Após a leitura, classificarei os livros assim:
Péssimo [0] Ruim [*] Regular [**] Bom [***] Muito Bom [****] Excelente [*****]

Fédon - Platão

Além deste artigo, que irá se limitar ao tema símbolo/signo em Fédon e a fazer um resumo das principais ideias do livro, deverei escrever mais dois artigos posteriormente: 1) para o tema da semiótica em Platão em todas as obras vistas até aqui e 2) sobre um tema que me instigou na leitura de Fédon, que é um possível erro de Sócrates na sua argumentação e o que, na verdade, nos levaria a concluir que a alma não é imortal. Para este artigo, contudo, irei me limitar ao tema do símbolo/signo.

A pergunta em Fédon ainda é a mesma que instiga os outros livros resenhados até aqui: como é possível conhecer? A resposta de Sócrates se dá na construção de uma série de premissas que, uma vez aceitas, vão levando o interlocutor a avançar de uma conclusão para uma próxima premissa. 

         É neste contexto que surge o símbolo/signo por meio da metonímia da lira. Como já disse neste artigo aqui, o símbolo é uma palavra overloaded, por isso mesmo, em Fédon, símbolo e signo se confundem, mas sobre essa “confusão” devo tratar no próximo artigo em que apresentarei o tema da semiótica em todas as obras platônicas já resenhadas até aqui neste blog. O que para este momento interessa é a ideia apresentada por Sócrates, a partir do exemplo da lira, de que as pessoas “tomam uma coisa pela outra”: o símbolo é aquilo que está no lugar de outra coisa.

         A lira (ou a roupa, ou um perfume, etc) é, para os amantes, algo que faz com que eles se lembrem de uma outra coisa. Ao ouvir uma música, não é a música o foco único e principal, mas, como um trampolim, a música funciona para lançar a mente para outra coisa, para lembrar de outra coisa, que não é a música em si, por exemplo. Neste contexto, o símbolo/signo é o que permite que o ser humano entenda o mundo e consiga conhecer as coisas. Nas palavras do próprio Sócrates, ao vermos o símbolo, nós o percebemos de uma outra maneira e não somente aquele objeto que foi captado pelos nossos sentidos.

         O símbolo, portanto, causa em nós, ou melhor, no nosso pensamento lembranças de uma outra coisa. A estas lembranças Sócrates dá o nome de reminiscências. Então é no pensamento que a semiose se dá, porque o símbolo/signo desperta reminiscências, desperta um conhecimento, faz com que percebamos que já havíamos entrado em contato com aquilo, mas de uma outra maneira. Sócrates está alegando que, antes de nascermos, já havíamos entrado em contato com o Mundo das Formas (a alma já existia) e, quando nos deparamos com os símbolos/signos, somos relembrados desse conhecimento pregresso. São essas reminiscências que tornarão possíveis (re)conhecer no mundo as similaridades e as diferenças entre as coisas, podendo agrupá-las e separá-las segundo o conhecimento.

         Por que reconhecemos coisas belas e feias? Por que conhecemos coisas justas e injustas? Grandes e pequenas? Altas e baixas? Porque nosso pensamento já esteve em contato com os arquétipos presentes no Mundo das Formas. Aliás, é a tese já apresentada aqui nas resenhas anteriores de Platão. Ora, também é inevitável que, ao ler Fédon, eu me lembre de outros dois artigos que fazem referência ao tema (veja só como que as tais reminiscências acabaram por lançar meu pensamento a outros artigos por meio do símbolo): “O mundo é a imagem de algo” e “O tempo é a imagem de algo”.

         Parece que, até aqui, tudo concorda com o que vimos nas resenhas anteriores de Platão. Ledo engano: não apenas precisamos escrever mais um “artigo de transição” para entendermos melhor a teoria dos signos de Platão, mas, principalmente, acompanhar o pensamento de Sócrates em Fédon e comparar com as outras obras platônicas para reconhecermos um erro na lógica socrática, uma contradição, que, uma vez compreendida, nos levará à conclusão de que ele falha ao defender a imortalidade da alma.

       Para acessar a resenha completa da obra, clique aqui. O blog "Bibliotheca de Semiótica" pretende ser um banco de resenhas para interessados e missionários que trabalham com outras culturas. Assim, é característica da "Bibliotheca" que, durante os resumos dos livros, eu faça comentários sobre as ideias do autor, concordando ou refutando, para que o leitor possa encontrar uma crítica e auxílio para a formação do seu próprio pensamento. Boa leitura!     

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