Após a leitura, classificarei os livros assim:
Péssimo [0] Ruim [*] Regular [**] Bom [***] Muito Bom [****] Excelente [*****]

A Igreja e as Últimas Coisas (***)



Dr. D. Martyn Lloyd-Jones

Editora Pes

"Este é o último volume de uma nova e importante série de grandes obras escritas por Martyn Lloyd-Jones, o destacado pregador, no qual ele explora a Bíblia a fim de encontrar as essências da fé cristã. Nossa atenção é agora voltada para o ponto de vista bíblico da Igreja e das últimas coisas. O autor começa com uma detalhada investigação da Igreja e das ordenanças, especialmente com uma compreensão correta do batismo e da Ceia do Senhor. Os capítulos subseqüentes focalizam a segunda vinda de Cristo, o juízo final e a ressurreição do corpo. Além de uma análise detalhada do ensino bíblico contido no capítulo 9 de Daniel e do Apocalipse, Dr. Lloyd-Jones também examina os diferentes pontos de vista sustentados sobre esse assunto e considera a maneira de Deus cumprir Seu plano para os judeus" - Sinópse da Editora.

10 comentários:

Jorge Fernandes disse...

Dr. Lloyd-Jones expõe os vários termos designativos de "Igreja" nas Escrituras; a diferença de Igreja e Reino de Deus; e as marcas da Igreja.
Neste último tópico, as marcas da são:
1)Pregação da Palavra para edificação e estabelecimento dos santos, os crentes (comunhão e discipulado); e a evangelização para que os não crentes sejam convencidos do seu pecado, arrependam-se e sejam guiados a uma fé viva e vital em nosso Senhor Jesus Cristo.
2) Administração das ordenaças.
3) Exercício da discíplina bíblica, a qual tem sido tristemente negligenciada.
A condição lamentável na qual a Igreja se encontra tem como causa principal a falha em se exercer a discíplina bíblica. Enquanto isso, muitos procuram justificar a negligência à discíplina ao invés de exercê-la.
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Algumas passagens que reforçam, exortam e impelem a Igreja a disciplinar os seus membros (e ao não fazê-lo a igreja incorre em pecado e desobediência à Palavra de Deus): Mt 18.15-17, Rm 16.17, 1Co 5, 2Co 2.5-10, 2Tes 3.6-16, Tt 3.10, 2Jo 100.
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"Inconsistência ou vida pecaminosa por parte de um crente faz incalculável dano à causa de Cristo... se não estão controlando e disciplinando seu temperamento, seus desejos, suas paixões, suas luxúrias, estão, em palavra e ação, negando a fé que pregam e se tornam um escândalo aos que são de fora.
O ensino bíblico consiste em que, se um irmão desobediente não se corrige nem atenta para a correção, então, precisa realmente ser afastado da Igreja" - pg. 29.
Concordo plenamente com a doutrina exposta pelo autor, a qual é bíblica, e pela qual as heresias e apostasias têm infiltrado e dominado muitas denominações e igrejas (ao serem tolerantes para com o pecado e práticas nitidamente antibíblicas e que negam o Evangelho de Cristo); e, quando a Palavra é negligenciada, distorcida, falseada (persistindo no pecado sem arrependimento, e sem abandono das práticas anticristãs), devemos, em obediência ao nosso Senhor, apartar-nos daqueles que renunciam à fé, ainda que esses se digam cristãos.

Jorge Fernandes disse...

Sobre governo eclesiástico, o Dr. diz:
1)A igreja acrescentou coisas em relação ao governo e ordem, os quais não se encontram na Escritura, e que passou a fazer parte da tradição religiosa cristã (mormente a igreja romanista, anglicana, luterana e algumas evangélicas que dão extrema importância à hierarquia, ao poder sacerdotal, e acabam por centralizar o poder que Cristo deu à igreja, transferindo-o para as mãos de um ou alguns líderes).
2)Há os que não crêem em governo eclesiástico, o anti-eclesiastismo, onde todos os irmãos são guiados pelo Espírito, e contra a elevação de ofícios, hierarquias e a busca de poder.
3)Há uma diferença entre não crer em liderança alguma na igreja com uma igreja, na prática, sem líderes.
4)Pontos de vista ou sistemas de governo:
*Erastiano - A igreja é parte do Estado, e o Estado governa a igreja.
*Episcopal - Governo de bispos através de uma sucessão direta dos apóstolos.
*Presbiteriano - Um número de igrejas forma um presbitério, onde cada igreja local designa um ministro e um ancião, e todos reunidos forma um presbitério; o qual envia um número de delegados que formam uma assembléia geral, e os presbiterianos acatam as decisões dessa suprema corte.
*Congregacional ou independente - Cada igreja local é, em si mesma, suficiente para deliberar e decidir tudo sozinha, sendo autônoma e governando a si mesma, sem reconhecer nenhuma autoridade acima dela, somente a do Senhor Jesus Cristo.
5)É interessante que o Dr. Lloyd-Jones, um presbiteriano, conclui: "...parece-me que o ideal é a igreja local, pessoas que concordam que estão em comunhão com todos os demais que semelhantemente concordam, mas sem qualquer obrigatoriedade, sem qualquer direito de impor coisa alguma sobre as igrejas, sem qualquer direito de obrigar a consciência" (pg 37).

Jorge Fernandes disse...

Ordenança é "um sinal externo e visível de uma graça interna e espiritual" (pg 42). São: batismo e a ceia do Senhor.
1)Modelos:
*Sacramentalista: a graça está contida nos elementos do sacramento (ordenança); ela está no pão e no vinho quando tomados, na água quando aspergida. É mecanicista com tomar injeção, agindo automaticamente, independente da condição de quem a recebeu ou ministrou.
*Zwinglío: os elementos são apenas símbolos externos ou sinais. São nada em si mesmos, e não nos conferem nenhuma graça.
*Protestante-reformado: Os elementos não somente significam graça como também selam a graça; eles autenticam uma promessa, como uma confirmação adicional; o meio pelo qual a graça se manifesta.

Jorge Fernandes disse...

Dr. Lloyd-Jones refuta o batismo infante ou pedobatismo, crendo que, biblicamente, ele é para o crente adulto, que "ele é somente para uma pessoa que sabe, que é conscia do que está acontecendo" (pg 61).
Quanto ao modo de batismo, o Dr. crê que pode ser tanto a imersão como a aspersão, já que não existe evidência bíblica clara quanto ao processo correto. Visto que, como um selo, o modo de se batizar não é importante, mas a selagem dele, a qual "é determinação de Deus, e seja qual for o modo, nos lembra a coisa que é significada, a coisa que é selada" (pg 64).

Jorge Fernandes disse...

1)Ceia do Senhor, pontos de vista:
*Transubstanciação: pela ação do sacerdote, o pão transforma-se no corpo físico de Cristo.
*Consubstanciação: o pão não se transforma no corpo de Cristo, continua pão, mas o corpo de Cristo se junta a ele (para mim, muda-se o nome e piora-se o dogma, tornando-o ainda mais antibíblico, e "poderosamente" humano).
*Para Zwíglio, a ceia é um sinal, uma comemoração, a lembraça da morte de Cristo e de que Ele voltará.
2)Como no batismo, a posição reformada vê a Ceia como um selo, remetendo-nos ao pacto através do Senhor Jesus Cristo; que vivemos por Ele, com Ele e para Ele; que há comunhão entre os irmãos, o corpo de Cristo, em unidade uns com os outros, e em Cristo.
3)Devem participar da Ceia somente os crentes.
4)Ela é o meio que Deus usa para fazer Sua palavra eficaz em nós.

Jorge Fernandes disse...

LLoyd-Jones fala sobre a morte não como a cessação da vida, mas como a separação do corpo e da alma, e a separação eterna de Deus, quando os rebeldes serão lançados no fogo do Inferno, e vivenciarão a morte definitiva.

A morte não faz parte da vida, a qual não traz em si mesma o germe da morte, porém, ela é a consequência do pecado, o castigo pela desobediência e rebeldia a Deus.

Respaldado por várias citações, o Dr. Jones mostra-nos que a Escritura corrobora enfaticamente a imortalidade da alma, tanto do crente/salvo que viverá eternamente com Deus, como do incrédulo/condenado que experimentará para sempre a morte definitiva.

Jorge Fernandes disse...

Estado intermediário é a condição da alma entre a morte física e a ressurreição.
Algumas visões distorcidas alegam a existência do purgatória, de uma condição vaga e do sono da alma. Contudo, escrituristicamente, a alma permanece consciente entre a morte e a ressurreição. Passagens como a do "Monte da Transfiguração" (Lc 9.28-36), a parábola do "Rico e de Lázaro" (Lc 16.19-31), a promessa do Senhor ao ladrão da cruz (Lc 23.43), e várias afirmações do apóstolo Paulo, como, por exemplo, 2Co 5.8, Fp 1.21-23, e Ap 6.9-10, asseguram-nos de que a alma não "dormirá", nem estará num estado de inconsciência, uma espécie de hibernação.

Jorge Fernandes disse...

A vinda do Senhor Jesus significa que:
1)Ele virá em pessoa, fisicamente. Há diversas teorias que tentam explicar a volta do Senhor como a morte do crente e sua partida deste mundo, a destruição de Jerusalém em 70 d.c e o fim dos judeus como nação, ou de que ela se deu em Pentecostes.
Claramente, essas não são doutrinas que explicam o retorno de Jesus Cristo, estão à margem da Escritura e não representam o ensino que o próprio Senhor nos deu.
Portanto, há de se entender que a volta do Senhor é física, quando Ele voltará em carne e osso, o mesmo corpo transfigurado com o qual apareceu aos apóstolos após a Sua ressurreição (o qual os discípulos tocaram, e Jesus comeu e bebeu com eles).
2)A volta do Senhor será visível a todos os homens, não apenas nos corações, mas Ele aparecerá diante dos olhos de todos os homens em toda a face da Terra (At. 1.11;Ap 1.7; Mt 26.64).
À luz das Escrituras não há base para se afirmar uma volta secreta do Senhor, de que Ele venha apenas para os Seus, invisível.
3)A vinda do Senhor será súbita, como um relâmpago (Mt 24.27, 43; 1 Ts 5.2).
4)A volta do Senhor será gloriosa, sobre as núvens do céu, com Seus anjos, precedida pelo clangor de trombeta proclamada pelo arcanjo (1Co 15.52).

Jorge Fernandes disse...

O pensamento do Dr. Lloyd-Jones acerca do estudo das Últimas Coisas, para a nossa reflexão:
"Existe um método certo e um método errôneo de estudar esta grande doutrina, e se vocês quiserem estar certos de que estão usando o método correto, eis um teste infalível: se seu estudo dela os humilha, seu estudo está no caminho certo. Se ele os envaidece ou inflama suas mentes e suas paixões, então seu método de estudo está errado... se seu estudo é algo puramente intelectual e não afeta seu espírito e sua maneira de viver, então vocês podem ter certeza de que toda a sua abordagem está errada. Este não é um tema apenas para a mente; é para a pessoa toda. É o fim principal da salvação" (pg. 118-119)

Jorge Fernandes disse...

Em virtude do Dr. Jones entrar agora, propriamente, na escatologia, suprimirei meus comentários pela incapacidade de emiti-los, pela grande possibilidade de erro, e pelo fato de que, muito do que foi colocado em termos das "Últimas Coisas" por todos os teólogos em todos os tempos estar influenciado e contaminado pela subjetividade (ainda que em doses mínimas).
Portanto, como é um tema difícil para mim, dada a minha incapacidade e ignorância, e de não querer expô-los às minhas premissas e subjetividade, calarei-me até o momento oportuno em que Deus sedimente em meu coração a Sua vontade quanto ao tema e comentários.
Por hora, obedeço à ordem do Senhor Jesus de ser prudente, e não cometer mais erros do que estou acostumado a cometer.
Portanto, desculpe-me o silêncio. Se desejar um estímulo à leitura do livro, informo-lhes que o estudo escatológico que o Dr. LLoyd-Jones faz é pastoral e não-belicoso como outros comentaristas, porém, sutil em aplicar minuciosamente o seu conceito e entendimento (ele é adepto do Amilenismo), levando-nos a aceitá-lo quase que prontamente, pelo seu poder de convencimento (o que para alguns pode ser a irrefutabilidade dos seus argumentos).
Vale a pena ler o livro, confrontando os argumentos do Dr. Jones com a Escritura Sagrada, esta sim, infalível, inerrante, divinamente inspirada.