Após a leitura, classificarei os livros assim:
Péssimo [0] Ruim [*] Regular [**] Bom [***] Muito Bom [****] Excelente [*****]

A Estrela Sobe [***]



Marques Rebelo
Editora Civilização Brasileira
242 Páginas

ESGOTADO!



"A estrela sobe, que durante algum tempo passou despercebido por crítica e público, firmou-se, ao longo de sua trajetória, como um dos pontos altos da novelística do autor e, igualmente, da literatura brasileira. Várias vezes premiado, Marques Rebelo oferece-nos simultaneamente um texto ágil e versátil e uma obra muito bem elaborada, de valor excepcional para a ficção contemporânea."

Um comentário:

Jorge Fernandes Isah disse...

Dá-se para ler de uma sentada o livro. E dá-se também para perceber boa parte da trama já no seu início. Marques Rabelo não constrói um livro original, mas sai-se muito bem no que se propõe. Ele revela que as pessoas são guiadas por decisões morais, e muitos conflitos se dão exatamente nessa tensão entre o moral e o imoral, entre o ético e o não-ético. De forma que o afeto, amor, ódio, aversão, desejo, repulsa são motivos por eles.

É impossível que os seus efeitos não sejam visíveis e sentidos pelo outro, de forma que cada ação, moral ou imoral, refletirá em uma reação; ainda que seja a apatia, covardia ou dissimulação.

Mas isso é tão óbvio como a roda rodar, e, talvez aí encontre-se a magia da narrativa. Assim como a tentativa da personagem principal de se autojustificar em suas decisões, quase sempre lançando sobre os outros a culpa, mesmo ela se mortificando pelas atitudes, o que revela a razão de continuá-las; pois a despeito de tudo, o mundo continua a girar, e ela tem de terminar o que começou. Ela é "impelida" a fazê-lo a despeito da autocensura, como algo que não pudesse deixar de realizar.

Achei que a parte final foi meio "forçada", porém, não compromete a narrativa. Julguei-a meio abrupta, como se o autor estivesse cansado da história, e quisesse um desfecho rápido.

Claramente ele revela uma relação entre a ascensão social e profissional com a degradação moral, e um "desperdício" de vida por uma busca insana pelo individualismo exacerbado. As escolhas acabarão, por vezes, a nos afastar tanto de uma como da outra, e o que se tem é uma máscara, uma fantasia, uma personagem, a se carregar existência afora.

É uma leitura recomendada para os tempos pós-modernos e relativistas, onde tudo parece ser motivado exatamente, e por isso mesmo, por nada. Como se o vazio pudesse preencher algo; e as consequências não passem de um sonho irreal e fugaz, quando a realidade prova exatamente o contrário: não adianta ao homem anestesiar-se, a dor voltará, estará ali, a atacar o defunto, semi-morto.