Após a leitura, classificarei os livros assim:
Péssimo [0] Ruim [*] Regular [**] Bom [***] Muito Bom [****] Excelente [*****]

Esquerda Caviar [***]







Rodrigo Constantino
Edição Kindle
442 Páginas


"Este livro de Rodrigo Constantino é urgente. Uma pérola em meio ao mar de obviedades e mentiras comuns na literatura “intelectual” nacional.
O título Esquerda caviar remete a uma expressão de nossos irmãos mais velhos portugueses para descrever a “esquerda festiva” (como dizia o grande Nelson Rodrigues, citado algumas vezes por Constantino), marca de um grande desvio de caráter no mundo contemporâneo: este tipo de gente que frequenta jantares inteligentes defendendo a África enquanto bebe vinho caro e humilha amigas menos magras.
Nelson Rodrigues usava a expressão “amante espiritual de Che Guevara” para nomear a esposa de um casal burguês com “afetações revolucionárias”, o típico “casal caviar”. Em meio às festas da “festiva”, o casal de grã-finos, donos da casa, levava Nelson até o pequeno altar onde uma foto de Che posava para os suspiros da esposa apaixonada pelo revolucionário. Poderíamos supor que este marido falaria algo semelhante ao que outros “maridos caviar” ante as possíveis infidelidades das esposas com outro “guru caviar”, Chico Buarque: “Com o Che e o Chico, eu deixo ela me trair.” Risadas?
De onde vem este fenômeno? Constantino lança mão de um rico arsenal de citações clássicas e contemporâneas para fazer seu diagnóstico: antes de tudo, estamos diante do velho problema de caráter. Nada de questões políticas. Apenas questões morais de fundo: mentira, hipocrisia, luta por autoestima social, narcisismo, oportunismo carreirista, tentativa de se ver como pessoa pura de coração, enfim, uma fogueira de vaidades. Como dizia outro autor que é referência importante para esta obra, o filósofo britânico Edmund Burke, do século XVIII: antes de qualquer problema político, existe um drama moral.
Numa linguagem direta e simples, permeada por uma bibliografia que nada deixa a desejar, Constantino atravessa o “menu caviar” de nossa era vaidosa"

4 comentários:

Jorge Fernandes Isah disse...

"Todo socialista simplesmente adora dinheiro. Podem falar o contrário, mas, assim que a oportunidade se apresenta, mostra-se o mais ganancioso. O melhor exemplo? O Parlamento da China comunista possui a maior quantidade de bilionários de todos. São mais de 80 ao todo. Não há nada parecido no capitalista Estados Unidos. Segundo o New York Times, a família de Wen Jiabao, chamado de “premiê do povo”, teria acumulado uma fortuna de US$ 2,7 bilhões. Vários membros da família são milionários. Tudo em nome da igualdade, do comunismo. Quem foi que disse que socialista não gosta de riqueza? Pode não gostar de criar riqueza, mas adora pegar a dos outros!"

"A esquerda caviar hollywoodiana (nos Estados Unidos) ou global (no Brasil) abraça essas bandeiras “progressistas”, ataca o núcleo familiar tradicional, distorce os valores caros à classe média e transforma em normal toda bizarrice em boa parte para suportar melhor suas próprias vidas esquisitas e desestruturadas. Os outros é que são caretas e chatos. Racionalização pura."

Jorge Fernandes Isah disse...

"Mas para o intelectual revolucionário, a política é tudo! É o que dá sentido para sua vida. Ele respira política. Não tem tempo a perder com mudanças graduais e democráticas. Afinal, sabe o que é certo, qual o caminho desejado. Precisa apenas do poder para executar suas fantasias. E ele jamais escuta o alerta feito por Hoelderlin: “O que sempre fez do Estado um verdadeiro inferno foram justamente as tentativas de torná-lo um paraíso."

"Shapiro resume a situação: A esquerda forçou os americanos a aceitar a redefinição radical da liberdade econômica para abranger o controle do governo sobre como dar a descarga em seu banheiro; maternidade solteira como igual em qualidade moral e nos resultados à estrutura familiar tradicional, a remoção completa da religião da vida pública, e sua substituição pela vulgaridade; rejeição de uma sociedade daltônica em favor do racismo reverso; a criação de uma grande rede de proteção social que oferece proteção para o preguiçoso e uma rede para o setor produtivo. E por aí vai."

Jorge Fernandes Isah disse...

Exala um odor anticristão, ainda que veladamente; por que Robespierre e Paulo estão na mesma sentença, Constantino? Senão, vejamos:
"Muito sangue inocente já foi derramado em nome dos ideais pregados por esse tipo de gente, e devemos estar sempre alertas para seu perigo. É o que explica Marie-Laure Susini em Elogio da corrupção, livro em que figuras como Robespierre e Paulo de Tarso vão parar no divã da autora, que é psicanalista".

Há um quê de desonestidade, em Constantino, ao comparar um assassino como Robespierre com o apóstolo Paulo, sendo que nenhuma ligação ou semelhança existe entre eles. A citação, no mínimo, foi maledicente. E não é a primeira com que me deparo, no livro.

Para Constantino, tudo parece uma questão simplesmente econômica e de racionalismo. Todos os problemas mundiais se resolveriam desde que o Capitalismo e o uso superior [e quase absoluto] da razão fossem aplicados. É de um reducionismo enervante. Há pontos interessantes no seu livro, mas estou quase a desistir dele por conta da excessiva repetição destes pontos e de uma flagrante desonestidade em equiparar o Cristianismo com todo o tipo de barbárie perpetrada na História. Chega a ser infame e, porque não, ignorante as insinuações [uma provocação gratuita e infantil] contra a fé cristã. E para um homem que se diz culto e racional, falsear a História por pura disposição interior ao ódio, parece-me algo tão ou mais baixo do que a hipocrisia que ele aponta em suas denúncias. Realmente, ele próprio torna-se alvo do "messianismo" que diz condenar [ao acreditar num mundo possível idealizado pelo homem; e que combate no marxismo].

Jorge Fernandes Isah disse...

Na verdade, a própria hipocrisia da "esquerda caviar" é um desvio moral antes de ser intelectual... Quando disse "messianismo", percebi que ele, Constantino, assim como o prof. Olavo, reputam esse movimento como o fomentador do marxismo, como um ideário de um mundo perfeito a partir da revolução social ou de classes, como queiram. Mas se ele mesmo, ao ver no Capitalismo e na razão superior a salvação para o mundo, pensa e age como um adepto do "messianismo". Ou estou enganado?