Após a leitura, classificarei os livros assim:
Péssimo [0] Ruim [*] Regular [**] Bom [***] Muito Bom [****] Excelente [*****]

Fé Com Razão (****)


Joseph R. Farinaccio
Editora Monergismo
151 páginas


"Este é um livro que trata de cosmovisões. Todas as pessoas possuem uma. Mas, em sua maioria, elas nunca idpensam muita atenção à filosofia de vida pessoal. Isso é trágico, pois não há estado de conscientização mais fundamental para o viver diário. Tendo em vista a existência de inúmeras cosmovisões mundo afora, este livro foi escrito para ajudar as pessoas a entenderem por que o Cristianismo bíblico é tão importante, não apenas para o nosso entendimento a respeito de Deus, mas também sobre nós mesmos e o mundo a nossa volta" (4a. pg).

23 comentários:

Jorge Fernandes disse...

Alguns conceitos do autor:
- Todos temos cosmovisões;
- Se uma cosmovisão se opõe à outra, uma se considerará verdadeira, enquanto a outra será declarada falsa.
- É irracional afirmar a igualdade de todas as reivindicações da verdade.
- Cosmovisão é a forma de se ver o mundo. É o meio pelo qual interpreta-se as situações as circunstâncias ao nosso redor.
- As cosmovisões são formadas a partir de pressuposições (através delas chegamos às conclusões, ao conceito final).
- Pressuposições são suposições iniciais nas quais todo o pensamento é baseado, ou seja, todos os argumentos são baseados em pressuposições.
- As pressuposições da lógica, da ciência ou da moralidade não são elementos naturais no universo. Elas são defendidas pelas pessoas como verdadeiras; são pressupostas, assumidas pela fé.
- A cosmovisão (qualquer que seja) é "um sistema de crença que começa com suposições sustentadas pela fé" (pg. 24).
- "Toda pessoa possui uma cosmovisão baseada na fé, o que significa que não existem áreas neutras da vida. Todo e qualquer aspecto da existência e da ação é interpretada através da nossa grade de cosmovisão" (pg. 25).

Oliveira disse...

O que mais dói aos meus ouvidos, é quando a pessoa (por desconhecimento, mas também com arrogância inconsciente) diz que "eu sou de Jesus", eu sou pela Bíblia, ou pior ainda, o evangelho para mim é Atos dos Apóstolos...

Me dá uma raiva.

Mas enfim, elas não percebem que até mesmo a leitua bíblica é condicionada pelas teias mentais já prededinidas pela cosmocisão preconcevida de cada um.

A meu ver o ES em alguns quando da conversão ou depois, ele quebra a cegueira do pressuposto daquele alguém, e só então este alguém pode ler as escrituras sobre outra cosmovisão.

Em outros ele o ES promove a conversão mas não muda o olhar do indivíduo (um mistério para mim): Salva mas deixa um pouco cego.

Um abraço.

Jorge Fernandes disse...

Natan,
É isso mesmo. Na verdade, o Espírito Santo demole os pressupostos do ímpio na conversão (o arrependimento, a busca do perdão, a santificação são provas da demolição que o ES opera no homem natural).
Não sei se há possibilidade de salvação para quem não crê em Cristo como único Senhor. Explico: uma pessoa, por exemplo, que crê em Cristo como Salvador, mas se envolve em sacrifícios pessoais, em adoração a outros deuses (os santos católicos, p.ex.), e anda em busca das obras de justiça, mesmo crendo intelectualmente que Cristo é o Messias, o Filho de Deus, aquele que morreu na cruz para salvá-lo, ele ainda se encontra preso à cosmovisão cujos pressupostos afirmam não ser o Senhor Jesus completamente suficiente para redimi-lo. Nesse caso, não creio, biblicamente, que a pessoa seja salva. Ela não se enquadra no novo-nascimento, na nova criatura em Cristo que a Escritura afirma tornar-se após a regeneração do Espírito.
É possível que pessoas sejam regeneradas e mantenham erros doutrinários como o livre-arbítrio. Ele não sabe, não entende, não compreende, mas Deus opera e o santifica a Seu bel-prazer, no Seu poder e misericórdia (mantendo-o ignorante quanto a soberania), ainda que o salvo acredite que parte do que acontece é fruto da sua decisão ou esforço.
Como você disse são situações as quais Deus não nos revelou; apenas a Sua vontade.
Existem exemplos de pessoas que são eleitas e que não tiveram uma conversão fantástica como Paulo, por exemplo, Zaqueu, a mulher adúltera de João 8, a mulher do fluxo de sangue (Mc 5), a mulher encurvada de Lucas 13; e que, provavelmente, entenderam e conheceram a Deus através do ministério de Cristo, e da posterior proclamação do Evangelho.
Uma coisa para mim é certa: não se é preciso entender toda a cosmovisão cristã, mas o pressuposto de que só Cristo salva, e de que só Ele é capaz de salvar, esse é essencial, e sem Ele, o cristão professo não é eleito de Deus, por que em tudo, ele buscará a glória pessoal, mesmo que aparente creditá-la ao nosso Senhor.
Abraços
PS: Andas sumido do meu minifúndio. Não fique muito tempo sem comentar. Gosto de debater contigo.

Anônimo disse...

Tenho aprendido muito com a leitura deste livro e bastante esclarecedor são os apêndices, especialmente os do Dr. Greg Bahnsen: O Problema da Fé e O Cerne da Questão. Estou ansioso para ler o livro dele a ser publicado "Sempre Preparado". Parabéns pelo blog! Um abraço!

Osmar Neves, Brasília-DF.

Jorge Fernandes disse...

Osmar Neves,
Alegra-me muito a sua visita, e espero que não se resuma apenas a esta.
Sim, o livro do Farinaccio é esclarecedor em questões complexas como premissas, pressupostos e cosmovisões de uma maneira didática porém simples.
Muitos livros de filosofia são tão herméticos que se é quase impossível entendê-los em uma primeira ou segunda leitura, e para ser sincero, há alguns que nem mesmo o autor sabe do que está escrevendo. Dá vários tiros, acerta um ou dois "iluminados", e pronto, se torna o novo guia da intelectualidade.
Gosto muito da abordagem do Cheung também, porque ele é direto e respalda cada uma de suas afirmações pelo texto bíblico.
Ontem, comprei o livro do Ronald Nash: Questões Últimas da Vida, que aborda basicamente os temas deste livro e de alguns do Cheung que já li e postei. Em breve estarei a lê-lo, e a colocar os comentários aqui.
Abraços, e volte sempre.
PS: Minha leitura do livro do Farinaccio está meio arrastada por conta de outros dois livros que estou lendo simultaneamente, e pelos últimos dias em que fui acometido por uma infecção na gengiva. É que a dor estava tão forte, apesar dos remédios, que não estava conseguindo me concentrar em quase nada. Mas graças a Deus já estou bem, e voltarei a postar os comentários.

Anônimo disse...

Também sou fã do Cheung e estou ansioso pela publicação de "O Autor do Pecado". Só sinto um pouco de desconforto com a liguagem ríspida dirigida aos incrédulos, mas ele possui embasamento bíblico, tenho que aceitar. Eu tenho algumas dúvidas em relação à identificação da Revelação Divina (o fundamento de uma epistemologia defensável) com a Bíblia (a questão do cânon), mas como não escrevo em inglês(para me corresponder com ele), fico aqui na esperança de que futuramente ele aborde essa questão em alguns dos seus livros. Agora que o Monergismo se tornou também uma pequena editora, fiquei com preguiça de ler os livros em formato PDF, vou esperar as publicações, rsrs. Eu também adquiri o livro do Nash mas ainda não o li integralmente, só alguns trechos, e ele parece usar uma abordagem diferente do Cheung para o teste da verdade das proposições. O Nash talvez não esteja tão distante daquilo que convencionamos chamar de bom senso, já o Cheung é categórico no uso da Bíblia como o fundamento da racionalidade.

PS: Pretendo visitá-lo mais vezes sim, é raro encontrar irmãos que compartilham de nossas leituras e autores preferidos (o que é uma pena: acredito piamente que estamos no caminho certo enquanto o restante dos cristãos enveredam pelo irracionalismo). Melhoras aí com a sua infecção. Fica na Paz!

Osmar Neves

Jorge Fernandes disse...

Osmar,
Concordo consigo; também acho o Cheung as vezes excessivamente grosseiro. Mas entendo que, como Cristo, não há que se milindrar por não ser politicamente correto, como o próprio Senhor fez com os fariseus (raça de víboras, sepulcros caiados, etc).
O que não pode faltar na exortação e na repreensão é o amor por Cristo, pela palavra, e pelo incrédulo (pelo menos inicialmente, porque chegará o momento de abandoná-lo, quando o coração dele estiver totalmente endurecido). Persistir no debate com incrédulos renitentes significará duas coisas:
1- Lançar pérolas aos porcos;
2- Levá-los a blasfemar e aumentar a conta de pecados.
Portanto, como Paulo diz, após uma e outra repreensão, deixe-o.
Um forte abraço.

Jorge Fernandes disse...

Alguns conceitos:
1) O secularismo e o relativismo influenciam a sociedade a crer que deve-se haver separação entre igreja e estado, de tal forma que o estado laico (esta palavra foi distorcida a ponto de significar uma espécie de neutralidade mentirosa) é nada mais nada menos do que uma falácia, visto ser um estado antirreligioso, estabelecendo um sistema antirreligioso, com o objetivo de manter a atividade religiosa fora da esfera pública; ao passo em que institucionaliza a religião-estado.
2) O relativismo afirma que não há verdade absoluta com excessão da declaração de que não há verdade absoluta (simplesmente risível e ilógico).
3) A razão não está separada da fé, a razão baseia-se na fé, e ambas estão fundamentadas em pressuposições.
4) A fé é racional e lógica, pois está embasada em um conjunto de suposições da realidade, identificadas e justificadas.
Portanto, afirmar que a fé não é racional e que o secularismo é, faz-la contraditória em si mesma, visto que tanto as cosmovisões religiosas como as seculares baseiam-se no mesmo sistema de interpretação da realidade a partir de diferentes pressuposições. Logo, a fé não é irracional como muitos enganadoramente afirmam.
5) Tanto deístas e teístas com ateístas têm suas cosmovisões fundamentadas primeiramente na fé, ou seja, num sistema de crença religiosa, sendo que estes últimos intituiram o estado, a sociedade ou o homem como o objeto do seu culto, uma espécie de religião civil, secular.
6) Todos decidem-se por um sistema particular que explique a realidade, abraçando-o como verdadeiro. Isso se dá através da crença de que a verdade subentendida deve-se pressumir como verdade objetiva, e assim, é a melhor forma de explicar a realidade.
Esse conceito vale tanto para o materialismo ateista que se firma no pressuposto de que não há Deus, mas também do deus-acaso que gerou o universo, conhecido como teísmo hinduísta, o qual afirma ser a realidade física pura ilusão.
7) Como fica a questão dos fatos, tanto históricos como científicos para que se possa afimar a verdade de uma cosmovisão e a falsidade de outra?
Esta análise não pode depender de uma preferência pessoal, mas alicerçar-se na interação fé e razão que levará o indíviduo à compreensão da realidade, ou seja, compreendê-la, e não falseá-la.

Jorge Fernandes disse...

Ninguém pode reivindicar ser cristão se não tiver a convicção de que a Bíblia é a palavra fidedigna de Deus, baseada em sua própria autoridade. Ela, a palavra, se auto define como a revelação divina através da história.
Portanto, cristãos professos jamais poderão extrair de outras fontes concepções àcerca de Deus, do homem e do universo.
As crenças ortodoxas da Igreja estão firmadas nas reivindicações de verdade da Bíblia, e somente por ela são estabelecidos os seus preceitos e doutrina.

Jorge Fernandes disse...

O autor faz um sumário da natureza e atributos de Deus, bem como da doutrina do homem, passando pela Criação, Queda e natureza pecaminosa, concordante com a revelação escriturística.
Segue-se o resumo da doutrina da salvação providenciada por Deus aos Seus eleitos, através do sacrifício do Justo e Santo Jesus Cristo, o qual pregou os nossos pecados na cruz do Calvário.
Então a Bíblia é o relato verdadeiro da realidade em oposição às demais cosmovisões, as quais não são neutras, pois não há neutralidade filosófica nos pressupostos errôneos e falhos da visão metafísica da realidade (ateus, politéístas, deístas, etc).

Jorge Fernandes disse...

O autor aborda a veracidade da fé cristã a partir da veracidade da Bíblia, e somente o Cristianismo será verdadeiro se os princípios norteadores da Escritura forem-lhe intrínseco.
A Bíblia é o que afirma ser, a palavra de Deus, e como tal é suficiente para nos revelar o entendimento e a natureza de Deus, a Sua vontade, o que somos, assim como todo o universo.
Do outro lado, há várias formas de cristianismo que primam pelo desprezo às Escrituras como palavra divinamente inspirada. Eles se opõem aos pressupostos bíblicos e, como liberais, procuram pertinazmente desmistificá-la, tornando-a em mais um dos tantos livros escritos no decorrer da história humana; sem que haja qualquer superioridade dela em relação aos outros, sendo portanto um livro comum, ainda que possuíndo uma mensagem moralmente relevante (há aqueles que nem mesmo concordam com a relevância moral das Escrituras).
Eles repetem insistentemente as heresias que pontuaram a história, e sucubem ao mesmo erro que levaram Marcião, Montano, Origenes, Ário, Pelágio e tantos outros a afastarem-se ainda mais da perfeição e santidade do Evangelho.
Parte-se sempre do princípio de que as Escrituras não são infalíveis, inerrantes e divinamente inspiradas, mas um conjunto de relatos fantasiosos, fábulas humanas.
O cristão liberal tem uma atitude de descrença, escárnio e desprezo para com a Palavra, e em nome do racionalismo, do empirismo, da infalibilidade científica (não se declara, porém infere-se subliminarmente) reputam-na como resultado de manifestações culturais no decorrer dos séculos.
O objetivo será sempre o de negar Cristo e a Sua autoridade divina de Salvador, Senhor e Juiz. Então, qual a melhor tentativa para desqualificá-lO? Não é inabilitar o Evangelho? Com o intuito de redefini-lo, remodelá-lo ao padrão finito e questionável da mente caída do homem.
O autor conclui que o cristianismo "self-service" pode ser qualquer coisa menos o Cristianismo autêntico, aquele revelado pelas Escrituras, sem a corrupção imposta pelo homem.
Aos que se adequam ao cristianismo fisiológico, que renegam a Bíblia e sua mensagem divina, não lhes é dado chamarem-se cristãos, porque o conjunto de suas crenças é o antievangelho de Cristo, e não se pode ser igual a Cristo rejeitando-O. Na verdade, são irracionais e dissimulados.

Jorge Fernandes disse...

É impossível ao homem usar a si mesmo como ponto de referência para a verdade. Dada a sua condição finita, à sua mente limitada, partir de si próprio para levantar "proposições universais adequadas" é um sistema de crenças infundado, pois o homem não pode ser o padrão último a definir o que é verdadeiro ou não.
O homem não pode dar respostas finais a partir de si mesmo; mas a verdade absoluta é alcançada a partir de Deus (por isso o relativismo advoga irracionalmente a inexistência da verdade absoluta).
A Bíblia, portanto, é a revelação verdadeira do Deus infinito às criaturas finitas.

Jorge Fernandes disse...

Alguns conceitos expressos no livro:
1) "O cristão... afirma a validade da razão humana, mas sustenta que ela pode apenas ter um fundamento apropriado se, em primeiro lugar, for reconhecido que Deus o Criador existe, que ele tem se comunicado com a humanidade e que ele constituiu a nossa 'razão' uma ferramenta efetiva para a compreensão da linguagem e tudo o mais no mundo criado. Esse ponto de partida cristão não é uma suposição infundada. Segundo Romanos 1.19-21, todas as pessoas são constituídas de modo tal que conhecem os atributos essenciais de Deus, pois a criação grita a todos que ela, e mesmo eles, tem sido feitos por Deus" (pg 61).
2) "Nossa cosmovisão não apenas nos fornece uma imagem daquilo que é real, como também determina como nós pensamos saber que isso é real. Colocando de outra forma, nossa epistemologia (como nós pensamos que sabemos o que sabemos) está diretamente ligada à nossa metafísica (o que nós concebemos ser real)". (pg 63).
3) "O Cristianismo é provado verdadeiro pela 'impossibilidade do contrário'. Somente uma cosmovisão cristã arraigada na Bíblia, assumida como Palavra de Deus, é que fornece uma base segura para o conhecimento (epistemologia). O Cristianismo demanda o nosso compromisso intelectual porque somente a cosmovisão bíblica pode justificar o conhecimento verdadeiro" (pg 64).
4) "A melhor, a única e a absolutamente segura prova da veracidade do Cristianismo é que, a menos que a sua verdade seja pressuposta, não há prova de qualquer espécie. O Cristianismo é provado como o próprio fundamento da noção de prova em si" (pg 66).

Jorge Fernandes disse...

Na pg. 68, o autor pergunta: qual é o padrão mais adequado que nós devemos usar quando submetemos cosmovisões ao teste da verdade?
E responde: O fato inegociável é de que nossa cosmovisão está arraigada na fé.
Cristãos e não cristãos têm suposições inegociáveis, pelas quais se desenvolvem suas cosmovisões. Não existem pressuposições neutras.
Para julgar se determinada visão é ou não verdadeira o critério usado estará contido na própria cosmovisão.
Uma cosmovisão diferente da cristã usará como autoridade outra fonte que não a Bíblia.
Todas as cosmovisões, e não somente a cristã, se vale de reinvidicações da verdade para presumir a sua veracidade.
A cosmovisão da pessoa determina o padrão usado para fazer o teste de verdade das outras visões.
"Se a Bíblia é realmente a Palavra de Deus, sua Palavra é o padrão último para a verdade, e portanto, não será possível usar qualquer outra autoridade para testá-la.
Autoridades inferiores não podem ser usadas para testar autoridades superiores... provar a autoridades das Escrituras com base em algo diferente dela é refutar as Escrituras" (pg. 70-71).
"Não é possível a ninguém, incluindo cristãos, deixar de lado as crenças mais básicas ao mesmo tempo em que tenta justificar essas crenças mais básicas. Toda pessoa possui certas crenças fundamentais que não deixará de lado, mesmo na tentativa de justificar essas mesmas crenças. A Bíblia é apresentada ao homem como a autoatestadora e autoautenticadora Palavra de Deus. Essa suposição reside no própiro cerne da Teologia e da defesa da fé do Cristianismo. A Palavra de Deus se firma sobre a sua própria autoridade" (pg. 73).

Jorge Fernandes disse...

Sobre a questão "Deus e o mal":
"É plenamente consistente com a cosmovisão cristã crer que um Deus infinito tem um plano maior para o homem do que ele, em sua finitude, é capaz de conceber. Muito embora Deus não compartilhe conosco as razões pelas quais lhe aprouve permitir o mal no mundo atual, ele nos assegura de que o mal é uma condição temporal à luz da eternidade. Os cristãos têm refúgio e esperança nas promessas eternas de um Deus que é fiel e verdadeiro à sua Palavra. Eles olham à frente, vislumbram um futuro onde o mal é finalmente extirpado e onde as questões últimas são plenamente satisfeitas com o conhecimento completo que pode vir apenas de Deus" (pg. 80).

Quanto à afirmação do Farinaccio àcerca da questão "Deus e o Mal", sua posição é equilibrada, prudente, e evita entrar no verdadeiro âmago do problema, provando que a filosofia é incapaz de dirimi-lo.
De minha parte, contento-me com a afirmação bíblica de que "Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra? E que direis se Deus, querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para a perdição; para que também desse a conhecer as riquezas da sua glória nos vasos de misericórdia, que para glória já dantes preparou...?" (Rm 9.21-23).
Deus é a causa primeira, segunda, terceira e última (se é que há tantas causas, pois, creio que há apenas uma causa: a Sua vontade soberana). E, portanto, do ponto de vista filosófico há muitas nuances que envolvem a questão, sem que elas sejam verdadeiras (e sempre do ponto de vista humano). Não é mais sábio reconhecer que Deus é soberano e pode fazer o que bem entende e quer com as suas criaturas? E de que o fato dele assim proceder não o tornará injusto ou perverso (ao determinar o mal e a condençao sobre os "vasos da ira")?
O problema é que sempre estamos envolvidos com "nossas" verdades (as falácias humanísticas) em detrimento da verdade, a Palavra de Deus. Bastaria tão somente aceitá-la, mas seria reconhecer a nossa insignificância, e a maioria não está preparada para isso, especialmente nesse mundo seletivo e pragmático onde a idéia da supremacia do forte sobre o fraco infelizmente encontrou "guarita" dentro da igreja.
Porém, a verdade está lá, Deus faz o que quer com suas criaturas, e isso é o suficiente para cada um de nós reconhecer a glória e a majestade de Deus, mesmo na tragédia, na dor, na morte, no sofrimento, no pecado, e no mal.
Se não fosse assim, como explicar a expiação e o sacrifício savífico de Cristo na cruz do Calvário?

Jorge Fernandes disse...

Sobre "Ateísmo e Agnosticismo":
"O conhecimento de alguma coisa pela homem, em espeical de si mesmo, começa com o seu conhecimento de Deus. 'Deus fez o homem uma criatura racional-moral. Ele sempre será isso. Como tal, o homem é confrontado com Deus... Para não conhecer Deus, o homem teria de destruir a si mesmo'(Cornelius Van Til). É impossível interpretar racionalmente a natureza, a personalidade ou a experiência humana a partir de pressuposições ateístas; mas, no Cristianismo, há um fundamento metafísico sólido para isso" (pg 89).

Jorge Fernandes disse...

Sobre "Criação ou Evolução":
"Os naturalistas consideram que a natureza é soberana no sentido de não haver uma existência metafísica superior reconhecida. Eles creem que a natureza é autossuficiente, em que não depende de qualquer coisa exterior a ela. Eles também creem essencialmente que milagres ocorrem na natureza, sendo interrupções no modo como a natureza normalmente opera, a fim de que a macroevolução tenha lugar. Uma cosmovisão exclusivamente natural substitui a crença no Deus pessoal e sobrenatural das Escrituras por uma deidade impessoal e mística referida com frequência simplesmente como 'natureza'. As suposições de fé dos naturalistas, embora autorrefutáveis, são ainda as suposições religiosas preferidas da ciência moderna" (pg 102).
Ou seja, ao invés do Deus bíblico, Vivo e Verdadeiro, os materialistas/naturalistas acreditam na deusa natureza, o que os tornam em "crentes naturalistas", a despeito de toda a pretensa antireligiosidade de que alardeiam. No fim das contas, é crença e fé igual ao daqueles que divinizam as formigas sauvas.
Os seus paradigmas, e consequentemente os fatos, são interpretados mediante a fé, a crença de que o universo governa a si próprio com atributos sobrenaturais inerentes à própria natureza.
Portanto, a oposição dos naturalistas é ao teísmo porque, de certa forma, eles creem no deísmo, na natureza como poder autocriador e impessoal, o qual ironicamente é criação do Deus Único e Vivo, a qual está sujeita, logo, é uma deusa de "quinta", inferior e subjugada.

Jorge Fernandes disse...

Cap.: "Reflexões sobre as religiões do mundo"
-A fé reside no cerne de toda cosmovisão.
-Afirma-se que todas as religiões são expressões sinceras da fé das pessoas. Ou seja, todas as religiões são caminhos diferentes que levam ao mesmo céu.
-Há uma tendência de que as principais religiões do mundo ensinam basicamente as mesmas verdades.
-Apesar do desejo de que as religiões contenham características similares, elas ensinam coisas diferentes, porque em seu cerne todas elas são exclusivas.
-Crenças religiosas não deveriam nunca serem separadas da razão.
-A Bíblia ensina que visões não cristãs são inconsistentes, e apesar de fazerem reivindicações da verdade, elas fundamentalmente comprometem-se umas às outras.
Por exemplo, o Hinduísmo elimina toda a distinção entre "bem" e "mal" ao afirmar que "tudo" é "um", logo, bem e mal são um também.
-"As descrições hindus de Deus resultam sempre em formulações abstratas irracionais, contraditórias ou ininteligíveis. Ao tentar abrigar toda definição possível de Deus, o Hinduísmo tira o significado real de todas essas definições" (pg 114).
-"Se o monismo (tudo é um) é verdadeiro, uma pessoa poderia facilmente concluir que o panteísmo (tudo é deus) também é. O próprio homem seria considerado um deus. Não surpreende que isso seja exatamente o que uma pessoa encontra em muitos escritos de pessoas influenciadas pelo pensamento hindu. Esse é o cerne do Hindusísmo filosófico - a autodeificação. Um dos principais filósofos da Índia declarou de forma tão direta quanto possível que 'O homem é Deus num estado temporário de autoesquecimento'[Ravi Zacharias]. O desejo de ser Deus, com o poder de arbitrar o certo do errado, é exatamente o que levou Adão e Eva à desgraça, conforme a Bíblia" (pg 114).

[Para mim, todas as cosmovisões que não a cristã levam o homem a autodeificação, seja nas boas obras a fim de obter os favores de Deus, seja no materialismo que exclui Deus, e ao fazê-lo, coloca o homem em seu lugar, como o senhor de si mesmo. Apenas o Cristianismo bíblico (porque há os cristianismos antibíblicos) através da Palavra nos revela Deus verdadeiramente, como o Senhor Todo-Poderoso de tudo e todos, Criador do universo e Juiz de todas as coisas; e igualmente coloca o homem em seu devido lugar, o de criatura dependente e subsistente pelo poder, graça e misericórdia de Deus].

-"A Bíblia ensina que somente fé e obediência ao Ser que se revelou por meio das suas Escrituras é que leva à adoração genuína de Deus. Ela ensina que as religiões do mundo, e suas práticas, são apenas falsas criações do homem. A principal questão para as pessoas não deveria ser se essa mensagem as ofende ou não, mas se a Bíblia é ou não correta em sua representação do único Deus verdadeiro, que não quer deuses falsos perante a sua pessoa [Êx 20.1-6]". (pg 115).

Jorge Fernandes disse...

Cap.: "Conclusão"
-"Devemos nos apegar firmemente 'à cosmovisão cristã se quisermos que a argumentação, o raciocínio, a interpretação e qualquer outro elemento da experiência humana tenham sentido. Sem a suposição do teísmo cristão não haveria nenhuma base para crer na existência da ordem, conexão, previsibilidade ou necessidade em qualquer aspecto da experiência humana'[Greg Bahnsen]. O verdadeiro conhecimento e entendimento da vida começa com a sua Palavra"(pg 120).

Jorge Fernandes disse...

Apêndice 1: "O Problema da Fé" - Dr. Greg L. Bahnsen
-"Foi somente para vindicar a verdade de suas alegações e conceitos religiosos que Moisés desafiou os mágicos da corte de Faraó, e que Elias competiu e zombou dos sacerdotes de Baal no Monte Carmelo. Os profetas do Antigo Testamento sabiam que suas palavras seriam demonstradas como sendo verdadeiras quando suas previsões ou predições fossem cumpridas na História, para todos ver.
Quando Cristo apareceu, ele mesmo afirmou ser a "Verdade". Sua ressurreição foi um poderoso e maravilhoso sinal, fornecendo evidência para a veracidade de suas alegações e para a mensagem apostólica. A despeito do que os judeus e gregos pudessem pensar, escreveu Paulo, o evangelho é, de fato, a própria sabedoria de Deus, que destrói a arrogância da filosofia mundana (1Co 1.18-25). Ele disse que aqueles que se opõem ao evangelho são os que têm apenas um 'falsamente chamado conhecimento' [1Tm 6.20]" (pg 125).

Jorge Fernandes disse...

Continuação...
-"Quando os incrédulos repudiam o Cristianismo por seu suposto objetivo de irracionalidade religiosa, o apologista deve corrigir, decisivamente, esse conceito equivocado. A fé cristã não pretende afirmar o que é absurdo, deleitando-se na irracionalidade. Tal pensamento falsifica a natureza da fé como é apresentada pela Bíblia. A noção cristã de fé - diferente da maioria das outras religiões - não é um salto arbitrário de emoção, uma tentatgiva cega de comprometimento, um abandonar do intelecto. Para o cristão, a fé (ou crença) é bem fundamentada" (pg 126).
-"Uma série fundamental (baseada logicamente) de crenças - uma fé - é inescapável para qualquer um.
Os homens apenas se iludem quando dizem que não aceitarão algo sem prova ou demonstração - que não permitirão nenhum lugar para 'fé' em sua perspectiva ou no viver de suas vidas. Consequentemente, tais incrédulos que criticam os cristãos por apelarem à fé são hipócritas intelectuais - homens que não podem e não vivem de acordo com os seus próprios padrões declarados de raciocínio" (pg 128-129).
-"O que Huxley demonstra abertamente aqui é seu próprio comprometimento de fé com seu preconceito contra o Cristianismo. Tendo dito, por um lado, que o método científico não pode fornecer a verdade completa, ele dá a volta e, baseado na autoridade do suposto método científico, exclui completamente o conhecimento além do mundo natural. Por que Huxley elimina o tipo de evidência oferecida pelos cristãos para a sua fé (revelação de Deus)? Por causa de sua própria fé e devoção à ciência natural" (pg. 131).
-"O ponto principal, então, é que criticar a 'fé' irracional do cristão é, em si mesmo, nada mais que expressar uma fé religiosa diferente - uma fé que, de uma forma ou de outra, adota a autoridade última e a autossuficiência da mente e racioncínio humano. Isso é deveras 'fé' irracional, dada a triste experiência e história da humanidade - bem como as tensões racionais não resolvidas dentro da ciência e filosofia autônoma. (pg 134).

Jorge Fernandes disse...

Apêndice 2: Ateísmo: Uma Cosmovisão Irracional - Dr. Jason Lisle
-"O pensamento racional, a ciência e a tecnologia fazem sentido numa cosmovisão cristã. O cristão possui um fundamento para essas coisas; o ateu, não. Não que os ateus não possam ser racionais em certas coisas. Eles podem, porque também foram feitos à imagem de Deus e têm acesso às leis da lógica de Deus. Mas eles não possuem qualquer fundamento racional para a racionalidade dentro de suas próprias cosmovisões. Da mesma forma, os ateus podem ser morais, mas não têm qualquer fundamento para essa moralidade a partir daquilo em que alegam crer. O ateu é um embrulho ambulante de contradições. Ele raciocina e faz ciência, mas nega o mesmo Deus que faz o raciocínio e a ciência possíveis. Por outro lado, a cosmovisão cristã é consistente e dá sentido à experiência e ao raciocínio humano" (pg 139-140).

Jorge Fernandes disse...

Apêndice 3: "O Cerne da Questão" - Dr. Greg L. Bahnsen
- O autor faz uma distinção entre o crer e o saber. Uma pessoa pode crer em tolices, em algo sem sentido, e a sua defesa da fé não passará pelo crivo da razão, de apresentar refutações, e responder às objeções. Em suma, a sua fé não poderá ser investigada e nem fará parte de um debate por sua própria irracionalidade.
- "O simples apelo à necessidade de evidências observáveis não é decisivo. O motivo é que as crenças (ou pressuposições) mais fundamentais de uma pessoa determinam o que ela irá aceitar como evidência e determinam como essa evidência será interpretada" (pg 144).
- "Nossas pressuposições sobre a natureza da realidade e do conhecimento irão controlar o que aceitamos como evidência e como a vemos" (pg 145).
- "As cosmovisões determinam nossa aceitação e o entendimento dos eventos na experiência humana e, assim, desempenham o papel crucial em nossa interpretação de evidências ou em discussões sobre crenças fundamentais conflitantes (pg 145-146).
- O apelo à evidência e lógica será controlado pela respectiva cosmovisão conflitante do crente e do incrédulo.
- "De várias formas, o argumento fundamental proposto pelo apologeta cristão é que a cosmovisão cristã é verdadeira em razão da impossibilidade do contrário. Quando a perspectiva da revelação de Deus é rejeitada, o incrédulo é deixado em tola ignorância, porque sua filosofia não provê precondições de conhecimento e experiência significativas. Dizendo de outra forma: a prova de que o Cristianismo é verdadeiro é que, se não fosse, não poderíamos provar nada.
O incrédulo precisa de nada mais do que uma radical mudança de mente - arrependimento (At 17.30). Ele precisa mudar sua cosmovisão fundamental e se submeter à revelação de Deus para que qualquer conhecimento ou experiência tenha sentido. Ao mesmo tempo, precisa se arrepender de sua rebelião espiritual e de seu pecado contra Deus. Em razão da condição de seu coração, ele não pode ver a verdade ou conhecer a Deus de modo salvador" (pg 149).
- A tarefa da apologética é tirar a máscara do incrédulo, mostrar que ele realmente conhece a Deus - mas suprime a verdade em injustiça -, e que o conhecimento seria impossível de outra forma. A apologética, dessa forma, vai ao cerne da questão. Desafia o cerne da perspectiva filosófica do incrédulo e confronta o autoengano que se apossa do seu coração" (pg 151).