Após a leitura, classificarei os livros assim:
Péssimo [0] Ruim [*] Regular [**] Bom [***] Muito Bom [****] Excelente [*****]

O Longo Adeus [***]







Raymond Chandler
Editora Objetiva
400 Páginas


"Terry Lennox poderia ter a vida ganha. Ex-veterano de guerra, casou-se com a milionária Sylvia Potter e não precisaria mais se preocupar com nada desde que fechasse os olhos para a devassidão escancarada da mulher. Ele, no entanto, se afunda na bebida. É assim que Philip Marlowe o encontra — caído, inconsciente —, e a partir daí ambos criam um estranho laço de amizade. Quando Lennox lhe pede para fugir do país em circunstâncias misteriosas, Marlowe aceita ajudá-lo, mas aos poucos se vê enredado a uma elite poderosa e desajustada de escritores alcoólatras e mulheres fatais, que fará de tudo para encobrir os próprios crimes.
Publicado em 1953, O longo adeus é a obra mais ousada e desafiadora de Raymond Chandler. É, nas palavras de Ricardo Piglia, 'talvez o melhor romance policial que já se escreveu'”.

Um comentário:

Jorge Fernandes Isah disse...


Muitos apontam este como o melhor livro policial de todos os tempos. É claro que sempre há um exagero quando se fala de arte, ao se apontar a melhor entre todas, especialmente no quesito literatura ou ficção.

No caso, este é o primeiro livro de Chandler que leio, e já estou prestes a terminá-lo (quase li, de uma sentada, as suas 400 páginas), contudo, apesar da linguagem inovadora para a época, ele me parece menor do que o "Falcão Maltês" de Hammett; sendo este, realmente, um inovador na escrita, inaugurando o estilo "Noir" dos policiais.

Existem muitas semelhanças entre ambos os livros e a forma de como foram escritos, e, até mesmo na construção dos personagens. No caso de Chandler, o final não chega a ser uma inesperada surpresa, e eu, que não sou um expert em decifrar os finais de filmes e livros (ficção, para mim, é diversão e aprendizado/estudo quanto ao estilo e a formação do enredo e personagens), já antevia o desfecho final, antes da metade.

Alguém pode dizer que estou a ser incoerente pois os objetivos que me levam a ler ficção estão ligados à construção do enredo e seu desenrolar, logo, o final, deveria ser algo a que eu devesse estar atento. Acontece que eu me preocupo mais com o desenvolvimento da narrativa, a sua construção, os detalhes, e o "passo-a-passo" do autor do que propriamente em ser o adivinho ou aquele típico desmancha-prazeres que diz: "ah, já sei o final!". Eu quero me envolver com a história, adentrá-la, e me tornar um espectador, senão ativo, ao menos consciente do trabalho do autor, sem deixar de me deliciar com o enredo; descortiná-lo devagar e calmamente.

Chandler é muito bom no que faz, e consegue pegar o leitor de jeito, criando ambientes e situações no qual ele estará irremediavelmente preso (a menos que não se goste de ficção ou ficção policial), mas acho, assim como Hammett, que ele pega "um pouco pesado" ao exacerbar o estilo "bronco" e "truculento" do seu personagem principal, o policial Marlowe, assim como o Spade de Dashiell. Soa, em alguns momentos (raros diga-se), uma certa artificialidade em seus gestos e falas, talvez algo evidente na sociedade americana do entre guerras, cujo pano de fundo é a recessão americana e ascensão do ganguesterismo. Um mundo duro e brutal onde somente os fortes podem sobreviver (não muito diferente de hoje, a despeito dos eufemismos diletantes dos ideólogos, na tentativa de suavizar um mundo tanto ou mais brutal do que aquele, porém muito mais falso e descartável do que ele.

Diferentemente do destaque dado por Conan Doyle, Christie e Simenon aos seus personagens, quanto ao intelecto, a sutileza, e o raciocínio lógico, Chandler e cia apostam em uma inteligência mais "viceral", a qual se confunde com a ignorância e tolice no limiar de algumas linhas, onde parecem nadar na idiotia, mas os passos seguintes mostram que não era bem assim. A diferença, na verdade, está entre a delicadeza e a explicitude (mesmo que o sangue seja sempre derramado) na construção do texto.

Se vale a pena ler "O longo adeus"?

Claro! Sem sombra de dúvidas.

E boa leitura!