a vontade de Deus que não fosse revogada; porém é rejeitada exclusivamente porque, na mente do homem ele caminha num processo de evolução, de melhoria, quando sabemos ser essa uma mentira. O humanismo fez com que o homem encontrasse em si mesmo a bondade [inexistente e mentirosa], e o fez crer que era bom, e o fez crer que essa bondade o restauraria, e consigo, toda a sociedade. Por isso, as leis são cada vez mais frágeis, contemporalizadoras com o mal, ao ponto em que se cumpre o que Isaias disse: tornam o mal em bem, e o bem em mal.

Para finalizar, está mais do que claro que o autor, ao defender o seu ponto, o fez de forma equivocada e sem base bíblica. Além do quê, não demonstrou claramente a ligação ou não ligação entre Lei e Evangelho; e quando fez, no caso da descontinuidade da lei judicial, não apresentou evidências bíblicas de sua afirmação, compromentendo-a até mesmo do ponto de vista lógico, assim como ao dar alguns exemplos.

Anônimo disse...

Não sei se aqui é local certo para minha pergunta, se não for me desculpe.
Mas como vc aborda o livro sobre a lei e Evangelho, talvez vc possa tirar essas minhas dúvidas.
E desculpe tb pela minha gramática que é horrível e espero que entenda. Hehehe

Na bíblia sagrada qual testamento deve ser seguido?
O velho testamento ou novo testamento ou dois?
Se a resposta for o novo testamento, pq razão as igrejas cristãs tomam algumas leis judaicas como mandamento obrigatório aos cristãos de hj?
Exemplo.
A lei do dízimo, esse mandamento não é para os judeus e os cristãos seguidores de Cristo não devem seguir o novo mandamento, pq impor leis do antigo testamento aos fiéis de hj?
E se o dízimo é valido nos dias de hj, pq no novo testamento não vemos os discípulos exigirem o dízimo?
Nas epistolas de Paulo ensina a em 2 coríntios 9:7 a ajudar na obra de Deus seguindo o que vc propõe em seu coração, não por ganância nem por obrigação pq Deus ama que dar com alegria.
É pq só o dízimo que devemos ser obrigados a seguir e os outros rituais judaicos?
Como guarda o sábado, fazer circuncisão, sacrifícios de animais, etc.
O apóstolo Paulo condenava aqueles que queria impor aos cristãos primitivos, leis do antigo testamento como mandamento.

Deixo a aqui minha admiração pelo vosso trabalho aqui em seu blog.
Não sabe como é precioso para nos internautas e para gerações futuras.

Um grande abraço irmão amado.

Jesus Cristo Reina!