Após a leitura, classificarei os livros assim:
Péssimo [0] Ruim [*] Regular [**] Bom [***] Muito Bom [****] Excelente [*****]

Deus é vermelho [***]


Liao Yiwu
Editora Mundo Cristão
240 Páginas








"Na China comunista, sob o regime de Mao Tsé-tung, todas as práticas religiosas foram banidas. O comunismo tornou-se a religião nacional e Mao foi entronizado, deificado e adorado. Apenas a igreja oficial era permitida, mas em seus cultos, apenas palavras de honra e louvor ao regime e ao líder Mao. Mas debaixo de tanta opressão, a semente do cristianismo brotou e floresceu.
Deus é vermelho percorre pequenos vilarejos e grandes cidades, trazendo narrativas emocionantes e assombrosas sobre dezenas de milhões de cristãos chineses que vivem a fé debaixo do duro regime socialista.
Indo de casa em casa, reunindo-se porões e sótãos, vivendo à margem da religião oficial do Estado, assim caminham os cristãos chineses. Correndo perigo de prisão, castigos e até morte, assim vivem os que desafiam o regime para manter e cultivar a fé em Jesus Cristo. 
Conversas sussurradas, códigos cifrados, bíblias e material evangelístico contrabandeados, assim o evangelho é pregado cotidianamente. Deus é vermelho é o relato tocante e desafiador de uma Igreja viva que cresce e floresce no regime mais fechado do planeta. 
Liao Yiwu traz nesta obra uma perspectiva nova sobre a força e a importância do Evangelho para pessoas simples e abnegadas, mas que morrerão sem negar o Autor de sua fé. 
Escritor chinês censurado na China e exilado na Alemanha, onde vive desde que conseguiu fugir do regime, Liao Yiwu escreveu este livro para nos revelar uma China diferente, com uma Igreja cristã pujante e vigorosa. O autor do poema Massacre, que lhe custou anos de cadeia, nos conta a história secreta de como o cristianismo sobreviveu e floresceu na China comunista".

3 comentários:

Jorge Fernandes Isah disse...

O autor não é cristão. Está mais interessado no movimento de resistência ao comunismo na China do que propriamente com o Cristianismo, ainda que o Cristianismo tenha-lhe chamado a atenção como um "movimento de resistência". Ou seja, seus interesses são muito mais voltados para a política, sociologia e antropologia [e até mesmo a história do Cristianismo na China] do que o Cristianismo como a única fé bíblica. E isso é normal, pois qual interesse um descrente envolvido com a contra-revolução teria com o Cristianismo?

Ainda que ele chame pastores, missionários e líderes cristãos de "ativistas" [um claro exemplo de como a mente revolucionária funciona], ele se permite em relatar as declarações de fé que deveriam mover o cristão: Jesus Cristo como Senhor e Salvador do homem. São poucos esses momentos, é verdade, mas eles existem [ainda estou por volta da página 100]; e alguns são realmente tocantes, revelando o amor à verdade e a entrega em proclamá-la, mesmo com o risco de prisão e morte.

Ele se atém mais à questão do Cristianismo como movimento histórico que sobreviveu aos tempos de chumbo do governo Maoísta, mesmo diante da expropriação dos bens das igrejas, a perseguição aos cristãos professos, prisões, morte, tortura, e tudo o mais que envolve um regime totalitário onde o estado e o seu líder máximo são considerados "deuses", cultuados e venerados como se o fossem.

A revolução cultural de Mao foi apenas isso: uma tentativa de tornar todos os chineses em um só corpo e mente [o corpo rotundo de Mao, e a mente patológica do estado chinês], mas eles mesmos perceberam que a força não era capaz de destruir a fé do povo [ainda que a maioria campeou e se iludiu com os clichês revolucionários dos vermelhos]; por isso, criou-se uma igreja oficial e estatal, em que as regras eram ditadas pelo dito cujo, numa forma um pouco menos explícita de se corromper a alma, ainda que mantendo-se o mesmo objetivo].

Ele parece não entender como uma religião que chegou ao país há pouco mais de um século, que não tinha raízes na cultura milenar chinesa, sobreviveu a todas as tentativas de erradicação.

[continua]

Jorge Fernandes Isah disse...

[...]

A criação de uma religião nacional e estatal [aos moldes da religião oficial do Nazismo no III Reich], onde os cristãos eram obrigados a renegarem a sua fé em favor da fé no estado chinês, parecia resultar na destruição de qualquer influência cristã no império do centro. Mas para a surpresa de muitos, e do autor, ele encontrou uma igreja perseguida, à margem da sociedade, escondida em lares e cavernas, que floresceu e vem crescendo em meio ao maior país vermelho e ateísta do mundo [ao menos em termos geográficos].

Sabemos que o Cristianismo vai muito além de "fenômenos" sociais e antropológicos, pois ele é fruto da ação sobrenatural e direta do próprio Deus. Liao não entende isso, e parece não se importar com isso [não há relatos, até aqui, do mover de Deus no meio do povo; apenas uns poucos milagres que são vistos por ele com nítida descrença].

Ele tenta relacionar o Cristianismo com outros movimentos religiosos que se opõem à igreja oficial chinesa, como se fossem quase a mesma coisa, diferindo apenas no tipo de "Deus" que cada um cultua, e na forma em que se rebelam. Mas há relatos comoventes de cristãos que foram perseguidos, presos, torturados e mortos pelo regime mais assassino do mundo e em todos os tempos.

E, de certa forma, fico pensando que raios de cristãos são os que defendem a conciliação entre marxismo e o Cristianismo. É algo impossível e inimaginável para qualquer cristão que não se ilude com a mentira e falácia de que o marxismo é inofensivo.

Liao escreveu um livro de leitura fácil, agradável, e que, a despeito de não tocar nos pontos em que mais nos interessam, a perseverança na fé cristã mesmo diante da mais virulenta e sangrenta perseguição, não deixam de ser relatos que fazem dos entrevistados testemunhas de Cristo, e de que o Evangelho continua a ser proclamado.

Se houver mais algum ponto de interesse no livro, o relatarei. Mas, em princípio, penso que a leitura deste livro é o suficiente para que os cristãos verdadeiros fujam de qualquer aliança com o marxismo, ainda que seja apenas por simpatia, pois, como Paulo diz, que união há entre luz e trevas? Entre Cristo e Belial? A questão é, sem querer demonizá-lo, mas o marxismo é fruto da mente maligna do nosso maior inimigo, o diabo.

Jorge Fernandes Isah disse...

Há de se fazer justiça ao autor, Liao Yiwu, o que equivale dizer que a minha crítica anterior foi parcialmente injusta [outro erro por conta da minha precipitação]. Ainda que a sua atenção esteja voltada para o Cristianismo como movimento contrarrevolucionário na China, ele abre bastante espaço para o testemunho pessoal e de fé, com relatos de conversão, de mudança de vida e propósitos, bem diferente do ufanismo e triunfalismo atual, especialmente presente na teologia da prosperidade e no neopentecostalismo.

Relatos como o do Dr. Sun que foi um dos mais renomados e influentes médicos chineses e que abandonou todo o "status" que a sua profissão poderia lhe dar [como dinheiro, poder, etc] para se arriscar à ajuda humanitária nos grotões chineses [a quem poderíamos chamar de um "médico ambulante" ou itinerante], onde não há serviços públicos e o povo vive em uma miséria absoluta, proclamando o Evangelho de Cristo, é de fazer qualquer um de nós, cristãos ocidentais, queimar de vergonha.

Outro relato contundente e pungente é o do filho do mártir cristão, o pr. Wang Zhiming, condenado unicamente por sua fé em Cristo, à qual teve a oportunidade de renegar por diversas vezes [não apenas uma], e ele se manteve firme, assim com sua família, que assistiu à brutal e injusta execução de um inocente. Curiosamente, mais de uma década depois da morte do pr. Zhiming, ele foi inocentado pelo próprio governo que o condenou.

Por esses e outros relatos, "Deus é vermelho" é um livro necessário, mesmo para aqueles que estão acostumados com o "modus operandi" marxista. Nossa fé, de certa forma, é colocada à prova diante dos testemunhos inimagináveis dos verdadeiros e fiéis servos de Cristo, que perseguidos, humilhados, execrados, e, muitas vezes mortos, permanecem firmes na Rocha.