Após a leitura, classificarei os livros assim:
Péssimo [0] Ruim [*] Regular [**] Bom [***] Muito Bom [****] Excelente [*****]

A Vida De Deus na Alma do Homem (***)



Henry Scougal
Editora Pes
160 Páginas


O Dr. Wishart, diretor do King’s College, de Edimburgo, publicou uma edição deste livro em 1739 com um prefácio no qual diz: “Desde quando eu tive a felicidade de tomar conhecimento deste livro, venho bendizendo a Deus de coração pelo benefício que trouxe à minha alma, e tenho desejado ardorosamente que tão precioso livro tenha um lugar em todas as famílias.” Ele continua: “E, imagine, meus irmãos, quão ruborizados havemos de ficar ao sabermos que o digno autor deste livro o compôs antes dos vinte e sete anos de idade!” (Scougal faleceu com vinte e oito anos!) Em seu livro, Os Puritans: Suas Origens e Seus Sucessores, Dr. Martyn Lloyd-Jones afirma: “John Wesley... achou o famoso livro de Henry Scougal – The Life of God in the Soul of Man (A Vida de Deus na Alma do Homem). Não é uma obra sobre a teologia mística, entretanto contém a mesma idéia geral de um conhecimento vivo e verdadeiro de Deus... O livro de Scougal influenciou não somente Wesley, mas também Whitefield e todos os membros do Clube Santo.”

4 comentários:

Jorge Fernandes disse...

Scougal era um puritano escocês que viveu no séc. XVII. Foi professor de filosofia e teologia na universidade de Aberdeen, e pastoreou 02 igrejas em sua breve vida.
O presente livro foi uma carta escrita a um amigo, explicando-lhe sobre o cristianismo, como a verdadeira religião.
Há o prefácio original da primeira edição (1739) pelo rev. G. Burnet, uma breve biografia do autor, e o apêndice com o livreto "Regras e Instruções para uma Vida Santa", do Arcebispo de Glasgow Robert Leighton.

Jorge Fernandes disse...

Scougal apela para o significado de vida para definir a verdadeira religião.
Segundo ele, Deus não pode se satisfazer com o cristão que obedece aos princípios divinos forçosamente, ou por aqueles que o fazem por condições ou exigências externas (o formalismo social e o medo do inferno, p. ex.).
A condição para que a obediência agrade a Deus é a sujeição por amor, agradecimento, em caráter de louvor por tudo o que Ele é e faz na vida do crente.
Da mesma forma, o domínio dEle sobre o crente é o alvo do agrado do servo, ao compreender que não há a menor hipótese de se ter um senhor melhor do que Cristo; não por falta de opções, mas por que o Seu senhorio é justo, santo, amoroso e perfeitamente incomparável.
Em suma: o servo se renderá alegremente, reconhecendo que a obediência a Deus é a única coisa verdadeira e santa a fazer, e que dará frutos eternos para ele.

Jorge Fernandes disse...

"A Vida..." é um livro devocional, ainda que tenha alguns aspectos didáticos, mas sobretudo uma doxologia a Deus.
Aqui encontramos as doutrinas bíblicas básicas como a Queda e depravação humana, o sacrifício salvífico e a expiação vicária de Cristo, a redenção do homem caído, o novo-nascimento, santidade, etc.
A linguagem do autor é poética, encaixando-se na proposta doxológica da obra, ainda que alguns termos e passagens possam deixar uma idéia dúbia quanto à obra de salvação e santificação, se completamente de Deus ou com a co-participação do homem.
Ao lê-las deve-se ter em mente que Scougal escreveu com a perspectiva humana, usando uma linguagem humana (assim como a Escritura), e, portanto, apela para a razão e a compreensão do homem.
No geral, fica claro que ele não crê na co-participação da criatura na obra de salvação e santificação, a qual é exclusiva do Criador.

Jorge Fernandes disse...

Da mesma forma, fica-se com a impressão de que Scougal diferencia perigosamente o domínio de Deus sobre os homens. Se para o bem, na realização da boa obra, os homens estarão sujeitos à vontade divina, sendo por ela motivados e induzidos a realiza-la. Se para o mal, o domínio de Deus não existe, o que indica uma disposição do homem de executá-lo à revelia e mesmo contra a vontade divina.
Isso é dualismo, e flagrante blasfêmia contra a soberania de Deus, porém, não é a intenção do autor. Como disse no comentário acima, ele se utiliza de uma linguagem humana, do ponto de vista humano, o que é lógico e bíblico.