Após a leitura, classificarei os livros assim:
Péssimo [0] Ruim [*] Regular [**] Bom [***] Muito Bom [****] Excelente [*****]

Cachorros de Palha [***]




John Gray
Editora Record
256 páginas




O autor desafia os conceitos do antropocentrismo em um livro polêmico, celebrado pela intelligentsia britânica. Faz uma devastadora crítica da crença no progresso, na superioridade humana sobre outras espécies analisando o cenário filosófico contemporâneo. John Gray é autor de Falso amanhecer e Al-Qaeda e o que significa ser moderno, publicados pela Record. “Para os que gostam de filosofia rápida e furiosa”.The Independent

5 comentários:

Osmar Neves disse...

Li um livro intrigante nesse final de semana (6 e 7/11/2010): "Cachorros de Palha" http://www.record.com.br/livro_sinopse.asp?id_livro=19308 do John Gray, professor de Pensamento Europeu na London School of Economics. Mas antes de falar sobre o livro, uma digressão: por mais que elogiemos o livro "A Soberania Banida" http://www.editoraculturacrista.com.br/produtos.asp?codigo=601 do Bob Wright, na minha modesta opinião jamais iremos superestimá-lo. É incrível como o livro me forneceu subsídios para avaliar os mais diversos temas: estudos sobre a estrutura da realidade, concepções sobre a natureza humana, reflexões sobre os mecanismos da volição, correntes filosóficas as mais diversas, exegese bíblica, fundamentos da moralidade, etc, o livro é maravilhoso!

Outra digressão aqui: é uma pena que "Confrontações Pressuposicionais" do Vincent Cheung ainda não esteja disponível em formato tradicional de livro, só em PDF. Reputo esse livro o autêntico "Novo Organon" dos tempos modernos (detratores do Cheung dirão que estou exagerando e sendo bajulador mas não me incomodo. Tenho conhecimentos elementares de Epistemologia e acho que sei o que estou dizendo). Como diria o Cheung, todo sistema filosófico e/ou cosmovisão é alicerçado sobre pressupostos básicos e esses sistemas serão verdadeiros se os pressupostos sobre os quais são construídos se mostrarem verdadeiros (nada exemplifica melhor essa afirmação do que a parábola de Cristo sobre a casa construída sobre a areia. Assim são também os sistemas filosóficos: só permanecem de pé se estiverem alicerçados em fundamentos inabaláveis).

Agora, falemos sobre o "Cachorros de Palha" do John Gray.
O livro é estruturado em capítulos dividos em temas conexos. É como se fosse uma coletânea de pequenos textos de um blog reunidos por temas afins, sendo que cada tema dá nome a um capítulo do livro. O título do livro é tomado de uma citação de Lao Tsé do livro Tao te Ching: "Céu e terra não têm atributos e não estabelecem diferenças: tratam miríades de criaturas como cachorros de palha” (o cachorro de palha era esmagado após a finalização de rituais de meditação). Partindo de pressupostos naturalistas, com recorrentes menções a Darwin e ao darwinismo, ele estabelece uma verdadeira demolição das utopias iluministas. Segundo ele, não há justificativa para a moral, o senso estético, as noções de consciência e individualidade. O homem é um bicho que veio do nada e vai a lugar nenhum. O Cristianismo é simplesmente primitivo e bárbaro e as crenças iluministas são apenas ilusões cristãs sob outra roupagem. Para ele, os iluministas quiseram o conforto da esperança cristã sem a metafísica cristã.
Continua [...]

Osmar Neves disse...

[...]

É impressionante o que ele faz com as ideias de Platão, Aristóteles, Rosseau, Marx, Nietzsche e outros. Ele nem mesmo pode ser considerado um anarquista pois os anarquistas possuem alguns propósitos, enquanto ele só fica naquela crítica destrutiva de tudo quanto existe sem propor nenhuma alternativa. Num certo sentido poderíamos até classificar a sua cosmovisão de naturalismo coerente, o naturalismo levado às suas mais lógicas consequências, com um único senão: é impressionante como ele não consegue olhar para o próprio umbigo e avaliar a sua cosmovisão à luz dos seus próprios pressupostos. Pois se o naturalismo fosse verdade, ele (John Gray) jamais saberia que tinha encontrado a verdade, jamais saberia realmente qualquer coisa. Num certo sentido, o naturalismo de Gray é semelhante ao delírio de alguns fanáticos e místicos que dizem terem descoberto a verdade, não conseguem explicar de modo coerente as suas crenças e nem imaginam que possam estar equivocados, e tentam impor as suas crenças ao restante das pessoas. São aquelas pessoas que após uma iluminação ou experiência arrebatadora, dizem ter encontrado a verdade e querem que os sigamos sem resistência.
Os argumentos do Gray são muito interessantes, principalmente para dar uma sacodida no humanista que não refletiu seriamente sobre as implicações de sua crença, mas baseam-se em pressupostos equivocados. Para um contraponto cristão eu sugeriria o Questões Últimas do Cheung e o Soberania Banida.
Lendo o livro do John Gray, lembrei-me de Francis Schaeffer que dizia ser o Cristianismo a verdade verdadeira, a única cosmovisão que se encaixava na realidade. Verdade não apenas sobre salvação mas sobre todos os aspectos da realidade, a verdadeira resposta para as questões da metafísica, epistemologia, ética e estética. O cristão certamente se lembrará da resposta de Pedro a Cristo registrada em João 6.68-69: "Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras de vida eterna. Nós cremos e sabemos que és o Santo de Deus".

Um abraço!
Contato: wilsan.neves@ig.com.br

Osmar Neves disse...

Eu só esqueci de mencionar o que seria a minha conclusão (considero o livro de bom para muito bom, a demolição das ilusões humanistas é impressionate - os pressupostos naturalistas levados ao pé da letra)

Jorge Fernandes Isah disse...

Osmar,

ótima resenha. Até deu vontade de ler o livro.

Obrigado por sua contribuição, em especial, por concordar em publicar as resenhas dos livros que está lendo aqui.

Grande abraço!

Cristo o abençoe!

Osmar Neves disse...

Jorge,

Eu é que agradeço a oportunidade de compartilhar as minhas reflexões. São produtos do meu desenvolvimento intelectual e creio, da ação do Divino Espírito na minha vida. Eu adoro ler e peço a Deus que me ajude a aprender sempre mais e a expressar uma visão cristã sobre os temas dessas leituras. Espero que essas reflexões sejam úteis aos irmãos e que redundem em crescimento e edificação para aqueles que por aqui navegam. E que em tudo Cristo seja glorificado! Amém!