Após a leitura, classificarei os livros assim:
Péssimo [0] Ruim [*] Regular [**] Bom [***] Muito Bom [****] Excelente [*****]

A inocência do padre Brown [***]







G. K. Chesterton
L&PM Editores
256 Páginas

"A literatura é uma das formas de felicidade; talvez nenhum outro escritor tenha me proporcionado tantas horas felizes como Chesterton." O escritor britânico G. K. Chesterton conquistou legiões de fãs com suas poesias, epopeias, seus artigos jornalísticos, livros de crítica literária e romances. Mas as histórias de mistério protagonizadas pelo Padre Brown compõem a parte mais difundida de sua obra. Ao todo são 52 contos, escritos a partir de 1910 e posteriormente compilados em livros, um dos quais A inocência do Padre Brown, que traz doze histórias. Em A cruz azul – na qual o personagem faz sua primeira aparição e que é conhecida pela peculiar moldura narrativa –, o clérigo de Essex precisa lançar mão de métodos excêntricos para impedir o roubo de um valioso artefato religioso. As reflexões filosóficas que pontuam a ficção de Chesterton e a escolha do método humanístico da intuição em detrimento da dedução garantiram ao Padre Brown um lugar junto aos grandes detetives da literatura, como Dupin e Sherlock Holmes"

Um comentário:

Jorge Fernandes Isah disse...

Este é um livro com algumas histórias do Padre Brown, talvez o alterego de Chesterton, dada a baixa estatura e a rotundidade, que o tornam em uma figura comum e sem atrativos ou destaque, significando, até mesmo, a falta de personalidade própria; mas a despeito da sua insignificância física, ele se sobressaía por seu intelecto e a capacidade de desvendar os crimes mais intricados e que muitas vezes fez o o seu amigo e detetive Flambeau, alto e de boa aparência, parecer um idiota.

O livro tem as sutilezas estilisticas de Chesterton, uma narrativa bem costurada [necessária em livros do gênero] mas alguns componentes que o tornam diferente: Padre Brown não procurava apenas desvendar mais um crime, como um desafio à sua inteligência e argúcia, a capacidade de ver os detalhes mais desprezíveis e que nenhum outro via, ou o raciocínio capaz de ligar fatos aparentemente dissociados que, contudo, faziam parte da "teia" tecida pelo criminoso. Mais do que um desafio mental, o calmo e tranquilo religioso buscava a redenção do criminoso [em outras palavras, realizar o seu ministério sacerdotal, sua missão primeira], que poderia alcançá-la a partir da confissão do crime pelo criminoso. E isso, se não se desse pelos meios judiciosos, que o levassem à condenação, bastava-lhe, como sacerdote [e como tal ele estava impossibilitado de acusar o réu confesso por direito inalienável de sacerdócio] ouvir a confissão, o arrependimento do criminoso, e ter concluída mais uma etapa da sua missão.

Mais do que preocupado com as questões policiais, elas o levariam ao encontro da alma que necessitada desesperadamente de perdão e atormentada pela culpa [ainda que não soubesse].

Pode parecer incoerente que um sacerdote, para quem a defesa da moral é um caro princípio, despreze-a em algum aspecto no curso da história. Mas o que lhe parece é que, após a confissão, o criminoso, em paz consigo e com Deus, se entregue voluntariamente à justiça, provando assim o seu arrependimento sincero e verdadeiro.

Fato é que ler Chesterton é sempre agradável e instigante. Mesmo em histórias aparentemente banais como as policiais.