Após a leitura, classificarei os livros assim:
Péssimo [0] Ruim [*] Regular [**] Bom [***] Muito Bom [****] Excelente [*****]

Linguagem e Mito - Ernst Cassirer

Por que ler este livro de Cassirer? Ele é neokantiano e representa a escola antropológica darwinista do fim do século XIX. Seu livro ajudará o missionário a compreender as mudanças que ocorreram na Antropologia do século XX, além disso, Cassirer traz farto material cultural advindo do trabalho missionário realizado naquela época. Este livro é uma ótima oportunidade de entender tanto o kantismo e o neokantismo e suas diferenças e, principalmente, ver a criação de uma Teoria dos Símbolos a partir da Filosofia Transcendental e da cosmovisão evolucionista. Embora Cassirer faça parte de uma escola que priorizava o estudo da lógica, a maioria dos seus livros expunha sua preocupação com a cultura. 

Ainda que discordemos de seu arcabouço teórico, as pesquisas missionárias trazidas pelo autor confirmam o que até hoje podemos encontrar nos Campos: o pensamento mítico e sua imbricação com a linguagem; o poder místico e simbólico da Palavra; a identificação do nome com o seu respectivo deus, sentimento ou demônio; a transferência ou identificação do poder da Palavra para algum instrumento (totem, ritual, xamanismo, etc); e, enfim, aos tradutores da Bíblia, Cassirer oferece casos em que a escolha errada de nomes para o Deus cristão não permitiu que o povo se relacionasse pessoalmente com Deus, transferindo sua crença numa força impessoal para o Deus pregado pelos missionários. Muitos dos casos narrados por Cassirer eu pude constatar no meu próprio trabalho missionário, desde a troca dos nomes durante a vida dos indivíduos, o totemismo, o xamanismo, até o esforço de se “achar” palavras que não promovam o sincretismo tão presente no trabalho evangelístico. 

Acredito que a exposição feita por Cassirer (independente dos seus pressupostos), contribui para confirmar que o pensamento mítico é presente em todas as sociedades que se julgam portadoras de um pensamento teórico e discursivo. Na verdade, e esta é a tônica do meu curso de Comunicação Transcultural e Contextualização, o símbolo se apresenta no meio da sociedade contemporânea com a mesma força que nos primórdios e cabe aos missionários cristãos, seja numa França e Alemanha pós-cristãs, seja num povo aborígene no interior do Amazonas, compreenderem isso caso queiram evangelizar em amor ao seu próximo. Para a resenha do livro, clique aqui. Boa leitura! 

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