Após a leitura, classificarei os livros assim:
Péssimo [0] Ruim [*] Regular [**] Bom [***] Muito Bom [****] Excelente [*****]

Teologia do Antigo Testamento [***]


Walter C. Kaiser Jr.
"Nesta Teologia do Antigo Testamento o autor aceita a autoridade e a integridade da Bíblia e nela procura o tema central, em torno do qual é organizada. Parte da premissa que esse tema organizador é a promessa de Deus.A partir dessa tese, analisa o texto sagrado segundo suas divisões cronológicas, relacionando o tema da promessa a cada época. Na última seção, examina as relações existentes entre a teologia do Antigo Testamento e a do Novo Testamento" (Sinopse da Editora).

6 comentários:

Jorge Fernandes disse...

Kaiser Jr. descreve os vários métodos utilizados no decorrer da história recente pelos teólogos do A.T. (o tipo estrutural baseado na Teologia Sistemática de Walther Eichrodt; e o historicismo de Gerhard von Rad, por exemplo).
A busca é pela resposta: há unidade e uniformidade no texto do A.T.?
Kaiser demonstra que não só há como também existe autoridade nele. No momento em que cada vez mais o texto bíblico está exposto a métodos exegéticos que desacreditam, corrompem e diluem a mensagem divina, tais como a moralização, a alegorização, a psicologização, a reinterpretação e espiritualização do texto, os quais Kaiser chama de "abominação", faz-se necessário aplicar a contextualização interna, ou seja, o texto do A.T. é interpretado à luz da teologia dos períodos que precederam-no, oferecendo tópicos análogos ou idênticos, palavras-chaves em comum, e levantando outros interesses teológicos semelhantes.
Desta forma, segundo o autor, o próprio texto do A.T. é capaz de se auto-interpretar, sem que se tome com base elucidativas o N.T. ou outros textos e idéias subsequentes ao A.T.
Para Kaiser usar deste método é o mesmo que "um ato de rebeldia contra o autor e sua reinvindicação de ter recebido autoridade divina para aquilo que relata e conta".
Na minha opinião, apesar de ver em Kaiser a reverência e o respeito pelas Escrituras como a única revelação de Deus, as quais todo estudioso da Bíblia deveria ter, não concordo que se deva diferir o N.T. do processo exegético e interpretativo do A.T., com o risco de, ao fazê-lo, tirar a autoridade e unidade da Bíblia. Até porque o Espírito Santo, como o seu autor, escreveu-o através dos diversos autores e nos mais de mil anos em unidade, onde a mensagem é única: a reconciliação de Deus com o homem; a promessa de que este homem transformaria-se de criatura condenada à perdição eterna em filho de Deus, por intermédio exclusivo do sacrifício expiatório do Senhor Jesus Cristo no Calvário.
Portanto, a revelação do A.T. somente se fará coerente se realizada à luz do N.T., tornando-se inteligível, verdadeira e exegeticamente válida.

Jorge Fernandes disse...

O autor pergunta: Qual o centro teológico do Cânon?
A resposta é a Aliança de Deus com os homens. Mas esta Aliança não é com todos os homens, mas com o Seu povo. Ela foi estabelecida primordialmente com Abrãao e Davi.
O plano de Deus indica um descendente, uma raça, uma família, um homem, uma nação, uma terra, e uma bênção, as quais serão eternas (Gn 3.15; 9.25-27; 12.1-3; 17).
Elas são o propósito de Deus, o Seu plano único revelado no decorrer da história através do desenrolar de eventos que demonstram a unidade da mensagem, e a interelação entre as interpretações, enunciando a sua origem divina; não apenas durante a vida daquelas gerações de destinatários, mas como uma herança também às gerações futuras.
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Após a Queda do homem no Éden, Deus restabelece a comunhão rompida pelo pecado, através da promessa de que o descendente, a semente da mulher (Cristo), esmagaria a cabeça da serpente (símbolo do Mal, do pecado, da rebelião e ruptura da comunhão entre Deus e o homem).
Esta é a Aliança que estabelecerá primeiramente com Adão, depois Noé, e, sobretudo, com Abrãao, o qual é o pai de muitas nações (não apenas etnicamente mas espiritualmente).
Deus é quem estabelece os Seus descendentes, os quais serão os herdeiros da promessa, para que assim sejam o Seu povo, e Ele seja o seu Deus (Jr 31.33).
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Kaiser nos apresenta o padrão ortodoxo de exegese do Antigo Testamento, cuja premissa é a infalibilidade, inerrância e inspiração divina (pelo menos é o que se percebe inicialmente).
Assim, desta forma é capaz de se interpretar corretamente o que os escritores nos relataram inspirados pelo Espírito Santo, a mensagem de que a Aliança de Deus com o Seu povo é eterna, e Ele cumprirá rigorosamente a Sua promessa.

Jorge Fernandes disse...

- A teologia está arraigada na história, numa ordem definida de eventos.
- A narrativa segue o mesmo padrão de seletividade e ênfase dos enventos, havendo o princípio e o entendimento únicos quanto à promessa de Deus revelada por Sua obra, a qual foi registrada pelos escritores veterotestamentários.
- A revelação de Deus através dos eventos históricos é a própria vida do povo de Israel.
- Os apóstolos do N.T., através de suas cartas, eram os interpretes dos Evangelhos e Atos dos Apóstolos. Da mesma forma, os profetas interpretaram a obra salvífica de Deus, reconhecida na realidade histórica de Israel.

Jorge Fernandes disse...

Esboço da teologia do A.T:
1) Prolegômenos à Promessa - Era Pré-Patriarcal:
- Principais eventos: Criação, Queda, Dilúvio e fundação de Babel;
- Principais figuras: Adão e Noé;
- Gênesis de 1 a 11 tem de ser tratado de forma direta (literal) à altura do que nos foi revelado por Deus.
2) Provisões Na Promessa - Era Patriarcal:
- Ênfase: o Deus de Abraão, Isaque e Jacó: o Deus dos Patriarcas;
- Deus falava diretamente, de forma pessoal com os patriarcas.
3) O Povo da Promessa - Era Mosaíca:
- Principal figura: Moíses
- Revelação de Israel como nação separada, santa, através da instituição por Deus dos meios morais, cerimoniais e civis para que se cumprisse essa vocação.
4) O Lugar da Promessa - Era Pré-Monarquica:
- Principais figuras: Josué e Samuel;
- Conquista da terra de Canaã;
- Cumprimento seminal da promessa à Abraão;
- Período de transição da nação de Israel;
- Deus fala raramente naqueles dias.
5) O Rei da Promessa - Era Davídica:
- Principal figura: Davi;
- Davi reina por 40 anos sobre Israel, que tem um rei segundo o coração de Deus;
- Davi é uma figura de Cristo, o qual domina sobre o Reino eterno que jamais terá fim.
6)A Vida na Promessa - Era Sapiencial:
- Principal figura: Salomão;
- Salomão reina por 40 anos e constrói o templo;
- "A vida podia ter agora significado, prazer e unificação com valores e compromissos eternos".
7) O Dia da Promessa - Século Nono
- Principais figuras: Obadias e Joel;
- Os profetas focalizaram a sua atenção sobre o plano e Reino de Deus em seu alcance mundial;
- Julgamento de Deus sobre os pecados de Israel;
- Previsões brilhantes sobre o domínio e governo eternos de Deus (por e em Cristo);
- Promessa do Dia do Senhor, quando se reconhecerá a obra de salvação e julgamento como causadas exclusivamente por Deus.
8) O Servo da Promessa - Século Oitavo:
- Principais figuras: Amós, Jonas, Oséias, Isaías e Miquéias.
- Dominada pela forma do "Servo do Senhor" (Cristo/Isaías 40 a 66), da descendência de Abraão/Davi.
9) Renovação da Promessa - Século Sétimo:
- Principais figuras: Sofonias, Habacuque, Jeremias e Naum;
- Julgamento de Deus sobre Judá por causa da sua impiedade;
- Promessa da "Nova Aliança" (em Cristo/ Jeremias 30 a 33); e de que Deus habitaria no meio do Seu povo.
10) Reino da Promessa - Tempos Exílicos:
- Principais figuras: Ezequiel e Daniel;
- o "Bom Pastor" vindouro reinaria sobre um Israel unido, e Seu domínio jamais passaria, pois seu Reino seria eterno.
11) O Triunfo da Promessa - Tempos Pós-Exílicos:
- Principais figuras: Esdras/Neemias, Éster, Ageu, Zacarias e Malaquias;
- Triunfo completo da pessoa, poder e obra de Deus;
- Reedificação do Templo;
- O Rei está para vir, montado num jumento, e trazendo salvação (Zc 9.9);
- Visão messiânica do Reino de Deus na terra.

Jorge Fernandes disse...

A revelação progressiva de Deus na história de Israel desenvolvia-se numa corrente contínua, numa sucessão regular de eventos, a culminar com a chegada do Messias e Seu Reino, mantendo intacta a Sua teologia (Deus mostra-nos a Sua teologia no AT e no NT), a unidade da Sua revelação, tudo fazendo parte de um único plano de Deus: o qual trinfaria inevitável e soberanamente, cumprindo-se cada uma de suas promessas na história.

Jorge Fernandes disse...

Há conexões cruciais no A.T. entre as várias épocas em que ocorreu a revelação de Deus (a despeito do esforço "sobre-humano" de muitos teólogos em desmenti-las):
1) BÊNÇÃO "PRÉ-PATRIARCAL" e a "PROMESSA" PATRIARCAL:
- Período em que a Esdritura dá ênfase à Aliança de Deus com os homens, prometendo-lhes bênçãos e a promessa de redenção para o Seu povo.
- Aliança plenamente cumprida e sustentada por Deus, mesmo quando o Seu povo não cumpria a parte que lhe cabia.
2) LEI MOSAÍCA:
- A Aliança não foi esquecida após o êxodo do Egito.
- Não existe desconexão entre a "promessa" e a "Lei", como Kaiser diz: "a promessa não se opunha à lei de Deus pelas seguintes razões:(1) Tanto a promessa como a lei foram outorgadas pelo mesmo Deus que faz alianças; (2) Longe de ser um código legalístico ou um meio hipotético de merecer a salvação, a lei foi um meio de se manter comunhão com Deus... (3) A mesma lei que exigia um padrão de vida santo e igual ao caráter do próprio Deus, também tinha provisões para cobrir as faltas sob aquela lei, através do perdão e da expiação pelo pecado; (4) O contexto para toda e qualquer exigência da lei era o ambiente da graça..." (pg. 65).
- A pedra de tropeço para críticos à Escritura é a capacidade bíblica de profetizar eventos que aconteceriam no futuro, os quais realizaram-se infalivelmente conforme a palavra de Deus.
3)PROMESSA DAVÍDICA:
- Repete-se as antigas afirmações feitas na promessa e no Sínai, dando-lhe significado na administração de Davi.
- Evidencia-se um desígnio surpreendentemente unificado na revelação divina.
4)PROMESSA PROFÉTICA:
- A mensagem central é o temor do Senhor, uma conexão clara com outras épocas da revelação escriturística, visto que o princípio da promessa sempre foi o temor de Deus, sem o qual não há um relacionamento nem aliança, forjada na confiança de que Ele cumprirá a Sua promessa e bênção.
- "Tudo isto, no entanto, poderia ser abrangido sob a única bênção compreensiva chamada a promessa. Esta categoria foi suficiente para abranger uma grande variedade de livros, temas e conceitos bíblicos. A despeito de um coro quase universal ao contrário, a massa de dados não é nem intratável nem impossível. Produz, de fato, uma única teologia com um plano deliberado de Deus. Além disto, as Escrituras apresentam sua própria chave de organização. O AT possui sua própria unidade interna canônica que vincula as várias ênfases e temas longitudinais. Não se trata de uma unidade interior oculta. Está aberta e pronta para todos verem: é a Promessa de Deus" (pg. 71).