Após a leitura, classificarei os livros assim:
Péssimo [0] Ruim [*] Regular [**] Bom [***] Muito Bom [****] Excelente [*****]

O Autor do Pecado (*****)


Vincent Cheung
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"A primeira metade desse livro é uma coleção de breves artigos que tratam principalmente com a soberania divina, com a liberdade humana e as doutrinas da graça. Esses artigos explicam a e aplicam meu pensamento a contextos e questões particulares, e como tal, suplementam apropriadamente o que escrevi anteriormente...
A segunda metade desse livro consiste de três artigos publicados anteriormente. Os tópicos desses artigos são consistentes com o tema em geral do livro, e, portanto, considerei apropriado colocá-los juntos com os outros artigos nesse volume" (Extraído do prefácio do livro, edição disponível em pdf).

16 comentários:

Jorge Fernandes disse...

Deus é o autor do mal (assim começa Cheung o seu livro, uma coletânea de artigos copilados), mas nem por isso o cristianismo é falso nem o homem inocente. Então, o cristianismo permanece verdadeiro, porque em nenhum lugar das Escrituras está escrito que se Deus é o autor do pecado o cristianismo é uma farsa.
Da mesma forma, em nenhum lugar das Escrituras encontramos a afirmação de que o homem sem liberdade é inocente.
Não há versículo que afirme a impossibilidade de Deus ser o autor do pecado; igualmente, não há também um que impossibilite o homem de ser culpado se ele não for livre.
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"Se Deus diretamente te faz pecar, isto faz dele o 'autor do pecado'... mas o 'pecador' ou 'praticante-do-erro' ainda é você" (pg. 5).
Mesmo ao controlar o "tentador" (satanás) e o "pecador" (homem), Deus é justo por definição.
Em Isaías 45 fica claro que não existe nenhuma espécie de dualismo, visto Deus ser o criador de tudo, e a origem primeira e última de todas as coisas, quer boas ou más. Porque a Bíblia nos revela que Deus tem o direito de fazer exatamente tudo o que quer, e Ele faz exatamente tudo o que quer.

Jorge Fernandes disse...

Cheung diz que o foco da Bíblia não é se Deus criou o mal e o pecado, mas a Sua soberania e majestade, porém, não há nada nas Escrituras que nos proiba de dizer que Deus é o autor do mal.
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O mal não foi criado por Deus do nada; quando se diz que Deus é o autor do pecado, refere-se ao controle que exerce sobre todas as coisas por Ele já criadas.
O homem peca por causa de sua natureza má, mas essa natureza é criada por Deus e cada pessoa é gerada segundo o modelo do Adão caído.
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A verdade bíblica é: Deus é o soberano e justo autor do pecado. Visto que a lei foi criada por Ele para os homens, e não para Si; portanto, Ele não está sujeito à lei, a menos que crie uma que o sujeite. Então, Deus não peca e não pode pecar, e sim o homem que está sob a autoridade justa e reta de Deus.

Jorge Fernandes disse...

Por que Deus criou o mal?
Uma resposta é: Para manifestar a Sua ira. Os repróbos são criados para que os eleitos sejam disciplinados (educados) e edificados através de um contexto que revele a ira de Deus, ou seja, esse aspecto da Sua natureza divina.
Como os eleitos foram salvos da ira de Deus por Cristo, e jamais a experimentarão, este atributo de Deus deve ser demonstrado a eles em outras pessoas (Rm 9.19-24).
Esta explicação causará desgosto em alguns, mas é o claro ensinamento bíblico. Causará horror àquele que está mais preocupado com a dignidade e honra do homem do que com o propósito e a glória de Deus, mas os que têm a "mente de Cristo irromperão em gratidão e reverência, e afirmarão que Deus é justo, e que todas as coisas que ele faz são boas também" (Pg 13).

Oliveira disse...

A explicação dele em dizer, baseado em Romanos, que a existência do mal é um contexto que Deus criou para mostrar a sua Ira..... é muito boa. A melhor que eu já ouvi.

Jorge Fernandes disse...

Natan,

A maioria dos Calvinistas contentam-se em explicar Rm 9 como um mistério. E, sinceramente, foi a primeira vez que vi a explicação de um autor objetivamente sobre Rm 9. A questão da ira de Deus por si só já é um tabu entre os crentes, os quais imaginam que o Senhor não abomina o pecado e o pecador (abominar tem o sentido de odiar mesmo).
Este também é outro problema da teologia atual, crer que Deus odeia o pecado mas ama o pecador. Isso só acontecerá no caso dos eleitos, os que são e serão regenerados pelo sacrifício de Cristo na cruz, pois, ao restante dos homens está-lhe reservado a ira de Deus.

Jorge Fernandes disse...

O compatibilismo entende que Deus traça um plano soberano, o qual chamamos de causas primárias que, através das causas secundárias, a vontade do homem se realiza. Portanto, Deus é soberano em estabelecer o plano geral, mas os detalhes (secundários) pelo qual o plano (primário) se desenvolve, dependerá da vontade ou volição do homem, o que constitui uma incoerência e dualismo.
Alguns afirmam que os atos bons praticados pelo homem são causados pela graça de Deus (causalidade externa), e que todos os atos maus do homem são causados por suas ações "livres" (causalidade interna).
Desta forma, Deus é soberano apenas em relação à causa primária ou última, enquanto o homem é responsável pelas causas secundárias, ou o meio pelo qual aquelas realizar-se-ão (compatibilismo). Assim, o plano de Deus depende da suposta liberdade do homem, a fim de que as causas secundárias fomentem-se, e então, o seu plano seja "executável". Sem a vontade "livre" do homem o plano se frustrará.
Desta forma, tem-se a idéia de que as causas secundárias seriam auto-criadas e auto-causadas (dualismo).
Porém, essa vontade interna do homem é determinada e totalmente controlada por Deus, de tal forma que, assim, as causas secundárias serão efeitos da ação externa de Deus na mente, pensamentos e ações humanas, assegurando a realização do plano divino, sem a menor hipótese de resistência ou obstrução dos Seus desígnios imutáveis.
Então, os pensamentos e ações humanas não são livres, mas sujeitos completamente à vontade de Deus, porque não se pode ser "livre de Deus" em nenhum sentido, e também, não há como ter o "livre-arbítrio" em nenhum sentido, "no contexto de discutir o determinismo divino" (pg. 20).

Jorge Fernandes disse...

SUMÁRIO:
1) Afirme o determinismo divino absoluto;
2) Negue toda liberdade humana;
3)Baseie a responsabilidade moral humana no decreto soberano de Deus de julgar a humanidade, e não na suposta liberdade do homem;
4) Responda as objeções:
a- Afirme que Deus é justo por definição;
b- Negue a premissa injustificada, "responsabilide pressupõe liberdade" (pg. 22).

Isto é bíblico, coerente, simples e defensível.

Jorge Fernandes disse...

Algumas definições:

1)Determinismo "suave": Deus tem o controle "parcial", coexistindo com o controle "parcial" do homem. O que dá a idéia de duas forças, dois poderes atuando no mundo. Assim, o plano de Deus não pode ser determinado, certamente realizável, contudo, ele é indeterminado (ainda que parcialmente). É um conceito não-bíblico. Dualista. Compatibilista.

2)Determinismo pleno: Deus controla tudo e todos, e sua vontade é plenamente realizável, não havendo chance de ser frustrada. Não há outra força ou poder, mas Deus tem o poder absoluto, e tanto o bem como o mal são controlados por Deus. É o conceito bíblico. Não dualista.

3)Fatalismo: São eventos pré-ordenados por forças impessoais a despeito dos meios, não importando o que a pessoa faça, o resultado será sempre o mesmo.

4)Determinismo teológico: O Deus pessoal da Bíblia pré-determinou inteligente e imutavelmente todos os eventos, inclusive, os pensamentos, decisões e ações humanas, predestinando tanto os fins como os meios para os fins.

5)Panteísmo: Afirma que tudo é Deus. Não tem nada a ver com o determinismo, o qual afirma o controle e causalidade de Deus sobre tudo, sobre toda a criação, a qual não é Deus. Portanto, o determinismo não pode ser confundido com o panteísmo.

Jorge Fernandes disse...

Não existe contradição ou antinomia entre a soberania de Deus e a responsabilidade humana.
Na verdade, se existe uma suposta contradição no texto bíblico, essa antinomia existe apenas na mente do leitor; visto que as Escrituras não se contradizem.
A suposta contradição existe porque a pessoa não pode afirmar verdadeiramente uma proposição até que entenda corretamente o seu significado.
Uma proposição mal-entendida torna-se uma proposição não-bíblica na mente da pessoa. Por isso a pessoa vê uma aparente contradição nas Escrituras.
Novamente: não há antinomia entre a soberania divina e a responsabilidade humana mas, se se incluir, por exemplo, a premissa "responsabilidade pressupõe liberdade", elas se contradirão, porque a premissa é falsa.
"A chave, então, é entender corretamente o que a Escritura diz e evitar adicionar a ela idéias falsas que não vêem da Escritura de forma alguma" (pg. 31).

Jorge Fernandes disse...

A questão da liberdade humana é algo interessante e tratado de forma direta por Cheung.
Parece repetitivo, mas é algo que se deve reafirmar: na verdade, para que o homem seja livre é mister estabelecer-se "livre de quê". O pretenso livre-arbítrio humano o libertará de Deus, e se crer que o homem pode ser livre de Deus o fará uma força antagônica a Ele, capaz de se opor e de sobrepujá-lo em Sua vontade. Assim, o homem se investe de uma "aura divina", de um poder capaz de anular o poder supremo de Deus.
Se isso não é heresia, não sei o que mais pode ser; além do quê, é a base do dualismo.
Mas, o arminiano (e o teísta-aberto) dirá: Deus em Sua soberania abriu mão dela em favor da liberdade humana. Mas onde isso está escrito? Em qual versículo vemos Deus abrir mão de Sua soberania e poder em favor do homem?
Isto é uma falsa dedução a partir de uma inverdade, da qual o arminiano (e o teísta-aberto) quer se beneficiar.
O grande problema é que arminianos e calvinistas inconsistentes apegam-se à questão da liberdade humana para justificar a 0responsabilidade por seus atos, ou seja, para que o homem possa ser condenado é necessário que ele seja livre para pecar. Da mesma forma, o homem acaba "escapando" da condenação e da ira de Deus por seus próprios méritos em "escolher livremente" a Cristo. Isso é salvação por obras, e não pela graça de Deus.
Porém, Deus criou a Lei Moral e determinou que todo aquele que descumpri-la será considerado culpado. Simples. Ele não afirmou que apenas os "livres" seriam culpados, e nem mesmo estabeleceu a liberdade como condição de responsabilidade, mas apenas a transgressão e o pecado.
Por definição, o homem é culpado mesmo se induzido, coagido e obrigado a pecar, não tendo nenhuma relação entre responsabilidade e liberdade.
Este é o ensino bíblico e verdadeiro.

Jorge Fernandes disse...

Não entendi o porquê do cap. sobre a "Perseverança dos Santos" no livro que aborda a questão do autor do pecado e do mal. Talvez porque a perseverança dos santos esteja diretamente ligada à soberania de Deus, assim como tudo o mais no universo. Talvez o propósito do Cheung seja outro, e só o saberei ao final. De qualquer forma, é um assunto fundamental à fé cristã, e que deve ser abordado bíblicamente, como tudo o mais.

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É interessante perceber como as verdadeiras doutrinas bíblicas eram entendidas e compreendidas pelos crentes em número muito maior do que se compreende atualmente. O conhecimento de Deus e da Sua Palavra é a demonstração eficaz do poder de Deus em sustentar e conservar os salvos eterna e infalivelmente, mantendo-os em perpétuo estado de salvação em Cristo nosso Senhor.
Cheung derruba e desqualifica a idéia herética do "crente carnal" que muito sucesso faz hoje na igreja: "... é 'blasfêmia' dizer que um homem pode ser um verdadeiro crente e ao mesmo tempo estar sem o 'espírito de santificação'. Todos aqueles que 'obstinadamente' continuam em impiedade nunca foram convertidos, mesmo que eles reinvindiquem serem crentes" (pg. 83)

Jorge Fernandes disse...

Há uma síntese sobre a "Perseverança dos Santos" em muitas confissões reformadas, como a Escocesa, de Heidelberg, Helvética, Westminster, etc; as quais enunciam e anunciam que, um salvo jamais perde a sua salvação, não por obras próprias do homem, mas pelo poder soberano, e pelo eterno decreto de Deus que salvou o homem pelo sacrifício substitutivo de Cristo na cruz, regenerou-o, santificou-o e garantirá para sempre a sua condição de salvo, da qual ele jamais cairá.

Jorge Fernandes disse...

Cheung faz uma distinção interessante entre a palavra "perseverança" (a qual dá a idéia de que é o crente que persevera e sustenta a sua salvação) com a palavra "preservação" (quando Deus é quem preserva o estado de salvo do crente, capacitando-o e garantido que jamais irá "perder" a salvação uma vez decretada na eternidade).
Conforme Filipenses 1.6, o termo preservar se encaixa plenamente na mensagem do versículo (e por extensão, de toda a Bíblia) de que Deus iniciou, aperfeiçoa e concluirá a boa obra iniciada em nós, os santos em Cristo Jesus.
Portanto, a nossa preservação deve-se completamente ao nosso Senhor, jamais a nós mesmos. Por Ele somos salvos e mantidos salvos desde o princípio até sempre.

Jorge Fernandes disse...

Cheung conclui o cap. sobre a "Preservação dos Santos" abordando alguns temas soteriológicos, como a doutrina da eleição (e, por conseguinte, da reprovação), da redenção, regeneração, certificação e santificação.
A descrição é clara e recheada por versículos bíblicos comprobatórios.
Outro ponto rebatido pelo autor são as objeções arminianas, as quais são refutadas do ponto de vista teológico, bíblico e ético.
Capítulo fundamental para o entendimento correto da soteriologia bíblica.

Jorge Fernandes disse...

Algumas ponderações sobre "ofertas voluntárias e livre-arbítrio":
1) Para que o homem possua o livre-arbítrio é necessário que ele seja completamente livre de Deus, e do controle de Deus. Portanto, para que houvesse o livre-arbítrio humano seria necessário que Deus não fosse soberano e exercesse influência sobre a vontade e o pensamento do homem.
2) A confusão está no fato de que, o arminiano lê versículos que se referem à liberdade humana em relação a outros seres e coisas e não a Deus. O homem tem uma liberdade relativa, pois nenhuma outra criatura (incluindo satanás) poderá controlá-lo completamente e em intensidade como o controle divino absoluto sobre os pensamentos e ações humanas.
3) Liberdade não pressupõe responsabilidade. Não somos livres em relação a Deus, mas somos responsáveis em relação a Ele exatamente por não sermos livres e estarmos sob a Sua autoridade. É a autoridade de Deus que assim determinou a subordinação do homem a Ele que nos faz responsáveis.
4) O erro é achar que a soberania divina e a liberdade humana são compatíveis "porque o homem age de acordo com o seu desejo mais forte, jamais compelido por Deus ou qualquer outro, a pensar ou agir contra sua vontade. Mas se, como a Escritura ensina, o controle de Deus sobre o homem é tão imediato e exaustivo, controlando diretamente a vontade e o desejo humanos, então o homem não é livre de Deus, embora sua vontade nunca seja forçada contra seu desejo. O ser humano nunca é forçado não por ser livre, mas por não ser livre de modo que é tão completamente controlado por Deus, que até mesmo sua vontade e desejo são controlados por ele, não restando nada para Deus forçar... Deus é soberano e o homem não é livre. Bendito seja o nome do Senhor!" (pg. 106).

Jorge Fernandes disse...

É impressionante como a mensagem bíblica é simples e direta, sem os artifícios e malabarismos humanos.
Ao contrário da maioria dos teólogos que se aventuram a "não responder" as questões mais "complexas" das Escrituras, Cheung não se esquiva, tornando a pretensa complexidade em simplicidade, sem apelar para o "mistério" e o "paradoxo" como uma "explicação" inexplicável.
É um livro revelador e que glorifica a Deus, ao aceitar completamente a Sua soberania, total e inquestionável sobre tudo o que Ele criou, inclusive o homem.
Em meio à confusão doutrinária, Vincent Cheung descreve a verdade bíblica, clara e insofismável.