Após a leitura, classificarei os livros assim:
Péssimo [0] Ruim [*] Regular [**] Bom [***] Muito Bom [****] Excelente [*****]

Pode o Homem Viver Sem Deus? (**)


Ravi Zacharias
Ed. Mundo Cristão
ESGOTADO!

4 comentários:

Jorge Fernandes disse...

Ravi Zacharias é um dos maiores apologetas da atualidade. Por todo o mundo, ele ministra palestras e debates defendendo a existência de Deus, e os princípios cristãos.
Neste livro, em sua primeira parte, ele faz uma defesa da idéia de Deus a partir de analogias morais e filosóficas. Há de se reconhecer o seu esforço, seu vasto conhecimento, seus pressupostos filosóficos (a maioria baseada em Aristóteles), e a defesa apaixonada de Deus.
Apesar de haver alguns "buracos", no conjunto ele é convincente, porém, nem tanto eficiente.
Pode parecer que estou contra Zacharias, o que não é verdade. Mas a questão é que não creio em apologética sem Cristo e Seu Evangelho. Ideais filosóficos e estéticos são bons para se promover debates, para a discussão acadêmica, para inflar egos, mas nunca conversões. Alguns me dirão que Paulo demonstra conhecimento dos filósofos gregos em suas pregações. Concordo. Provavelmente, o apóstolo, como um homem extremamente culto, um erudito em sua época, conhecia profundamente os filósofos gregos, como os judeus e outros tantos. Mas não vejo Paulo usando "sabedoria de palavras, para que a cruz de Cristo se não faça vã" (1Co 1.17), pelo contrário, como ele mesmo disse, a única coisa que lhe interessava era pregar a Cristo, e este crucificado, visto que Ele era escândalo para os judeus e loucura para os gregos (1Co 1.23).
O fato de Paulo conhecer filosofia e citá-la parcamente (e ainda assim, de forma indireta) não nos dá o direito de substituir a pregação do Evangelho por ciências humanistas, amoldando e acondicionando a Palavra a conceitos e teses humanas. Isso é pecado, esvazia a mensagem de Cristo, tornando-a refém da nossa mente caída, e ineficiente diante dos homens.
Paulo, como Pedro, João, Tiago e todos os apóstolos eram apologetas. Mas o eram com a mente de Cristo, e não com suas mentes imperfeitas; evangelizavam pela pregação da Palavra. Se não há pregação, como crerão aqueles que não crêem?(Rm 10.14-15).
Por isso, quase desisti de continuar a ler a primeira parte de "Pode o Homem viver sem Deus?".
Por mais convincente que Ravi fosse em sua argumentação, não via muitas possibilidades de que alguém pudesse crer diante da sua exposição. Pelo fato de não ser o Evangelho, seus pressupostos filosóficos eram passíveis de refutação. E ao revelar a verdade como um conceito filosófico, tornava-a contra-argumentável.
Contudo, na segunda parte do livro, o autor da "nome" à Verdade: Jesus Cristo, o Deus Filho! E começa a expôr a Verdade através do Evangelho. Então, fica evidente e patente a solidez de suas argumentações, e como torna-se ímpossível contradizê-las (apesar do quê, para os escandalizados e loucos com a cruz, somente há oposição na loucura e soberba do homem caído, abandonado por Deus).
Resta-me agora continuar a lê-lo, esperando que não mude de foco, pois, somente através da ação do Espírito Santo pela Palavra, ateus e todos os tipos de incrédulos se curvarão diante de Cristo, reconhecendo-O como Deus, Senhor e Salvador de suas almas.

Jorge Fernandes disse...

Há alguns inconvenientes nos postulados filosóficos/psicológicos com os quais Ravi sustenta a existência de Deus, e Cristo como a única solução para o homem. Nitidamente, ele não quer expor o Evangelho em sua totalidade, e acaba por delinear Cristo com tintas suaves demais.
O Evangelho parte de um único fato: que Deus é santo e o homem pecador, e que esse homem está debaixo da ira de Deus, a qual somente Cristo pode aplacar, e sem Cristo o homem está e será condenado eternamente. O problema é que Ravi toca no assunto, mas de uma forma leve, tentando atenuar ao máximo o ímpacto que a revelação da verdade pode gerar no leitor.
Ele não se omite em revelar a sua fé, nem em quem crê: Jesus Cristo; mas,aparentemente, fica-se com a idéia de que essa é a sua opção, e de que pode haver outra (não digo que Zacharias frauda a sua fé, fazendo-a parecer descartável ou moldável. Não é isso. Ele refuta qualquer idéia de Deus contrária ao Evangelho de Cristo. Mas, talvez, o tom conciliatório e o apelo excessivamente intelectual o distancie muito de uma exposição pastoral e evangelística).
Ao citar os casos de "conversão" ele emite este sentido, passando uma idéia de transformação ou mesmo de adequação do homem às mudanças que Deus opera nele. Novamente, Ravi não quer impactar o leitor com algo "primitivo" como uma conversão.
Abordando a questão da corrupção do homem e sua natureza pecaminosa, Zacharias acerta, ainda que não se aprofunde no conceito bíblico da queda e do pecado.
O livro daria uma boa discussão numa sala de bate-papo virtual ou não, mas não sei se levaria um incrédulo (ateu ou não) à conversão.
Oro para estar errado.

Jorge Fernandes disse...

Sinceramente, onde sobra conceitos e inferências, falta fé; e sem fé é impossível agradar a Deus (Hb 11.6)

Anônimo disse...

Existe algo que não foi observado aqui na analise da obra em questão e eu gostaria de lembrar os leitores.
Estive vivendo na Europa por alguns anos e como estudo Apologética Cristã pude ver um problema típico de livros traduzidos sem ter o mesmo contexto / publico. Vou explicar o que quero dizer: Para uma sociedade européia, sínica quanto a fé cristã, alérgica a apelos e a sutís referências da bíblia e a qualquer palavra que a lembre - a abordagem filosófica faz-se necessário. A lógica tem sido a melhor maneira ate o presente momento para dar a liberdade aos europeus e apelar a eles de uma coerência na fé cristã.
Alemães e Ingleses por exemplo gostam de tomar a decisão por si mesmos, e apelos como fazemos no Brasil não são coerentes na realidades deles.
Bem simples - Ao falar com chineses e japoneses, europeus, hindus, budistas e principalmente muçulmanos, nossa abordagem precisa ser adaptada.
Quer tirar essa duvida? Seja missionário em algum desses lugares e voce verá a diferente modalidade na abordagem.