Após a leitura, classificarei os livros assim:
Péssimo [0] Ruim [*] Regular [**] Bom [***] Muito Bom [****] Excelente [*****]

Reflexões Autobiográficas [***]



Eric Voegelin
É Realizações
192 Páginas
"Este livro oferece a melhor introdução possível à vida e ao pensamento deste que foi um notável scholar e talvez o maior fi lósofo de nosso tempo. Aqui, Voegelin explica Voegelin, num relato autobiográfi co pensado para lançar luz sobre seus outros escritos e situá-los no horizonte mais amplo de seu pensamento."

3 comentários:

Jorge Fernandes Isah disse...

O livro é uma compilação de entrevistas realizadas pelo assistente de Voegelin, Ellis Sandoz, que resultou na "autobiografia", que mais parece as reflexões sobre a própria vida pelo Eric, revelando suas influências, questionamentos, buscas, que resultaram na formação do seu pensamento, como um dos filósofos mais importantes e influentes do séc. XX.

A questão é que Voegelin não é conhecido e estudado como deveria, especialmente no Brasil. Talvez, porque ele não traz em sua filosofia as incoerências e incongruências que a maioria dos "filósofos" brasileiros carregam [na verdade, penso que é ignorância mesmo e pouca prática com o "filosar", com a realidade, como se a filosofia fosse essencialmente uma ciência etérea e misteriosa. Talvez por isso, a simplicidade de Voegelin os assusta, ao ponto dele ser desprezado exatamente por aquilo que ele tem de maior].

Há a citação de uma gama de pensadores com os quais o autor teve contato em seu tempo na universidade em Viena, como o jurista Hans Kelsen e o economista Othmar Spann, por exemplo.

Dá para perceber, que a busca de Voegelin era pelo sentido da vida, não apenas metafísica mas empiricamente também, de forma que a sua filosofia não foi uma antítese à realidade, algo como um mero delírio intelectual.

Ele estava mais preocupado na busca da excelência moral e ética do indivíduo, sem a qual nenhuma sociedade vive. E em entender o seu desdobramento na história, a qual entendia como uma estrutura aberta no fluxo da eternidade.

Voegelin é um dos pensadores que se tem de ouvir; então que ele fale.

Jorge Fernandes Isah disse...

Assim como Voegelin se refere à sua não adesão ao Nacional-Socialismo [Nazismo] como uma questão moral, e, por isso, não era compreendido por ideólogos, entendo que a não adesão ao marxismo seja igualmente uma questão moral.
Leiamos o que ele disse:
"A certa altura, a sra. Bloch perguntou cautelosamente à sra Voegelin por que também tínhamos emigrado para os E.U.A. Afinal, não éramos judeus; e quis saber se eu não tinha sido comunista. Minha mulher respondeu que não. E a sra Bloch lhe disse, 'Bem, então por que ele não pôde ficar na Áustria?'. Que alguém pudesse ser antinazista sem ser judeu ou possuir motivação ideológica é, como ensina minha experiência, algo inconcebível a quase todos os acadêmicos que conheço" [pg 77-78].

Ao mesmo tempo, não ser marxista entre os acadêmicos brasileiros é algo inconcebível, mas apenas pela própria distorção moral deles, ainda mais se se disser cristão.

Jorge Fernandes Isah disse...

O livro mostra um pouco do pensamento de Voegelim, como já disse. Temos alguns dados e fatos biográficos, mas o texto é mais uma compilação de reflexões do que propriamente uma biografia; portanto, o título escolhido foi certeiro e providencial.

É possível trilhar um pouco os caminhos da mente de Voegelin, mas o que sempre me chama a atenção quando o leio é que, por mais erudito, sofisticado e profundo que seja o seu pensamento, ele o transmite de uma maneira direta sem as firulas da maioria dos filósofos. Parece-me que esse "truque" da maioria é uma maneira de dissimular a sua incompreensão da realidade e o fato de não serem verdadeiros filósofos. Com Voegelin acontece o contrário, a despeito dele ser incisivo e contundente naquilo que diz e escreve, ele nos envolve com o desejo de escrutinarmos a realidade, a verdade, ao invés do "mundo-de-faz-de-contas" no qual as ideologias modernos nos querem aprisionar. Contudo, ele não é um "sem papas na língua" qualquer, que invariavelmente está dizendo bobagens com ares de sofisticação ou não, como a pós-modernidade quer nos contaminar, e que se resume em um "não tem nada a dizer". Exercem a retórica vazia de uma mente vazia, num círculo vicioso sem fim.

Voegelin está sempre nos chamando à realidade, ao contrário dos demais [não todos, claro!] que desejam nos manter com os pés e a cabeça no "mundo da lua", através de jogos de palavras, irracionalismo e sentimentalismo aos moldes dos fazedores de prosélitos.

E algo que está sempre evidente no texto de Voegelin é que, penso eu, a degeneração intelectual e cultural da sociedade está diretamente ligada à queda do padrão moral, o afastamento do homem de Deus e sua Lei. De forma que, a pós-modernidade, ao implementar o retorno ao primitivismo e ao paganismo, equivale ao cão voltando ao próprio vômito.

Num mundo em desordem é necessário voltarmos à ordem, que não pode ser outra senão o padrão moral estabelecido por Deus. Pois, sem a moral transcendente, o que resta é a imoralidade imanente do homem.

Leia Voegelin!