Após a leitura, classificarei os livros assim:
Péssimo [0] Ruim [*] Regular [**] Bom [***] Muito Bom [****] Excelente [*****]

Contra o Fanatismo (*)



Amós Oz

Ediouro Editora

8 comentários:

Jorge Fernandes disse...

Amós Oz é pretencioso em sua proposição; a sobrecapa do livro tem o título "Como Curar Um Fanático". Mas é possível um fanático ser curado pela imaginação e o relativismo? Para Amós, sim. E é só disso que o fanatismo precisa para ser derrotado: sonhar um pouco, e não ter conceitos definitivos.
Mas é justamente aqui que Oz se contradiz e perde. Qual a sua definição de fanático ou fanatismo? E o que é um não-fanático? Como associar o fanatismo com extremistas, moderados silenciosos, fundamentalistas, se não se definir os termos? E como um liberal-moderado pode conter um fanático-fundamentalista? Em quais bases?
O relativismo é o antídoto contra o fanatismo na sua ótica. Mas pode o que não é certo, algo indefinido, combater o que é definido e pensado em termos concretos?
Se a premissa relativista é a de que não há verdade absoluta, nem mesmo o termo "verdade" deve ser usado, como pode o autor afirmar que o fanatismo deve ser destruído? Não há uma incoerência, uma antítese ao próprio significado relativista? Aos olhos relativistas o fanatismo não é uma "verdade" assim como o antifanatismo também?
São questões que Amós não explica, antes propõe sem nenhuma base lógica ou racional, jogando-as aleatoriamente, prontas a cair como "luva" nas mentes liberais, ilógicas e humanistas, movidas pelo sentimentalismo e emoções digressivas.

Jorge Fernandes disse...

Outra afirmação equivocada é a de que a mudança é algo que pode perturbar e derrotar o fanático: "Penso que traidor é aquele que muda aos olhos dos que não podem mudar, não mudariam, odeiam a mudança e não podem conceber a mudança, com exceção de que sempre querem mudar você. Em outras palavras, traidor, aos olhos do fanático, é qualquer pessoa que muda" (pg. 22).
Puxa, para um intelectual relativista e que preconiza o fim do fanatismo com tanta veemência, falta o mínimo que um pensador tem de ter: proposições concretas e lógicas, e não um "mar" de divagações... ou seria ele um ultra-relativista?

Jorge Fernandes disse...

Sobre o conflito israelense-pelestino: "É, essencialmente, nada além de um conflito territorial relativo à questão dolorosa: 'de quem é a terra'?. Vou dizer-lhes apenas que é essencialmente um conflito entre certo e certo, entre duas reinvidicações muito poderosas, muito convincentes sobre o mesmo pequeno país" (pg 32/33).
Isso é o relativismo-ideológico, simplista, que esconde debaixo do tapete milhares de anos de lutas entre judeus e árabes (mil anos antes de Cristo, cananeus e judeus já eram rivais). Como pode a questão ser apenas de faixa de terra? E as culturas, as religiões, as tradições e etnias conflitantes entre esses povos, que a história nos revela, não refletir no conflito?
Amós é reducionista, e falha em apontar os motivos reais (e históricos) para a guerra árabe-israelense, como se pudesse apagar os fatos ocorridos em séculos por "desconceitos" e fundar um conflito moderno, sem passado, onde o "certo" não aceita o "certo", e todos estão errados.

Jorge Fernandes disse...

Usando o exemplo do escritor Sammy Michael ele conclui que a imaginação é uma arma poderosa contra o fanatismo. Se as pessoas puderem "fantasiar" uma determinada realidade, a fantasia torná-la-as melhores pessoas. Porém, e se a fantasia for ruim, pior do que a realidade?
Em qual base se deve fantasiar? Quais são os estímulos para que a fantasia dê certo? E ao fantasiar o certo (no sentido de não-errado, uma premissa não relativista) qual a garantia de que a pessoa será melhor?
Se me imagino um Gandhi, por exemplo, quer dizer que farei greve de fome, negligenciarei a minha segurança, e tomarei um tiro na cara. Por outro lado, ao me imaginar um Gandhi, posso armar-me até os dentes, matar qualquer um que se aproxime de mim, e ainda tomar-lhe tudo o que tem, e comer da sua comida até me empanturrar. Essa é a premissa relativista; e Gandhi ou qualquer homem jamais pode ser um absoluto, somente Deus e Sua Lei Moral.
Então, a imaginação não funciona, e o esquema "Amós" é furado, por que confiar na imaginação do homem é tão inseguro e improvável quanto confiar em sua bondade.
Amós aponta para a bondade inerente ao homem em seus devaneios e sonhos, quando a Bíblia afirma que o homem é mau por natureza.
Por analogia, se a imaginação é boa, a literatura pode tornar-se também no antídoto contra o fanatismo, segundo Oz.
Novamente: Qual literatura? Será que não há a literatura que leva ao fanatismo?
Mesmo que a boa literatura (Amós não define o que seja boa literatura) faça o homem sonhar e imaginar coisas boas (também não é definido por ele), ele pode rejeitá-la, e recusar-se a sonhar. Ou Amós criaria uma "força tarefa" a fim de destruir todo homem que não "imagine", e toda literatura que não seja considerada "boa" e "não-fanática"? Não seria ele um fanático? Um contra-relativo?
Se sua tese está certa, ele está errado, e o seu relativismo já escorreu pelo ralo faz tempo.

Jorge Fernandes disse...

Amós cita o verso do poeta Yehuda Amichai: "Onde temos razão não podem crescer flores".
Primeiro: Qual a relação entre a razão e o crescimento de flores?
O que uma coisa tem a ver com a outra?
Segundo: A sua afirmação é ilógica e contraditória em si mesma, ao apontar a razão como algo não-criativo, destrutivo.
Terceiro: O poeta apela para a razão de não se ter razão. Se ele não a tem, o seu verso como a idéia são nulos, e nem mesmo podem ser jogados no lixo.
Quarto: Por que Amós escreveu este livro se ele não tem razão no que diz? E se tem, porque corroborou a frase, a qual é nula em si mesma?

Jorge Fernandes disse...

Agora ele apela para o humor, como outro remédio contra o fanatismo. Mas de qual humor está falando? E qual o conceito de humor? Posso rir por alguém levar uma torta na cara ou por levar uma bala na cabeça. Se seguir o conceito de Amós. Mas como meus absolutos são bíblicos, não me rirei nem de um nem de outro, chorarei por ambos.
Interessante como os relativistas são cheios de idéias e ideais absolutos, como: vida/morte, criar/destruir, herói/bandido, coragem/covardia, e por aí afora. Amós não escapa a isso, e sua definição de luta e guerra não é nada relativa (vide as pg. 51-52).

Jorge Fernandes disse...

O que não se pode chamar Oz é de enfadonho. Ele é ilógico, contraditório, incompreensível, como todos os liberais, mas seu texto é dinâmico, sua escrita é atraente, mesmo simpática, mas contém o perigo que carregava o "cavalo-de-tróia": uma armadilha para os incautos que aderem aos seus dogmas. Por que ele os tem, e muitos.

Jorge Fernandes disse...

O fanático é contra a paz, certo? Errado! O fanático pode ser tão fanático pela paz que fará qualquer coisa para obtê-la, até mesmo a guerra.
Amós não é contra a guerra pela liberdade e pela paz (quais são os conceitos dele de liberdade e paz? E seus conceitos são válidos para a proposta de guerra?). Ele é contra a guerra pela conquista do território ou até mesmo pela manutenção dele. Amós simplifica demasiadamente a coisa. A terra sempre revelará a etnia, a cultura, os modos, as tradições e a vida das pessoas. Se não fosse assim, não haveriam governos, nações, fronteiras. Elas existem para diferenciar os povos, distingui-los.
Numa terra onde não há riquezas naturais, qual o motivo das disputas? Não seria por que ali é o lar dos judeus e dos palestinos? E o lar representa milhares e milhares de anos em que se desenvolveu a cultura, tradições e etnias desses povos? E a rivalidade que subsiste? Será possível a convivência pacífica entre árabes e judeus?
Amós fala como um fanático contra o fanatismo, ainda que com tintas de aparente tolerância. A qual se desvanece quando fala da opressão colonialista e exploratória dos europeus tanto a árabes como a judeus.
O autor roda, roda, e acaba na mesma vala comum em que todos os liberais aportam, onde os incapazes acham repouso para suas mentes débeis e recalcitradas: a "mínima" liberal-marxista da opressão, a desculpa para a incipiência intelectual.
Relegar os séculos de lutas entre o povo de Israel e os árabes (na pele dos seus ancestrais filisteus, cananitas, moabitas entre outros) é, no mínimo, ignorância histórica. Dizer que essa guerra é moderna, seria o mesmo que sepultar os fatos em um monturo de mentiras.
A colonização européia pode ser o pretexto, mas jamais será a realidade da guerra, que transcende o século passado e o atual, pois árabes e israelense conflitam milenarmente.
Resumindo: Amós escreveu um livro conflituoso em si mesmo, onde o conteúdo é um emaranhado de suposições ilógicas, onde os fatos são levianamente distorcidos e calcados no que se pode chamar de hiper-pedantismo-intelectual.
De positivo, a linguagem simples, fluente, vibrante e o estilo atraente do discurso narrativo. E só!