Após a leitura, classificarei os livros assim:
Péssimo [0] Ruim [*] Regular [**] Bom [***] Muito Bom [****] Excelente [*****]

Vencendo o Mundo (****)


Joel Beeke
Editora Fiel
215 páginas

Joel Beeke nos ajuda a entender os perigos do mundanismo - definindo-o e chamando a atenção para seus ardis e sutilezas - e demonstra como a piedade e santidade são o antídoto para esse mal letal.
Abordando a necessidade se oferecer uma resposta bíblica a esse problema, o autor serve-se de uma perspectiva prática, desenvolvendo este livro em quatro mensagens:
* O que é o mundanismo e como vencê-lo por meio da fé em Jesus Cristo.
* A piedade: uma resposta abrangente ao problema do mundanismo.
* Santidade: um antídoto ao mundanismo.
* Pastores vencendo o mundo.
Este é um livro necessário, cuja mensagem deve ser conhecida e entendida por todos os cristãos - principalmente aqueles que estão em posição de liderança frente à igreja.

8 comentários:

Jorge Fernandes disse...

O pr. Beeke fala apropriadamente do mundanismo, como uma "peste", um "flagelo" na igreja. Muitos poderão taxá-lo de fundamentalista (no sentido de reacionário, ultra-conservador, extremista), mas a própria palavra de Deus afirma que os crentes devem se considerar em constante guerra com o mundo. Não há de ser condescendente, nem manter uma relação amigável, nem há qualquer tipo de interesses comuns entre os que são filhos de Deus, salvos pelo sangue de Cristo derramado na cruz, e aqueles que estão no mundo, os quais são filhos de Satanás.
É claro que há posições divergentes. Muitos crêem que os cristãos poderão se apropriar daquilo que de bom a cultura, a ciência, a educação seculares podem nos oferecer. Creio ser isso evidente, pois somos beneficiados pela tecnologia, pela medicina, pelos avanços em todas as áreas do conhecimento humano, as quais acontecem apenas e somente pela graça e vontade de Deus.
Portanto, não vejo o porquê de rejeitarmos aquilo que o mundo realiza de bom, e que são dádivas do Criador para os homens (para todos os homens, porque Ele usará ímpios para abençoar os santos e vice-versa).
Contudo, há de se ter uma separação do crente com as práticas que afrontam a Deus e Sua santidade. Ambientes, programações e interesses que infringem a Lei Moral devem ser abominadas e repelidos prontamente (bares e danceterias,por exemplo).
Infelizmente, muitos cristãos têm se deixado seduzir pelos apelos do mundo e, progressivamente, têm permitido que o pecado entre em suas vidas e as consuma. O que acaba transformando muitas igrejas em "parque de diversão" do diabo, onde ele se diverte zombando dos que o consideram inofensivo, dos incautos e estultos que são ludibriados pela perversão que há em seus corações.
Ao considerarem algumas práticas malignas como inofensivas, como fruto da "evolução cultural da humanidade", não se apercebem de que são dominados pelo prazer ilícito, pelo desejo obsceno, pela imoralidade, e, anestesiados, têm suas mentes e corações cauterizados pelo pecado, desprezam a Deus, ainda que tentem se convencer de que continuam servindo-O, quando são escravos de si mesmos e do maligno.
Joel Beeke nos alerta a não nos descuidar com o pecado, o qual é sutil e malévolo, e quer sempre que nos rebelemos, nos insurjamos contra Deus, o que, no final, será a nossa destruição.

Jorge Fernandes disse...

Na 2a. parte, o pr. Beeke analisa a teologia de Calvino quanto à vida e prática cristã.
Somos informados de que a piedade, como prática cristã, evidencia-se pelo conhecimento de Deus através de Sua palavra a qual o crente tem de viver e vivenciá-la (testemunhar) ao mundo.
Desta forma, o servo estará glorificando a Deus, o que, antes de tudo, representa a sua sujeição e obediência aos preceitos e mandamentos que o Senhor nos deu e que nos são revelados na Escritura Sagrada.
Sem a Bíblia seria impossível conhecer a vontade divina, seus desígnios, e sabermos de que forma obedecê-los.
Então, o crente, através da piedade, revela ao mundo a glória de Deus, a qual se dá pela união espiritual entre Cristo e os eleitos, entre Ele que é a Cabeça e a Igreja, o Seu corpo. É assim que Joel Beeke diz:
"A comunhão com Cristo se realiza tão-somente por meio da fé produzida pelo Espírito. É uma comunhão real, não porque os crentes participam da essência da natureza de Cristo, e sim porque o Espírito de Cristo une os crentes tão intimamente a Cristo, que eles se tornam carne de sua carne e ossos de seus ossos. Do ponto de vista de Deus, o Espírito é o vínculo entre Cristo e os crentes. De nosso ponto de vista, a fé é o vínculo. Esses pontos de vista não se chocam, uma vez que uma das principais realizações do Espírito é produzir a fé em um pecador" (Pg. 49).

Jorge Fernandes disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Jorge Fernandes disse...

Não concordo com a questão das ordenanças, as quais, tanto Calvino como Beeke, vêem um toque especial e individual de Deus no crente, uma garantia de Sua promessa.
Vejo que isso acontece quando da conversão, quando o Espírito Santo passa a habitar em nós e desfrutamos da Sua direção, e dia a dia sentimos a Sua mão a orientar-nos, santificar-nos, utilizando-nos como instrumentos para a Sua glória.
Não consigo ver na Escritura uma espiritualização das ordenanças além do que elas representam para a Igreja, um memorial:
1)O batismo do crente simbolizando a morte para o mundo e o novo nascimento para Deus, e a vida eterna na Sua glória;
2) A Ceia do Senhor é a lembrança da morte, ressurreição e da volta do Senhor Jesus em glória nos fins dos tempos.

Não creio em "superpoderes" das ordenanças, até porque muitos dos que participam não são eleitos e, portanto, já estão condenados, mesmo que sejam batizados 200 vezes e participem de 1.000 celebrações da Ceia do Senhor.
O que não implica em sua inutilidade, já que são mandamentos de Cristo para a Sua Igreja, realizados pela Igreja, como lembrança da esperança viva que há em Deus e em Suas promessas, as quais a Igreja desfrutará por toda a eternidade.

Jorge Fernandes disse...

O livro aborda várias questões relacionadas com a vitória do crente sobre o mundo (quem planejou, ordenou e executou a vitória foi o próprio Deus, a qual se realiza em nós e por nós. Por isso, ela pode, de certa forma, ser considerada como uma conquista do crente). A começar pela conversão, a qual é obra realizada inteiramente por Cristo na cruz do Calvário e pelo Espírito Santo em nós.
Assim, por Cristo, somos a uma só vez justificados (temos os pecados perdoados, e a vida eterna garantida) e santificados, novas criaturas para as quais o mundo está morto, enquanto vivemos para a glória de Deus.
É claro que a santificação não implica que os eleitos não mais pecarão, mas o pecado operará como instrumento para nos achegar a Deus, arrepender-nos, clamar por misericórdia, para que o Senhor nos capacite a ser santos como Ele é, pois a boa obra iniciada em nós há de se concluir até o dia de Cristo.
"A santificação se refere ao processo pelo qual o crente é conformado, cada vez mais, a Cristo, em seu coração, comportamento e devoção a Deus. A santificação é um refazer contínuo do crente, por meio do Espírito Santo; é a permanente consagração do corpo e da alma a Deus. Na santificação, o crente oferece-se a si mesmo como sacrifício a Deus Isso não ocorre sem grandes lutas e progresso lento. Exige a limpeza da corrupção da carne e a renúncia do mundo. Exige arrependimento, mortificação e conversão diária" (Pg 51).

Resumindo: Os crentes são justificados para adorar a Deus em santidade de vida.

Jorge Fernandes disse...

A parte "3" trata exclusivamente da santidade, sem a qual ninguém verá a Deus (Hb 12.14).
Santo quer dizer separado. Como Deus é santo, Ele é separado de toda a Sua criação. Assim, toda a criação de Deus, o bem e o mal, estão separados de Deus, não são "extensões" dEle, como afirmam alguns, nem subsistem e vivem nEle, como afirmam outros.
A criação vive pelo poder de Deus, o que é bem diferente.
Então, Deus é (e está) separado de toda a Sua criação, ainda que ela seja derivada do Seu atributo de onipotência; porém, como Deus é perfeito, puro e justo, está separado de Sua criação que não possue a perfeição, a pureza, e justiça divinas, sendo então imperfeita, impura e injusta.
As obras de Deus não são Deus, ainda que existam por Deus, logo, pertencentes a Ele e sujeitas à Sua vontade (tanto para nascer, viver ou morrer), sem que possam "contaminá-lO", antes é o Senhor quem as santifica.
Por isso a Bíblia afirma que todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus (Rm 3.23). Mas graças a Ele, Cristo, o Cordeiro sem pecado, morreu na cruz e ressuscitou para que, os eleitos, diante de Deus, estivessem alvos e mais brancos do que a neve (Sl 51.7), sem nenhuma mácula sequer, santos como santo é o nosso Deus.
A santidade é um processo que inicia quando da regeneração que o Espírito Santo opera em nós, como uma boa obra iniciada e que atingirá o ápice na eternidade, quando o nosso corpo corruptível se transformar em incorruptível, e formos semelhantes a Cristo nosso Senhor (1Co 15.52-53); quando não haverá mais morte, nem pecado.
Deus operará a santidade nos Seus filhos através da incorruptível "palavra de Deus, viva, e que permanece para sempre" (1Pe 1.23).
Portanto, a santidade é algo inalcansável para nós, somente o Senhor é quem pode nos tornar e fazer separados do mundo, e ligados a Ele; tirados do meio da Sua criação, de entre as criaturas corruptíveis, somos feitos filhos adotivos por Cristo, e assim mantidos pelo Seu poder e graça eternamente.
Então, de certa forma, somos nós que alcançamos a santidade (não é Deus quem a alcança por nós; já que Ele é e sempre foi santo, e não precisa alcançar nada, pois é e sempre foi o soberano Senhor do universo); Deus nos capacita, nos habilita e transforma para sermos santos. A obra é dEle, mas nós é que somos feitos santos, e, portanto, santificados.
Então, devemos sempre buscá-la, clamar ao Senhor que nos transforme a cada dia, para que, através de nós, Ele seja ainda mais glorificado por nossa santidade.

Jorge Fernandes disse...

Alguns trechos colhidos do texto, os quais, de certa forma, resumem a maneira com que devemos tratar a questão da santidade. Cumprindo-os, estaremos nos santificando, descumprindo-os, permanecemos retidos no lamaçal do pecado. Vamos a elas:

"De modo concreto, o que você deve cultivar? 1) a imitação do caráter de Jeová; 2) a conformação à imagem de Cristo; 3) a submissão ao Espírito Santo" (Pg 86).

"Esforce-se para pensar os pensamentos de Deus, em harmonia com Ele, por meio de sua Palavra; para ter uma mesma mente com Ele, viver e agir como Deus quer que você o faça" (Pg. 87).

"Não almeje a conformação com Cristo como uma condição de salvação, e sim como um fruto da salvação já recebida pela fé... pois Ele é a fonte e o caminho da santidade" (Pg. 87).

"Ele (Espírito Santo) dá forças para vivermos de um modo santo, pela sua habitação e influência em nossa alma. Se vivemos pelo Espírito, não satisfaremos os desejos de nossa natureza pecaminosa (Gl 5.16). Pelo contrário, viveremos em obediência ao Espírito e dependência dEle" (pg.89).

"Procure cultivar um crescente ódio para com o pecado, como pecado, pois esse é o tipo de ódio que Deus possui contra o pecado. Reconheça que Deus é digno de obediência não somente como Juiz, mas especialmente como um Deus de amor" (Pg.94).

"Aquilo que lemos, a recreação e o entretenimento nos quais nos envolvemos, a música que ouvimos, as amizades que estabelecemos e as conversas que temos - tudo isso afeta nossa mente e deve ser julgado à luz de Filipenses 4.8" (Pg. 97)

"Não se torne vítima da síndrome do 'mais uma vez'. Obediência deixada para depois é o mesmo que desobediência. A santidade de amanhã implica a impureza de hoje. A fé de amanhã é incredulidade agora. Almeje não pecar, de maneira alguma (1Jo 2.1); suplique o poder de Deus para trazer todo pensamento cativo à obediência de Cristo (2Co 10.5)"-Pg 99.

Jorge Fernandes disse...

O presente livro é indicado para todos aqueles que desejam viver santamente, segundo os princípios bíblicos, praticando-os não como uma resposta ao mundo, mas em agradecimento e honra a Cristo nosso Senhor.
O pr. Beeke aponta os erros, desleixos e incompreensões que muitos de nós temos na nossa relação com o mundo, e que acaba por nos sujeitar ao mundanismo, e afasta-nos da santidade, de sermos conformados à imagem de nosso Senhor e Salvador.
A última parte do livro é uma exortação a que os pastores vençam o mundo, não fazendo dos seus ministérios algo menos do que servir a Deus e à Igreja.
Qualquer semelhança do pastorado com o profissionalismo secular é a corrupção e inadequação do pastor ao ministério; e é ilícito que, tanto ele como qualquer crente, andem atrás das coisas vãs.
Como Cristo disse, busquemos primeiro o Reino de Deus e Sua justiça (Mt 6.33).