Após a leitura, classificarei os livros assim:
Péssimo [0] Ruim [*] Regular [**] Bom [***] Muito Bom [****] Excelente [*****]

A Lei Moral (***)


Ernest Kevan
Ed.Puritanos
www.puritanos.com.br

2 comentários:

Jorge Fernandes disse...

Infelizmente, na igreja evangélica, a Lei Moral é relegada a um quinto, sexto plano na vida do crente, o que pode torná-lo muito mais um imoral do que um cristão.
Neste livro, Kevan coloca a Lei em seu devido lugar, o qual lhe é assegurado pelas Escrituras: o amor com que devemos amá-la(Sl 119.113). Não há divergência entre Graça e Lei, antes elas se complementam: chamados a pertencer ao Seu Reino por Sua Graça, somos chamados a obedecê-lO, a viver em santidade por Sua Lei. Pela ação do Espírito Santo em nós, somos confrontados pela Lei a reconhecermos a nossa natureza pecaminosa, e a clamarmos o perdão de Deus; e igualmente somos chamados por ela à santidade, visto que o Deus que a promulgou é santo.
A graça barata (a graça desvirtuada de seu real propósito o qual é revelar-nos a misericórdia e o amor de Deus) é o esconderijo do descrente e libertino, que será denunciado e condenado pela Lei.
É uma sólida refutação ao antinomianismo.

Jorge Fernandes disse...

No cap. ref. à (in)capacidade do homem, Kevan faz as seguintes colocações:
1- O livre-arbítrio humano é um poder derivado e sustentado por Deus, é em todo o tempo dependente d'Ele (ele crê no livre-arbítrio humano, o qual é antagônico à sua explicação de poder derivado e sustentado por Deus);
2- Qualquer ato do homem não regenerado (ainda que seja a bondade, boa-fé, etc) são pecados, visto que não têm a sua origem na fé, e a pessoa não é reconciliada com Deus. Assim, ele não é capaz de fazer o que glorifica a Deus, por isso peca em tudo que faz [Fica a pergunta: Se esse homem cumpre um ou mais preceitos da Lei moral, a qual foi dada por Deus a todo o homem, ainda assim ele pecaria nesses preceitos?(a observância de um ou outro ponto da Lei não exclue a pecaminosidade do homem, visto que, para não ser pecador ele teria de cumpri-la completamente e nascer sem a herdade do pecado de Adão - o que aconteceu somente com o nosso Senhor Jesus Cristo)];
3- Como o homem não regenerado está desviado e destituído da glória de Deus, e por isso peca, já que o seu objetivo não é glorificá-lO; e em suas trangressões esse homem tem o prazer em pecar contra Deus[concordo com o autor);
4- Da mesma forma, o homem pode ler e ouvir a Palavra de Deus, ainda que a sua conversão seja obra do Espírito Santo; e Deus usará esses meios para mudar-lhe o coração. Portanto, a incapacidade humana não anula a Lei de Deus ou reduz a sua autoridade (concordo com Kevan).
A questão da Lei é, via de regra, motivo de polêmica, em especial quando se crê numa graça banalizada e que permite ao homem o livre pecar, ou no cumprimento da Lei como ação meritória do homem diante de Deus.
O autor apresenta pontos, no mínimo, difíceis, mas na essência a sua abordagem é bíblica e fundamentada [mesmo com alguns conflitos como a questão do livre-arbítrio humano, pois, a própria Lei já implica em uma influência ou ação sobre esse livre-arbítrio].
É uma leitura fundamental para os dias de hoje em que a graça tem sido distorcida e usada para abarcar todo o tipo de doutrina extra-bíblica; e nos fazer refletir sobre a atemporalidade da Lei (a qual foi dada aos anjos, e ao não cumpri-la, parte deles caiu juntamente com satanás).