Após a leitura, classificarei os livros assim:
Péssimo [0] Ruim [*] Regular [**] Bom [***] Muito Bom [****] Excelente [*****]

A Infelicidade do Século - sobre o comunismo, o nazismo e a unicidade da Shoah [****]




Alain Besançon
Editora Bertrand Brasil
146 páginas

"Abordando duas questões vinculadas entre si, o nazismo e o comunismo, o especialista em Ciências Sociais, Alain Besançon, traça, em A Infelicidade do Século, um painel detalhado sobre a tomada do poder pelo comunismo do tipo leninista e pelo nazismo do tipo hitlerista, explicitando suas diferenças e semelhanças, sem abrir mão das análises histórica e política de ambos os regimes.Tanto o nazismo quanto o comunismo tinham por objetivo chegar a uma sociedade perfeita, destruindo os elementos negativos que se opunham a ela, utilizando métodos de extermínio semelhantes. A Infelicidade do Século trata dos desdobramentos dessas ideologias nos planos físico, moral e político. Dividido em cinco capítulos, o livro de Besançon trata ainda da Unicidade da Shoah (catástrofe). Os judeus se auto-reconheciam como povo sagrado, julgavam que o holocausto imposto a eles era diferente do massacre imposto a outros povos não judeus. A Infelicidade do Século representa um alerta a toda a humanidade sobre genocídios que jamais deverão se repeti"

13 comentários:

Jorge Fernandes Isah disse...

Comprei este livro numa "baciada" no Submarino, por R$ 7,90, uma pechincha.

Não conhecia o autor, nem mesmo do que se tratava o livro (como abordagem, claro!), nem pensei em fazer uma pesquisa prévia no Google, mas gostei do tema proposto: comunismo, nazismo e Shoah... o que vinha a ser Shoah? (o nome me remeteu ao judaísmo, sem que eu tivesse certeza). Pelo preço, valeria a pena arriscar.

Quando chegou, juntamente com outros volumes, verifiquei, para a minha tristeza, que a tradução era do Emir Sader, notório "intelectual" marxista, e dizem, conselheiro de Lula.

Fui até a introdução e percebi que a perspectiva do Besançon era crítica, ao apontar as semelhanças entre o comunismo e o nazismo como ideologias estatizantes e pragmáticas na eliminação dos opositores e discordantes (há um esforço hercúleo da mídia e do meio acadêmico para "empurra" o nazismo à direita, enquanto o marxismo ocupa estrategicamente a outra ponta. Mas, na verdade, as semelhanças ideológicas entre nazismo e comunismo são impressionantes. A ponto de Hitler "capturar" muitos dos métodos de Stalin e aplicá-los em sua política genocida).

Numa rápida pesquisa na net, li que Besançon é um intelectual francês, católico, membro do "Institut de France", e respeitado autor de história e ciências humanas/políticas.

Ao que parece, foi militante comunista e membro do partido francês.

O problema da tradução brasileira era o Emir Sader... Como não leio em outro idioma além do português, seria a sua tradução confiável? Até que ponto o tradutor seria fiel ao original?

Para ser sincero, não acreditei nesta possibilidade, o que acabou por se confirmar já no início, quando Besançon claramente mostra-nos a forma como o nazismo foi e é execrado publicamente como a mais odiosa manifestação totalitária, e o comunismo é esquecido em seus crimes igualmente odiosos.

Ao nazismo se deu uma valorização real de suas atividades, demonstrando-o em seu caráter mais cruel, sanguinário e injusto. Ao passo que o comunismo teve, no decorrer da história, seus crimes hediondos, cruéis e injustos minimizados por uma mentalidade contempladora e cúmplice ideologicamente.

A prova maior é a de que não existem partidos nazistas no mundo, enquanto não somente há partidos comunistas como governos espalhados planeta afora.

Então, já na página 10, na introdução, lê-se:"Tive oportunidade de abordar recentemente esse contraste entre a amnésia do comunismo e a hiperamnésia do nazismo". Primeiramente, pensei se tratar de um erro de digitação, de composição do texto. Porque havia uma nítida contradição entre o texto inicial de Besançon (e o seu "tom") e esta afirmação em especial. Afinal, o nazismo fora condenado maciçamente enquanto o comunismo anistiado, ou ambos foram beneficiados pelo esquecimento?

Na frase transcrita, Sader demonstra a que veio.

Continua...

Jorge Fernandes Isah disse...

[...]

Noutra rápida pesquisa, descobri que o original emprega o termo “hipermnésia” (super-lembrança, grande memória), enquanto Sader, canhestramente, usa o termo “hiperamnésia” (super-esquecimento), referindo-se ao nazismo. Há uma nítida intenção do tradutor em falsificar o pensamento do autor, contrariando o que Besançon diz no original.

O erro se torna mais uma vez intencional ao se ler, na pag. 32: "e ainda com a vontade geral de amnéisa do comunismo e de hiperamnésia do nazismo". Quando Besançon quer mostrar a exata diferença entre a memória nazista e a memória comunista, quando os mortos pelo nazismo tinham nome, origem e registros detalhados, enquanto os mortos comunistas eram anônimos, deixados a ser esquecidos como animais, por dizimações vagas, aleatórias. Revelando a profusão de registros e evidências do nazismo, que os praticava quase abertamente, enquanto o comunismo, e suas intenções iniciais de "falsear" e transformar a mentira em verdade e vice-versa, escondeu e procurou manter em segredo toda a sua barbárie.

Mais uma vez, fica reforçada a distorção de Sader em intentar "confundir" o leitor, fazendo Besançon parecer dizer o que não diz.

Mesmo assim, nem ele é capaz de tirar a força das reflexões e conclusões que se tiram a partir da leitura do livro. Os argumentos do autor são tão fortes e lógicos, que nem uma tradução corrupta foi capaz de desfazê-los.

Estou na página 38, e Besançon tem-se revelado um autor instigador..

Pena o livro estar esgotado, sem previsão de nova edição. Porém, uma busca cuidadosa nos sebos físicos e virtuais poder-se-á adquirir um exemplar.

Em tempo: a afirmação de Besançon de que o nazismo e o comunismo são "gêmeos heterozigotos" demonstra o ideário comum e a prova de que pertencem ao mesmo gênero ideológico. O de tentar se fazer absoluto, arbitrário e todo-poderoso "deus", numa tentativa frustrada de substituir o Deus Vivo.

Algo que a introdução me aguçou foi o desejo de ler Primo Levi. Quando do meu "marxismo inconsciente", o mesmo da maioria dos brasileiros, Primo Levi era uma espécie de "demônio", ainda que não tivesse lido uma só linha de sua obra.

Tentarei redimir a minha estúpidez.

Jorge Fernandes Isah disse...

Algumas definições:
1) O nazismo presume a possibilidade da propriedade privada ao contrário do comunismo que a supreme desde o início.
2) O nazismo, após sua queda, foi julgado e condenado por todos os tribunais de justiça internos e internacionais. Enquanto o comunismo, a despeito do número infinidamente maior de mortes e atrocidades, ainda não teve um julgamento.
3) O nazismo era estético, enquanto o comunismo sempre buscou uma espécie de ética.
4) O nazista queria ser um artista; o comunista, um virtuoso.
5) Ambos se definem como salvadores do homem, no sentido de que o homem se perdeu na história, e de que eles são capacitados a recriarem-no ao seu modo.
6) Enquanto o nazismo valorizava o super-homem racial, em que o ariano é superior ao sub-homem não ariano; o comunismo quer democratizar o super-homem, colocando-se como capaz de criar indistintamente o homem ideal, além das questões raciais.
7) O nazismo quer restabelecer o mundo em sua beleza; o comunismo em sua bondade. Ambos dependendo da vontade humana iluminada pelas ideologia, as quais seriam capazes de restabelecer o homem primevo.
8) Suas bases estão estabelecidas no cientificismo, mais notoriamente o darwinismo, partindo-se de um sentido evolutivo e purificador gnosticista.

Jorge Fernandes Isah disse...

Mais algumas considerações:
1) O nazismo e o comunismo redefinem a moral, dando-lhe uma roupagem que a distinga da velha moral bíblica; mas sempre a partir desta, como parasitas alimentando-se dela, produzindo, porém, um produto corrompido capaz de destruir a velha ordem e reestabelecer uma ordem nova.
Para isso são necessários todos os meios para reconstruir o regime e o homem novos, mesmo com a desculpa de se destruir uma pseuda-raça ou pseudaclasse. Aqui, os meios são irrelevantes, sejam quais forem, pois o objetivo, o que importa, é o fim a ser atingido. O significado é claro: a destruição de uma pseudo-raça poluída, impura (nazismo), ou pseudoclasse contaminada pelo capitalismo (comunismo).
2) Os atos ruins e imorais que se pratica e comete são transformados em bons numa insidiosa e progressiva inversão de valores, redefinindo o senso comum de moral.
3) Aplica-se a "pedagogia da mentira", a qual, quando dita muitas vezes, acaba por se tornar em verdade. No comunismo, essas questões impoem-se mais sutilmente, em princípio, ao ponto em que partidos e movimentos marxistas não se apercebem da intoxicação absoluta da consciência moral pelo domínio ideológico completo. Está-se impossibilitado de discernir a corrupção que se processou, e passa-se uma vida inteira sem perceber isso.

Jorge Fernandes Isah disse...

O comunismo é dissimulado e muito mais perverso e perigoso do que o nazismo (ainda que o nazismo seja perigoso e perverso também), exatamente pelo seu caráter doutrinário "sutil", ao valer-se, servir-se do espírito de justiça e bondade para difundir e perpetrar o mal. Cada experiência recomeça na inocência, como se não se estivesse a praticar atos imorais, criminosos, espúrios e destrutivos. É essa subversão que o torna tão maligno, ao sugerir que o homem continuará sendo bom mesmo praticando efetivamente o mal, tudo para se alcançar um bem comum, destruíndo-se o inimigo (e esse inimigo pode ser praticamente tudo, desde que se possa defini-lo como colaborador da classe capitalista (e, por isso, essa e outras definições estão sempre em reconstrução, ganhando novos ares e contornos ao bel-prazer do discurso marxista de perverter a verdade com a mentira). Enquanto o nazismo pede, diretamente, que o homem atue conscientemente como um criminoso. Não lhe é sugerido nada mais além disso. Que ele destrua o inimigo, ao qual ele de antemão já sabe quem é.
A reeducação comunista, na verdade, faz o homem acreditar que o mal é bom, escondida atrás da moral comum, travestindo-se dela, com o intento de pervertê-la, transtornando a realidade e a moral; almejando sobreviver em um nível "superior" de imoralidade.
Essas ideologias, em seus cernes, estão sempre a construir o homem, tornando-o em besta, fazendo-a crer ser um "anjo".
Por isso não há possibilidades de arrependimento no comunismo, especificamente, pois não há do que se arrepender. A mente está condicionada e domesticada a tratar dos assuntos sempre pelo crivo da nova moral marxista (ou imoralidade), e, para tanto, não existem contigências que possam julgar e condenar os fins quando obtidos.
Interessante que essa busca incessante dos fins sempre "justificáveis", nunca leva o homem a obtê-los, mas a uma guerra persistente e interminável de, delirantemente, querer atingi-lo. Mesmo com todas as evidências contrárias, revelando exatamente o oposto do que o discurso dialético apregoa, o marxista sempre estará disposto a tornar o doce em amargo e o amargo em doce, o bem em mal e o mal em bem (estranhamente o livro se refere apenas ao comunismo, do tipo stalinista, leninista; revelando novamente a sutileza ideológica por trás da tradução, e do seu tradutor).
E o novo homem apenas é uma deformação ainda maior da velha e naturalmente corrompida humanidade.

Osmar Neves disse...

Oi Jorge, Graça e Paz!

Também adquiri o livro e fiquei indignado quando vi que o tradutor era o Sader. Isso me lembrou o Olavo de Carvalho e a sua afirmativa que no Brasil estava "tudo dominado": até o tradutor de uma obra que ataca o comunismo é comunista...

Jorge Fernandes Isah disse...

Osmar,

é verdade. Também me indignou a editora colocar um marxista de carteirinha para traduzir um livro que "bate" no marxismo, como o Sader. Por si só, isso já desqualifica parcialmente a obra.

Mas como nem ele conseguiu tirar a força das provas apresentadas por Besançon, restou-lhe sutilmente atenuar as implicações entre marxismo e terror, como relacionar as acusações do autor apenas ao "tipo" de comunismo leninista ou stalinista; quando sabemos que as acusações são dirigidas a qualquer forma de marxismo, seja o cubano ou a investida petista no Brasil.

Outro dado interessante é que Besançon demonstra como os marxistas se utilizam da liberdade, da democracia, das instituições legitimamente estabelecidas para, quando chegar ao poder, abolir exatamente a liberdade, implantar a tirania e a ditadura, e destruir as mesmas instituições pelas quais foi-lhe possível o acesso ao poder.

Se não fosse a abordagem tendenciosa e nada honesta do Sader, provavelmente a tradução do livro do Besançon seria muito melhor. Mas vá lá, como disse, ele prejudica o trabalho do autor, mas não consegue desqualificá-lo, apesar de todos os esforços.

Abraços.

Jorge Fernandes Isah disse...

No decorrer do livro, Besançon trata de vários outros aspectos ligados à "Infelicidade do século", como a deterioração moral, a falsificação do bem, a destruição do político, a investigação teológica que remete as duas ideologias a se auto-idolatrarem, colocando-se como "deus" e "salvador" do homem, tentando ocupar um lugar que não é seu, e jamais será.

Outro ponto interessante tratado é a questão da memória, a qual já falei. Mas a capacidade de se lembrar das atrocidades nazistas não tem o mesmo lugar e intensidade quando se trata de lembrar das atrocidades marxistas. Parece que àqueles o perdão é impossível mesmo diante do arrependimento, enquanto a estes tudo é permitido, e não se é requerido o arrependimento, e, portanto, o perdão é compulsório e subliminar. O mundo parece estar sempre disposto a execrar o nazismo (no que está certo), mas, incoerentemente, é contemplativo e contemporizador com os "feitos" marxistas, sendo capaz de até mesmo louvá-los.

O mais impressionante é que o marxismo tem suas origens no cristianismo (no falso cristianismo), o qual, servindo às mentiras de seu "mestre", o diabo, incorporou à retórica elementos nitidamente cristãos, tais como a solidariedade, a piedade, o amor ao próximo, a justiça, etc, para abandoná-los tão logo assumirem o poder; o que acentua o caráter incoerente e contraditório de "cristãos" que também são marxistas. Na verdade eles estão prontos e de prontidão para defenderem a ideologia, e nem tanto para defender a teologia.

O revolucionário, seja Lênin, Mao ou Castro, ganha de lambuja do Servo Sofredor, Jesus Cristo. É por isso que em matéria de Cristianismo, os chamados cristãos marxistas não entendem nada do Evangelho, não conhecem a Deus, nem podem ser chamados de imitadores de Cristo.

Onde já se viu defender uma ideologia que, em sua história, massacrou e ainda massacra milhões de irmãos? Apenas por amarem o Senhor de suas vidas? Apenas por professarem amor a Deus? Apenas por não se sujeitarem a "rezar" na cartilha esquerdista? E não adorarem o "deus-estado"? E não crerem num falso-salvador?

"A Infelicidade do Século" é um livro a ser lido, apesar do Sader. Besançon esmiuça de maneira simples e clara a ligação marxista tanto com o comunismo como o nazismo (apesar de em alguns trechos Sader intentar a confusão). As semelhanças estão no cerne ideológico de ambos. Só não vê quem não quer, ou quem finge não ver. O que evidencia ainda mais a urgência de polarização entre as duas ideologias por parte dos marxistas. Ela atende aos seus interesses, em mais uma mentira dita como se verdadeira.

Em tempo: pude entender que a Shoar é a forma judaíca de se referir ao holocausto como o sofrimento do povo judeu, a partir da interpretação equivocada de Isaías 53 que, falando de Cristo e do seu sofrimento futuro na cruz para redimir o Seu povo eleito, têm-na como se referindo a Israel, que sofreu tanto na inquisição como no holocausto nazista.

Denis corcini cortezao disse...

Parabens. Excelente seu blog!!!!!!!!!!!
Vi este artigo acima e lembrei. Li ha pouco um livro sobre nazismo "OS MEDICOS DA MORTE"de Philippe Aziz.
Muito bom.

Jorge Fernandes Isah disse...

Oi, Denis!
Obrigado pelos elogios!
Não conheço o livro que você citou, mas vou ver se consigo uma cópia.
Quanto ao livro do Besançon, se puder, adquira uma cópia e leia. Ainda que esteja esgotado, vale o esforço.
Legal saber que és mineiro, de Ponte Nova. Como um bom mineiro, não esqueceu do uai!, sô! [rsrs]

Grande abraço!
Cristo o abençoe!

Tom Alvim disse...

Olá Jorge,
descobri este blog pesquisando na internet sobre este livro, pois estava ouvindo um vlog da Ana Carolina e ela indicou esta obra para quem quisesse entender melhor a semelhança entre o comunismo e o nazismo. Como os esquerdopatas sempre querem fazer um link entre o nazismo e a direita, interessei-me em lê-lo para poder argumentar contra essa mentira que eles sempre trazem à tôna em algum debate sobre esses temas.
Foi bom revê-lo,
Abração.

Jorge Fernandes Isah disse...

Oi, Tom!

Como vai, rapaz? Sumido...

Vale a pena a leitura do livro. Eu nem imaginava que se havia passado 05 anos em que eu o lera...

Como disse, em um dos comentários, nem mesmo o sem escrúpulos, tendencioso e desonesto intelectualmente, Emir Sader, conseguiu apagar a chama do Bensaçon. Muito do que aprendi das semelhanças entre comunas e nazis se deveu a ele. As pesquisas que vieram a seguir, apenas confirmaram as conclusões do autor.

Se puder, não. Sei se há uma nova edição, deixe um recado aqui, avisando-nos, ok!

Grande e forte abraço!

Cristo o abençoe!

Tom Alvim disse...

Esta obra está esgotada e não encontro em lugar algum para poder adquiri-la, mas vou continuar a procurar, pois vale muito à pena. Enquanto isso vou lendo resenhas e comentários como os seus por saber que são idôneos.
Abração irmão. Que Cristo continue a abençoá-lo.