Após a leitura, classificarei os livros assim:
Péssimo [0] Ruim [*] Regular [**] Bom [***] Muito Bom [****] Excelente [*****]

Cristianismo e Liberalismo (****)



J. Gresham Machen

Editora Os Puritanos - www.puritanos.com.br

"O liberalismo representa a fé na humanidade, ao passo que o cristianismo representa a fé em Deus. O primeiro é não-sobrenatural, o último é absolutamente sobrenatural. Um é a religião da moralidade pessoal e social, o outro, contudo, é a religião do socorro divino. Enquanto um tropeça sobre a “rocha de escândalo” o outro defende a singularidade de Jesus Cristo. Um é inimigo da doutrina, ao passo que o outro se gloria nas verdades imutáveis que repousam no próprio caráter e autoridade de Deus". (Sinopse da Editora)

6 comentários:

Jorge Fernandes disse...

Ao tentar conciliar o cristianismo com a ciência, o teólogo liberal experimenta o abandono da fé, o pior tipo de ceticismo, o qual lhe diz que crê quando, na verdade, ele já aniquilou intelectualmente qualquer tipo de fé na Palavra de Deus.
Ao render-se à ciência e ao querer adequar a fé a ela, ele sujeita-se à um padrão que o colocará no pântano de dúvidas, atolado até o pescoço na incredulidade, e estará morto para a Verdade, incompatibilizado com a vida e a salvação que somente Cristo dá, revelado pelas Escrituras como o único caminho para se chegar a Deus.
A crença e a religião do teólogo liberal não passam de farsa, o engodo em que o inimigo o aprisionará numa liberdade presumível, porém, impossível, utópica.

Jorge Fernandes disse...

Machen expõe a ingerência e o controle do Estado nas várias facetas da vida social, em especial, na educação, onde a liberdade intelectual deu lugar à doutrinação materialista, conduzindo o ensino a uma espécie de bloqueio no qual o pensamento encontra-se cativo às normas, regras, influências e doutrinação materialista (lê-se marxista), pragmática e funcional.
Com o discurso de se permitir o acesso de todos à educação (o que é um objetivo legítimo), justifica-se uma padronização em que a liberdade intelectual é suprimida em favor de uma agenda doutrinária em que o indivíduo está, física e mentalmente, subjugado ao Estado.
A mente torna-se escrava dos conceitos materialistas que tornam o Estado em deus, priorizando a reclusão intelectual e a mediocridade. Em contrapartida, "libera-se" o prazer através do estímulo sexual e do consumismo, e, as vezes, permitindo uma espécie de religião amorfa, indistinguível em que todos poderão "encontrar-se" sem maiores problemas.
Esse padrão torna-se não somente uma meta, mas a própria salvação da sociedade, imposta pela tirania institucional: o utilitarismo moderno.

Jorge Fernandes disse...

Inicialmente, Machen explicita a origem do cristianismo: como e por quem ele originou-se historicamente, sendo, portanto, parte da História.
Esclarece que o cristianismo não é um modo de vida, no sentido moderno, que abarca todo e qualquer estilo e forma de se viver, tanto moral como imoral.
O cristianismo molda-se essencialmente por uma mensagem ou doutrina. Então, ele existe como fato histórico e como doutrina, os quais estão unidos e indissolúveis.
O liberalismo controe (ou melhor, destroe) a personalidade e a missão messiânica de Cristo, tornando os eventos históricos em mitos, removendo a verdade irredutível e doutrinária do cristianismo; transformando-o numa religião sem forma, destituída de princípios eternos baseados em fatos definidos; reconstruindo-o em algo imaginário, nada intangível.
Então, o ataque liberal é à Bíblia e ao próprio Senhor Jesus Cristo.
"O pregador liberal rejeita toda a base do cristianismo, que não é uma religião baseada em aspirações, mas em fatos", diz Machen.
O liberalismo dilui o Evangelho de maneira tão radical, até ao ponto em que pouco ou nada dele sobrará; ao final, restará um espectro anêmico e diáfano do cristianismo, e, caracterizá-lo com tal, é uma verdadeira e estrondosa blasfêmia.

Jorge Fernandes disse...

Há de se fazer distinção dos vários conceitos de Deus entre os homens. Mas sabemos que Ele se revela através:
1) Da natureza;
2) Da Lei Moral presente no coração do homem;
3) Das Escrituras Sagradas.
Da mesma forma, não existe a idéia de que Deus Pai é um pai universal (assim como Cristo não é um salvador universal, no sentido de que todos os homens serão salvos).
Os liberais tendem a se colocar como filhos do Pai e crentes em Deus, contrariamente à forma e aos princípios revelados nas Escrituras.
Nem todos crêem no Deus pessoal bíblico (e entender a revelação de Deus é conhecer a doutrina exposta na Bíblia); muitos "crentes" satisfazem-se com experiências ou sentimentos que nada têm a ver com o Deus bíblico.
Da mesma forma, poucos são verdadeiramente filhos do Deus Pai; como Jesus disse: aquele que me vê, vê o Pai; e aquele que me ama, cumpre os meus mandamentos.
Ao desprezar as Escrituras como divinamente inspiradas, inerrantes e infalíveis (e, por conseguinte, a doutrina bíblica), o teólogo liberal abre espaço para que a revelação de Deus seja "reinterpretada" pelo padrão cultural, social e emocional do homem, distorcendo-a, impossibilidando-o de conhecer verdadeiramente o Deus bíblico. O que ele crê (ou descrê) é um arremedo de divindade, algo que existe apenas em sua mente caída, e que de maneira alguma é a absoluta revelação de Deus.

Jorge Fernandes disse...

O abismo entre Deus e o homem (o liberalismo não vê esse abismo, e tende a "trazer" Deus para próximo do homem ao diminuí-lo, contrariando a afirmação bíblica de que Deus é quem traz o homem até Si, pela revelação das Escrituras, pela ação do Espírito Santo, ao justificá-lo e santificá-lo. Sem a justificação e santificação é impossível ao homem ter comunhão com Deus, e elas somente são possíveis pelo sacrifício salvífico de Jesus Cristo na cruz do Calvário) é consequência direta do pecado original. Para o liberal não existe o conceito de pecado, muito menos, original. Não existe a noção do pecado, na verdade, existe o desprezo a esta idéia.
Sem a consciência do pecado o Evangelho parece-se com algo à toa, sem sentido (igualmente, a morte de Cristo fica parecendo algo exibicionista, masoquista).
E a única forma de se voltar à consciência do pecado é com a proclamação da Lei, gravada nos corações, mas, sobretudo, revelada-nos pelas Escrituras. É ela que revelará os pecados, os quais não podem ser tratados superficialmente, enquadrados nos padrões morais (ou imorais) do mundo.
O pecado não pode ser negligenciado, com o risco de nos tornar em imorais e mais rebeldes a Deus, e, portanto, aumentar ainda mais o abismo que nos separa dEle.

Jorge Fernandes disse...

O relativismo pós-moderno compromete toda a exegese biblica do liberal. Ele não vê as Escrituras de dentro para fora, mas de fora para dentro, ou seja, partindo-se do homem para a sua interpretação. E sabemos que, sempre que isso ocorrer, todos os desvios, erros e pecados do homem contaminarão a sua interpretação, que na verdade é uma reinterpretação corrompida e facciosa do texto bíblico.
O liberal ainda que use um linguajar evangélico, e possa pontuar o seu discurso com alguns fundamentos cristãos (é impossível chamá-lo de pregação), ele o fará de forma superficial, desprezível e decomposta.
O seu objetivo é amalgamar o texto bíblico ao humanismo, onde este serve-se daquele naquilo que lhe é possível utilizar em seu benefício; o restante é rejeitado.
Então, para o liberal, tanto Deus como a Bíblia, Cristo, a salvação e a Igreja não são autoritativos mas expressões de pensamentos culturais,morais e comportamentais.
A mensagem do "teólogo" liberal é defectiva, pois ao retirar-se a autoridade de Deus, Cristo e da Bíblia cria-se um arremedo, um frankestein religioso, que leva-lo-á a consumir-me no caos destrutivo da incerteza, onde a mentira não é relativa mas "absoluta", aniquiladora, culminando na própria condenação.
Como uma miragem, o liberalismo faz o homem ver exatamente o que a sua alma caída e pecaminosa deseja, enquanto lança-se no abismo profundo, nas trevas, de onde apenas a absoluta soberania, graça e misericórdia de Deus poderá tirá-lo, se esta for a Sua vontade.
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"Cristianismo e Liberalismo" foi publicado originalmente em 1923, porém mantém-se atualíssimo ao confrontar o Cristianismo bíblico e verdadeiro com o falso cristianismo liberal e relativista. Em suas páginas J. Gresham Machen refuta cada uma das postulações liberais à luz das Escrituras, mostrando como são loucas e descabidas as suas suposições.
É um livro que complementou sobremaneira a leitura dos volumes do pr. John MacArthur: "Com vergonha do Evangelho" e "A Guerra pela Verdade" (ambos comentados neste blog).