Após a leitura, classificarei os livros assim:
Péssimo [0] Ruim [*] Regular [**] Bom [***] Muito Bom [****] Excelente [*****]

A Vida na Sarjeta [*****]






Theodore Dalrymple
280 Páginas
É realizações

"Este livro é o relato pungente da vida da subclasse inglesa e das razões de as pessoas persistirem nessa vida, escrito por um psiquiatra britânico que cuida da clientela de baixa renda de um hospital de periferia e dos detentos de uma penitenciária de Londres. A percepção fundamental do Dr. Dalrymple é a de que a pobreza continuada não tem causas econômicas, mas encontra fundamento em um conjunto de fatores disfuncionais, continuamente reforçados por uma cultura de elite em busca de vítimas. O livro apresenta dezenas de relatos reveladores e verídicos que são, ao mesmo tempo, divertidos, assustadoramente horríveis e bem ilustrativos, escritos em uma prosa que transcende o jornalismo e alcança a qualidade de verdadeira literatura."

9 comentários:

Jorge Fernandes Isah disse...

Este livro é daqueles que se tem, ao menos, uma frase ou parágrafo por página para se marcar, quando não muitas e muitos.

Análise clara, profunda e convincente dos danos à sociedade causados pelas ideias marxistas e sua sanha doentia de reengenharia social, de se criar um mundo perfeito, onde os valores morais que preservaram e desenvolveram a civilização ocidental são sistematicamente combatidos (em especial a tradição judaico-cristã) e alijados dos "projetos de bem-estar social e desenvolvimento", o instrumento principal para a dominação ideológica.

No fim-das-contas, temos a degradação, a violência, e a indigência da alma, como marcas do novo barbarismo, o projeto de perfeição inalcançável no qual instalou-se a mais vergonhosa, deprimente e miserável vida modernosa.

Dalrymple esmiúça, em uma série de artigos publicados nos anos 90, as várias maneiras de destruição do indivíduo em nome de uma igualdade social inexistente e utópica, na qual os marginais, os desregrados, os párias, os preguiçosos e inúteis são paparicados pelo Estado as custas do cidadão de bem e produtivo. A vitimização e as guerras de classes promovidas pela esquerda levam apenas à destruição da ordem e da decência, do núcleo familiar, da autoridade e, sobretudo, da responsabilidade individual. Ninguém é responsável por si mesmo, pelo próximo, ou seus próprios atos; a sociedade, como ente fictício, é a única a ser cobrada, e, para isso, o Estado é o juiz de todas as questões, trazendo na manga sempre o mesmo culpado, seja qual for a causa... Como o mantenedor de todos, torna-se autoridade sobre todos, dizendo o que, como e quando o indivíduo deve agir.

O palco é a Grã-Bretanha, mas poderia ser os EUA, Alemanha, Portugal, ou, o Brasil. O mesmo mal a destruí-los nos últimos 50, 60 anos, está a agir por aqui, e, as consequências podem ser vistas por todos os lados, em todos os lugares, em todas as classes, a estupidificação do homem, capaz de descer tão fundo na miséria moral e espiritual que, como o autor diz, não se sabe mais se os porcos é que fazem o chiqueiro ou vice-versa.

Jorge Fernandes Isah disse...

Ainda bem que, para o cristão, nem mesmo este quadro aterrador e corrosivo pode tirar-nos a alegria, pois é em Cristo que a depositamos.

Jorge Fernandes Isah disse...

Um trecho do capítulo "Realidade Sombria - perdidos no Gueto":

"A vida nos bairros pobres da Grã-Bretanha demonstra o que acontece quando a maior parte da população, bem como as autoridades, perde a fé na hierarquia de valores. O resultado é todo tipo de patologia: onde o conhecimento não é preferível à ignorância, e a alta cultura à baixa, os inteligentes e os que têm sensibilidade sofrem a perda total do significado das coisas. O inteligente se autodestrói e o que tem sensibilidade perde as esperanças; e onde a decorosa sensibilidade não é alimentada, encorajada, apoiada ou protegida, abunda a brutalidade. A falta de padrões, como observou José Ortega y Gasset, é o início do barbarismo: e a moderna Grã-Bretanha já passou desse início há muito tempo".

Assim como nós, no Brasil de Norte a Sul.

Jorge Fernandes Isah disse...

Este é um livro imperdível, repleto de realidade, de vida, ainda que ela caminhe célere para a morte, posto a mentalidade reinante existir como um delírio, irreal e falso, sobrepondo-se ao real e ao verdadeiro.

A elite intelectual e sua ditadura ideológica, via o marxismo, especializou-se em criar uma "outra realidade" ou uma "segunda realidade" na qual não há homens, mulheres, fatos ou significados, moral, e tudo parece caminhar para um desfecho de pura perfeição dialética, onde há um caminhão de ideais e justificativas para um mundo irreal e abstrato, completamente distante da realidade, do dia-a-dia ao qual a maioria desses intelectuais finge simplesmente não existir, negando-o, uma negação completa, a fim de manterem o seu status de intelectual e amigo do povo.

Em seus ambientes sofisticados, onde não lhes faltam nada, nem estão sujeitos à insegurança e ataques aos quais a maioria dos mortais está exposta, eles fantasiam um mundo caminhando rumo à excelência sem se aperceberem da falta de primor, correção e ordem característicos da perfeição; uma sociedade onde cada vez mais se expõe os defeitos e pecados, tornando-a praticamente insuportável ao homem de bem, ao cidadão responsável, enquanto tudo ao seu redor deteriora-se rapidamente, mas o ideólogo marxista finge não ver (seja por cegueira, desonestidade intelectual ou conformismo social), ainda que a sua sobrevivência seja garantida por métodos capazes de expo-la flagrantemente, mesmo ao mais débil dos homens (o fato deles viverem, em grande parte, cercados de seguranças, em casas e carros blindados, em si mesmo denuncia a falácia do seu discurso utópico).

(continua...)

Jorge Fernandes Isah disse...

(...)

Em um mundo aparentemente mais igualitário (diga-se, onde muitos exigem seus direitos enquanto uns poucos cumprem os seus deveres), o bem-estar social nada mais é do que a senha para bandidos, preguiçosos, néscios, ignorantes, mal-educados e incultos, tenham assegurados cada vez mais e em proporção maior a manutenção do estado de barbárie em que suas almas encontram-se afogadas; e, na mesma proporção, novos adeptos integram-se diariamente a esse rol de inaptos sociais, buscando na ignomínia o prêmio para a própria estupidez.

Dalrymple traça um minucioso perfil das sub-classes inglesas (como já disse, pode ser a sub-classe de qualquer país ocidental; no caso do Brasil, parece mesmo quase uma única classe, a despeito da resistência de alguns poucos), da bestialização humana, onde os componentes da hipocrisia, travestidos em compaixão e piedade, nada mais são do que os ingredientes explosivos para manterem o homem escravo da sua própria natureza caída, imoral, perversa, violenta e cínica, sem a possibilidade de cura.

A supressão de valores caros à humanidade como a família, a igreja, a autoridade, a tradição judaico-cristã, e a punição ao mal, indica o fim próximo do Ocidente como uma sociedade mais justa, civilizada e ordeira. Com isso não estou a dizer que o Ocidente judaico-cristão seja perfeito, não é isto; mas uma coisa é certa, no caos, na imoralidade e na degradação cultural e intelectual (onde a verdade e a realidade pouco ou nada significam) qualquer ideal elevado, nobre e de excelência não passará de um discurso vazio, sem sentido, e inútil; servindo apenas ao delírio ideológico, uma psicopatia contumazmente negada e cada vez mais visível na patota esquerdista.

E se consideram, ainda por cima, os salvadores de muitos, quando não conseguem salvar-se a si mesmos de seus distúrbios antissociais; insensíveis a qualquer culpa pelo mal insistentemente praticado, por seu egocentrismo arraigado e exacerbado. Afinal, a responsabilidade nunca pode ser individualizada, e assumir a culpa seria inadmissível, posto ser uma das muitas formas de opressão capitalista. Por falar nisto, ele concluí, o mal não está em mim, mas no capitalismo e sua tirania dominadora; "sou apenas mais uma vítima do sistema"; e tem-se o salvo-conduto para a demência (ainda que não saiba de nenhum deles rasgando dinheiro, ainda).

Enquanto estoura uma champanhe e comemora a sua liberdade, um tanto que provisória.

Jorge Fernandes Isah disse...

Dalrymple escreve:

"Cada uma das prescrições progressivas piorou o problema que ostensivamente se propunha a resolver, mas cada intelectual de esquerda teve de negar essa consequência óbvia ou perder seu "Weltanschauung"*: de que valeria ao intelectual reconhecer uma simples verdade e perder seu "Weltanschauung"? Deixemos milhões sofrerem contanto que esse intelectual possa manter o senso de integridade e superioridade moral. De fato, se milhões sofrem, tornam-se alimento compassivo adicional para o intelectual, mais generosamente sentirá a dor deles.

*"Weltanschauung" = Cosmovisão

(continua...)

Jorge Fernandes Isah disse...

(...)

"Desse modo, a prescrição é: mais do mesmo. O progressista Partido Democrata, o terceiro partido britânico, que é dominado pela "intelligetzia" esquerdista de classe média e ganha impensável popularidade nascida da desilusão com o governo e da patente incompetência da oposição oficial*, recentemente realizou sua conferência. E quais foram as propostas mais importantes apresentadas? O reconhecimento legal do casamento homossexual e a diminuição das sentenças de prisão para os criminosos.
Comparado a isso, Nero era um dedicado bombeiro." Pg. 271-272

*Qualquer semelhança como Brasil dos últimos 20, 25 anos, não é mera coincidência.

Jorge Fernandes Isah disse...

Por fim, não posso deixar de dizer: Leitura mais que recomendada; e um livro cuja linguagem é cativante, fluída e precisa em suas descrições e detalhes. Terrível, realista e verdadeiramente precisa em detalhes.

Dalyremple é um observador meticuloso, claro, e, ainda assim, é capaz de dialogar com a insanidade e os vários tipos de doenças da alma tentando tirá-la do torpor pérfido de se auto vitimizar e conformar com a destruição e a inutilidade exorbitante da vida num mundo dominado pela ilusão de poder ser o que não é não sendo o que é.

Assim como os neo ateus ultrapassam todos os limites da sanidade ao estigmatizarem a religião e, especialmente, o Cristianismo, como a causa de todos os problemas inerentes à humanidade (mesmo que o Cristianismo, em si mesmo, não apele para nada contra a humanidade, pelo contrário, protegendo-a do seu "lado negro"), os marxistas veem fantasmas em quase tudo que não seja ditado pela cartilha do Karl, mesmo tendo ele defendido o assassínio, o ódio, a eliminação do opositor, e o controle social e político de todos os homens, ferindo exatamente os princípios fundamentais ao qual o homem não pode ser chamado como tal, posto passaria a ser um animal domesticado preso a uma coleira ideológica. O marxismo cria adestradores e adestrados, não havendo margem para o homem livre em nenhum aspecto da sua humanidade.

Por essas e outras, este livro é obrigatório para se entender o processo de corrosão da vida e da moral como as últimas, e as próximas décadas, encarregaram-se de revelar, e, das quais, não se sairá tão rapidamente.

Ele ainda apresenta a solução para alguns problemas, o que é tão simples e natural a qualquer criança de seis ou sete anos, e estranhamente inacessível a intelectuais e acadêmicos, incapazes de percebê-la em sua mente cativa e aprisionada ideologicamente.



Rayanne Galavotti disse...

Lançamento livro Nossa Cultura... ou o que Restou Dela
26 ensaios sobre a degradação dos valores
Do britânico Theodore Dalrymple, inédito no Brasil - primeiro evento em breve no Rio de Janeiro, na Travessa Leblon:
www.facebook.com/erealizacoeseditora/photos/a.213839598654854.50130.213460985359382/818508638187944/?type=1&theater