Após a leitura, classificarei os livros assim:
Péssimo [0] Ruim [*] Regular [**] Bom [***] Muito Bom [****] Excelente [*****]

O Eterno Marido [****]




Fiodor Dostoieviski
Editora 34
216 Páginas


"Escrito em 1870, O Eterno Marido é o mais bem-acabado dentre os romances curtos de Fiódor Dostoiévski e considerado por Boris Schnaiderman, reforçando a opinião de André Gide, uma obra-prima da maturidade do autor. O ponto de partida dessa narrativa é o reencontro, após quase uma década, do O Eterno Marido , Páviel Pávlovitch Trussótzki, agora viúvo, com o ex-amante de sua mulher, Aleksiéi Ivânovitch Vieltchâninov..."

Um comentário:

Jorge Fernandes Isah disse...

Demorei um pouco para ler o livro, verdade seja dita, especialmente por conta de outras leituras prementes e necessárias, como para as aulas na EBD da minha igreja; e o tempo, que não anda muito generoso.
Então, postei o livro do "Dosty", li as orelhas e a contra-capa, e sempre que dispunha de algum tempo, olhava-o, mas tinha de me dirigir para outros exemplares. E acabou ficando para trás...

Há dois dias, contudo, decidi-me a iniciá-lo, e... não pude parar. É, certamente, o livro mais divertido que já li de Dostoiéviski. Ele permanece lá, mas de uma forma, digamos, mais saborosa, quero dizer, mais palatável. As descrições dos personagens e lugares continuam, mas numa profusão menor de palavras. Há mais diálogos e cenas rápidas, com cortes abruptos. A história é digna dos melhores folhetins, e dá para perceber porque ele é considerado o pai do movimento existencialista e do absurdo. Sem o exagero da maioria dos adeptos desses movimentos; e escrevendo como nenhum deles foi capaz de escrever.
Ele está irônico, mordaz e muitas vezes engraçado como nunca esteve em outro livro, ao menos, nos que já li, uns quatro, além deste.
A história é sobre o reencontro do "eterno marido" [aquele que não pode viver fora do casamento, mas não passa de um acessório para a esposa, um componente quase de decoração] e o amante da sua ex-esposa, após nove anos de separação.
Como todo folhetim, há um permanente clima de suspense, de delírio, obsessão, tragédia: a intensidade sem a qual ele não seria o que é.
O "Eterno Marido" surpreendeu-me ao revelar um quase "outro" Fiódor. Com isso não quero dizer que ele seja diametralmente oposto ao que estava acostumado a ler, mas ele mostrou-me elementos ficcionais até então desconhecidos, para mim.
Como disse, este é o 5o. livro de "Dosty" que li, e, ainda que, provavelmente, eu não o tenha lido adequadamente por falhas "leitorais", reputo-o como um dos três maiores. Preciso ler, e reler o que já li, para tentar, de alguma forma, fazer jus à sua obra monumental.
Fica a indicação para quem ainda não conhece o velho e bom "Dosty" desbravar sua obra, talvez, iniciar por este título [ou mesmo iniciados que não o leram ainda].
Garanto que não se arrependerá.